Alagoas

O legado da 70ª SBPC em Alagoas e seu princípio

Por Fábio Guedes Gomes | 01/08/2018 | às 21:59 | Fábio Guedes

Leandro Benites (Ascom/UFMS)

Entre os dias 22 e 28 de julho Alagoas entrou no radar nacional da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC realizada na Universidade Federal de Alagoas comemorou os seus 70 anos de existência.

Nessas sete décadas, a SBPC construiu um legado em defesa do desenvolvimento da ciência brasileira, do aprofundamento da democracia e sempre levantou a bandeira da justiça social e dos direitos humanos. Nessa longa trajetória, a SBPC se tornou a maior congregação de sociedades científicas da América Latina, com 142 filiadas e 8 mil associados, sendo uma das mais importantes do mundo.

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Realizar a 70ª Anual da SBPC pela primeira vez em Alagoas foi motivo de muito orgulho para todos nós que fazemos o ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) no estado. Foram poucos os momentos da história alagoana recente que se aconteceu uma ampla mobilização de instituições, governos, entidades, academias e pessoas dispostas a contribuir para um propósito.

É importante mencionar os participantes dessa mobilização em agradecimento pelo empenho para que o sonho de tão poucos pudesse virar realidade de muitos, com consequências imensuráveis no futuro para a formação de nossas crianças e jovens. Essa mobilização estava muito bem representada logo na abertura solene, realizada no Teatro Gustavo Leite, repleto de pessoas de várias partes do país. No local, além do público presente, cerca de 17 mil pessoas que acompanhavam pelas redes sociais, testemunharam o grande concerto institucional, local e nacional, para que a SBPC acontecesse em Alagoas.

Os parabéns iniciais são para Universidade Federal de Alagoas, especialmente aos professores Valéria Correia e José Vieira, reitora e vice-reitor, respectivamente, por terem abraçado a iniciativa, colocado à disposição seu staff administrativo e seus principais assessores, e levado adiante com firmeza e competência a execução de um projeto de elevada complexidade e arrojo. Os riscos eram altíssimos, principalmente em função das restrições financeiras, contingenciamentos orçamentários e redução do apoio de colaboradores tradicionais da SBPC. Além desses aspectos, o ineditismo do evento em Alagoas criava grandes expectativas.

O engajamento institucional de outras universidade e centros universitários foi decisivo. Desde o início sabíamos que não seria possível realizar um evento dessa magnitude sem a presença e participação de outras instituições. Ademais, estava claro que a SBPC deveria ser realizada para o estado de Alagoas e não apenas um privilégio para a UFAL. Assim, faz necessário agradecer e parabenizar o envolvimento da Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas – UNCISAL, do Instituto Federal de Educação e Tecnologia de Alagoas – IFAL, do Centro Universitário de Maceió – CESMAC e do Centro Universitário Tiradentes – UNIT.

Os apoios e incentivos de entidades de classe, representantes dos segmentos produtivos do estado, também foram estratégicos, desde o começo, recepcionando os principais dirigentes da SBPC e participando das reuniões preparatórias. Tanto a Federação da Indústria – FIEA como o SEBRAE/AL foram muito importantes, principalmente em levar para UFAL estudantes e profissionais do sistema S. O SEBRAE/AL montou uma espetacular estrutura que permitiu a presença de pequenos empreendedores comercializando comidas, bebidas e artigos do artesanato local.

Entidades ligadas aos movimentos sociais, afroindígenas, sindicais (SINTUFAL e ADUFAL) e economia solidária, participaram diretamente das atividades acadêmicas como puderam também comercializar seus produtos. Em termos econômicos, a SBPC teve efeito muito positivo para os diversos comerciantes que participaram do evento, bem como sobre os restaurantes e lanchonetes já instalados no campus da UFAL. A opinião é unânime a esse respeito.  

O poder público teve um papel fundamental. A prefeitura municipal de Alagoas contribuiu com a organização do trânsito, através da SMTT. Merece destaque a Secretaria Municipal de Educação, tendo à frente a ex-reitora da UFAL, profa. Ana Dayse. A SEMED garantiu a presença de, aproximadamente, 1.500 estudantes que participaram da ExpoT&C, uma das programações da SBPC. Além disso, incentivou os professores da rede à participarem da programação da SBPC Educação, que aconteceu entre os dias 19 e 21 de julho.

O Governo do Estado se envolveu diretamente com várias secretarias e órgãos. Além de apoiar financeiramente o evento, destaca-se o apoio fundamental da: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo; Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, especialmente na promoção da Feira ExperimentAL de ciências do ensino médio e fundamental; Secretaria de Estado da Cultura, garantindo recursos e apoio a bela programação cultural do evento; Secretaria de Estado da Saúde, com o fornecimento de ambulâncias e profissionais da área médica e participação ativa no Simpósio da Saúde; Secretaria de Estado da Segurança Pública, garantindo um aparato de viaturas e policiais, proporcionando maior segurança e tranquilidade durante a realização do evento, dentro e fora do Campus da UFAL, além dos equipamentos e veículos do corpo de bombeiros; Secretaria de Estado da Educação, que firmou compromisso em levar uma extraordinária quantidade de estudantes à SBPC Jovem, especialmente com os projetos de robótica executados nas escolas de tempo integral, além de garantir centenas de professores na programação da SBPC Educação.

Não poderia deixar de mencionar a exitosa parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas – FAPEAL, Instituto do Meio Ambiente – IMA, Imprensa Oficial Graciliano Ramos, Agência Desenvolve e Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, que possibilitou a presença do governo do Estado com um estande na ExpoT&C, um dos mais visitados e admirados pelo público que visitou a exposição. Além disso, com o apoio da Fapeal, foi possível a UFAL criar o escritório de projetos SBPC 2018, que permitiu a execução de vários termos de referência com o governo federal, aplicação dos recursos financeiros e montar uma estratégia mais ampla de comunicação.

Merece menção honrosa o imprescindível papel do “exército” de monitores, com 530 pessoas, que “marchou” entre as salas de aula e de apoio, auditórios, pavilhões, orientando, dando suporte necessário, deslocando equipamentos e guiando grupos de visitantes por todo o campus da UFAL.   

Durante a cerimônia de encerramento, o secretário executivo da SBPC, prof. Paulo Hofmann, divulgou um relatório sintético que revela, através dos números, a dimensão do tamanho do evento e o que ele representou em Alagoas. Contou com a participação de 212 Instituições e Entidades, sendo 61 entidades científicas, 66 universidades, centros universitários e faculdades, 13 ministérios ou secretárias de governo, 7 agências de fomento à ciência, tecnologia e inovação, 22 movimentos sociais ou entidades da sociedade civil e 6 conselhos ou comitês.

Alcançou-se o número aproximado de 3.500 inscrições na programação científica, sendo 507 palestrantes e conferencistas. Foram realizadas 135 atividades da programação, de um total previsto de 166, portanto mais de 80% de efetivação. Do total de 750 pôsteres de trabalhos científicos programados, foram apresentados 713 deles, percentual de efetivação de 95%, muito elevado em comparação aos anos anteriores. O público total que participou da programação científica alcançou, portanto, 11.521, com as conferências e as mesas-redondas, absorvendo a maioria dos participantes, 5.546 e 4.308, respectivamente.

Ao número total de participantes na programação científica deve-se somar o público de 2.800 pessoas que se inscreveu para participar das atividades voltadas para as comunidades indígenas e quilombolas (SBPC Afroindígena), junto dos visitantes à SBPC Jovem e ExpoT&C (por volta de 12 mil pessoas na semana). Assim, chegamos a uma estimativa bastante plausível de aproximadamente 20 mil pessoas que passaram pela UFAL na 70ª Reunião Anual da SBPC. Esses números somente confirmam a declaração do Secretário Executivo da SBPC, Prof. Paulo Hofmann, ao abrir a solenidade de encerramento na noite da sexta-feira, 27, no auditório da Reitoria: “a reunião foi um estrondoso sucesso”.

Alguns aspectos merecem ser mencionados como evidências da força mobilizadora que a SBPC trouxe para Alagoas. Destaco, em primeiro lugar, o sentimento de pertencimento à universidade que o evento proporcionou. Professores, estudantes, servidores e colaboradores não fingiam a alegria e o orgulho em participar de um encontro tão bem organizado e num lugar que passou por uma grande transformação para acolher pessoas de vários lugares do país e do exterior. A UFAL estava unida com um único propósito que proporcionou a realização do maior evento em seus quase 60 anos de história. Constatar, por exemplo, a alegria da comunidade universitária em compartilhar o evento com a família, especialmente no dia dedicado a ela, no sábado, dia 28, foi sublime. Eram companheiros e companheiras, filhos e filhas, netos e netas percorrendo todos os corredores da ExpoT&C e se divertindo nos shows de química, física e nas demais brincadeiras permitidas pela SBPC Jovem

Outro elemento importante foi participação massiva do público em todo o evento, numa demonstração objetiva que a Universidade foi invadida pelas comunidades de seu entorno, por adultos, jovens e crianças vindas de várias partes do estado, através de inúmeras caravanas. Não seria exagerado afirmar que cerca de 70% a 80% do público que passou pela SBPC jamais tenha entrado na Universidade. Certamente, as crianças e os jovens que não tinham passado por essa experiência firmaram em sua consciência o desejo de construir seu futuro num ambiente como aquele.

Outro aspecto importante relaciona-se a ruptura do paradigma pelo qual predominava o consenso de que realizar grandes eventos na UFAL seria inviável, em razão de sua distância, desconfortável e não atrativa ao público externo. Depois da SBPC e com a invasão da UFAL por milhares de pessoas, ficou comprovado que se dispusermos de tempo para planejar, recursos, equipe e cooperação institucional, a Universidade Federal de Alagoas tem plena capacidade de sediar eventos de grande porte nacional e internacional, especialmente nas áreas acadêmicas, científicas e tecnológicas.

Não poderia deixar de enaltecer a diretoria da SBPC, o seu Conselho Superior, seus funcionários e colaboradores. Todos se engajaram nessa empreitada, apostando que Alagoas fizesse uma grande reunião. A profa. Helena Nader, ex-presidente da SBPC foi uma entusiasta desde o início e apoiou a ideia que lhe foi apresentada no CNPq, em meados de 2015. Orientou os primeiros passos e nos recebeu muito bem no evento realizado em Porto Seguro, em 2016, quando a FAPEAL e UFAL apresentaram a proposta formal ao Conselho da SBPC. O prof. Ildeu Moreira, atual presidente da agremiação, estava na reunião e desde que assumiu, em 2017, foi um grande estimulador do evento em Alagoas e, com certeza, saiu muito satisfeito com o resultado e seus impactos.

Para finalizar, gostaria de apenas comentar que o maior evento de Ciência, Tecnologia e Inovação já realizado na história de Alagoas só foi possível por três razões muito elementares: i) uma ideia fixa em realizá-lo nas terras caetés; ii) a palavra de apoio, um simples “toque em frente”, do governador Renan Filho, no início de 2015; e, iii) o belo sorriso de satisfação da Reitora da UFAL, profa. Valéria Correia, ao ser indagada, em março de 2016, se estava disposta a ser realizadora e levar a frente o projeto. Se tudo tem um princípio, foi esse então. A UFAL e Alagoas saíram bem maiores depois da 70ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.  

Fonte: Cada minuto

 

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