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“Ministro sinaliza para uma educação mercadológica”, diz presidente do Sinteal sobre gestão do MEC

Por Gilca Cinara e Daniel Paulino | 13/04/2019 às 09:04

Consuelo Correia, presidente do Sinteal.A expectativa da população quanto ao governo federal não tem ficado apenas no setor da economia. Com as mudanças no Ministério da Educação, os rumos da educação básica e os incentivos para os jovens nas universidades tornaram-se alvos de questionamento sobre as prioridades educacionais da gestão.

Em entrevista ao CadaMinuto, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Alagoas (Sinteal) Maria Consuelo afirma que é necessário uma política pública que defenda uma pluralidade nas escolas em todo país para que os filhos da classe trabalhadora seja atendida.  

Para ela, a visão mercadológica do novo ministro preocupa os profissionais da educação em Alagoas.

Cada Minuto: O ministério da educação passou por algumas mudanças de gestão. Acredita que nesse novo governo as ações para educação ainda não aconteceram?

Com certeza. Esses 100 dias de governo eles só mostram a incompetência em não avaliar as políticas educacionais implantadas anteriormente e usam apenas de uma cortina de fumaça para dizer que se implantam o marxismo dentro das escolas e que os profissionais são doutrinadores, mas na verdade não apresentam uma política educacional efetiva para que nós tenhamos uma educação de qualidade para os filhos da classe trabalhadora. Nós questionamos sim, a política. Este novo ministro que assumiu sinaliza para uma educação mercadológica e não efetivamente a política que interesse aos educadores, que interesse aos filhos da classe trabalhadora, que é usuária dessa escola pública, escola pública essa que defendemos com a pluralidade de ideias. É essa escola que nós queremos. Uma escola pública com qualidade social.

Cada Minuto: O entra e sai de ministro é negativa para Educação do país?

Maria Consuelo: É avaliado como a incompetência desse governo e que não vê educação como prioridade. Até então não conseguiu apresentar algo com uma política para melhoria da educação. Ao contrário, o que eles estão apresentando hoje são retrocessos para educação, tanto é que o ministro diz uma coisa de manhã, a tarde se desdiz e acaba mostrando a incompetência da equipe está no MEC, o desmonte da equipe que tinha todo um conhecimento sobre a educação no país, pessoas qualificadas, educadoras que não eram apenas técnicos e sabiam da demanda necessária. Não é de uma hora para outra que conseguirá montar esta equipe que ao longo destes 14 anos, vinham trabalhando para que tivéssemos uma educação melhor no país.

Cada Minuto:  Qual a expectativa para a gestão do novo ministro?

Maria Consuelo: É uma expectativa muito grande, mas com preocupação. Não que ele venha como forma positiva, até pela fala dele de colocar que você tem que obedecer ao que está na lei, sendo uma imposição, um espaço autoritário e não é democrático, com isso não podemos pensar em discutir com a sociedade se não forma através do diálogo. Não pode ser nada de forma impositiva. Nós percebemos que ele defende a educação como mercadoria, não defende uma educação para todos, plural que seja construída, fomentado no chão da escola.

Cada Minuto: O novo ministro disse que pretende punir com detenção os alunos que agredirem os professores e até responsabilizar os pais. Acredita que seja por esse o caminho para diminuir a violência nas salas de aulas?

Maria Consuelo: Em hipótese alguma! Não é com violência que se resolvem problemas de violência. Tem que ter políticas públicas, tem que saber qual a motivação dessa violência dentro do espaço da escola. Nós sabemos que a escola sempre foi um espaço onde nos sentíamos resguardados, tranquilos para o trabalho e hoje sentimos esse terror e esse medo, mas não é por aí que conseguimos vencer esse debate. Essa questão de punir, temos que observar outro viés, temos que cultivar a cultura da paz dentro da escola. O que leva um aluno a cometer uma tragédia como aquela de Suzano. Outras motivações tiveram e precisaram analisar todo o cenário. Não é armando as pessoas, como alguns do governo disseram, que se os professores tivessem armados naquele dia aquele fato não teria acontecido, não é verdadeiro. Nós defendemos a cultura da paz e é de muita preocupação e de muitas reflexões esse incentivo da cultura da violência que a cada dia toma corpo em nosso país. Infelizmente é de muita preocupação para nos educadores, até porque outros fatos como esse já vêm surgindo em outros estados e municípios e ficamos a mercê dessa violência da população, pois temos alunos que estão ressocializando dentro das salas de aulas, alunos apenados, mas é preciso que tenha políticas de uma equipe multidisciplinar que acompanhe, pois nós somos apenas professores e não podemos dar conta de todas as mazelas da sociedade.   O governo deve fazer uma leitura maior e ter uma equipe que acompanhe esses alunos ressocializados, o que nós não somos contra, mas temos que avaliar esse aluno e saber o seu histórico.

Cada Minuto:  Qual a realidade alagoana sobre essa questão da violência nas escolas?

Maria Conseulo: Nós recebemos muito poucas denúncias das escolas, mas sabemos que elas acontecem dentro do espaço escolar e que as pessoas se sentem amedrontadas de fazer as denuncias para não serem perseguidas por esses alunos ou pessoas bem maiores, que estão por traz deles. Então uma série de elementos que fazem com que as pessoas não denunciem. Agora recentemente, uma educadora nos colocou um fato, que nos preocupou bastante, de que um aluno apenado fazendo uma atividade dentro da escola, terminou o ano letivo e depois ele voltou para cobrar o período que passou na escola, mas ele foi encaminhado pelo Estado. E aí é que dizemos que o governo nos impõe determinadas tarefas, mas não oferece condições para que possamos administrar.

Fonte: Cada Minuto

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