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Rebeldes sírios apoiados pela Turquia retiram armas pesadas de Idlib para estabelecer ‘zona desmilitarizada’

Retirada de armas é produto de acordo entre a Rússia, país aliado da Síria, e Turquia, que apoia alguns grupos rebeldes. 09/10/2018

Extremistas e rebeldes apoiados pela Turquia terminaram nesta terça-feira de retirar suas armas pesadas de seu último feudo na província síria de Idlib, para estabelecer uma “zona desmilitarizada”, uma operação que deve acabar antes de quarta-feira.

“Nesta terça-feira, quase todas as armas pesadas haviam sido retiradas desta zona”, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

“A zona ‘tampão’ foi quase totalmente esvaziada de armas pesadas”, afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Esta retirada é produto do acordo assinado no mês passado entre a Rússia, país aliado do regime de Damasco, e Turquia, que apoia alguns grupos rebeldes, dois países que cooperam estreitamente para pôr fim à guerra que devasta a Síria desde 2011e já deixou mais de 360 mil mortos.

Seu acordo sobre Idlib, anunciado em 17 de setembro, prevê a instauração de uma zona ‘tampão’ de 15 a 20 km de largura, para separar os territórios rebeldes dos setores vizinhos controlados pelo regime sírio.

 

Foto de 20 de setembro de 2018 mostra motociclistas passando por edifícios destruídos na cidade de Ariha, na província de Idlib, na Síria — Foto: Ugur Can/DHA vía AP, arquivo

Foto de 20 de setembro de 2018 mostra motociclistas passando por edifícios destruídos na cidade de Ariha, na província de Idlib, na Síria — Foto: Ugur Can/DHA vía AP, arquivo

Segundo este acordo, as facções têm até a quarta-feira para retirar seu armamento pesado desta zona.

Esse acordo também permitiu prorrogar uma ofensiva do regime sírio contra este último bastião dos rebeldes. A ONU e as ONGs falam em um eventual “catástrofe humanitária” e um “banho de sangue”.

Além disso, antes de segunda-feira a futura zona desmilitarizada deve ser abandonada pelos extremistas.

3 milhões de habitantes

O grupo extremista Hayat Tahrir al Sham (HTS), que domina em Idlib, começou a retirar suas armas pesadas no sábado e continuou com a operação na madrugada de terça-feira, segundo a OSDH.

O HTS, que não reagiu oficialmente ao acordo russo-turco, controla mais da metade da zona demarcada.

Na segunda-feira, uma fonte local próxima a este grupo afirmou à AFP que o HTS havia aceitado o acordo para proteger os cerca de três milhões de habitantes da província de Idlib.

“Todo mundo se viu obrigado a aceitar a iniciativa, embora às vezes contra a sia vontade”, disse a fonte.

Os insurgentes apoiados por Ancara terminaram na segunda-feira a retirada de todas as suas armas pesadas, de acordo com a mídia oficial turca.

Proteção das forças turcas

Extremistas e facções rebeldes esperam que a presença turca – forças de Ancara foram deslocadas para postos de observação – os proteja, pois temem que o acordo entre Rússia e Turquia seja o prelúdio de um retorno dos soldados do regime sírio a esta região.

O regime de Damasco, graças ao apoio militar que recebeu da Rússia desde 2015, teve sucessivas vitórias nos últimos meses sobre rebeldes e extremistas, e reconquistou a maior parte do território sírio.

No domingo, o presidente sírio, Bashar al Assad, chamou o acordo russo-turco de “medida temporária”, e assegurou que a futura “zona desmilitarizada regressará” no médio prazo para as mãos do regime.

“Essa província e outros territórios que continuam controlados por terroristas voltarão ao Estado sírio”, assegurou, agrupando rebeldes e extremistas em um mesmo grupo, que classifica de “terroristas”.

Fonte: G1 Mundo

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