AlagoasSLIDE

Passeio pela antiga Alagoas Boreal

18 de maio de 2019 | 10:53 | Cidades da Região Norte eram assim denominadas, onde foram implantados os primeiros engenhos de açúcar

 Fortim Bass (Foto: Maurício Silva)

Alagoas Boreal é como era chamada a região do norte de Alagoas, que começou com a bandeira capitaneada por Cristóvão Lins, entre 1575 e 1585, expedição responsável pela expulsão dos potiguares da região, escravizando aqueles que foram capturados vivos. O território chegou a compreender os atuais municípios de Maragogi, Japaratinga, Jundiá, Jacuípe, Porto Calvo, Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres, Passo de Camaragibe, Matriz de Camaragibe, Colônia Leopoldina e São Luís do Quitunde.

Nesta região foram implantados os primeiros engenhos de açúcar, entre os quais se destacam os engenhos de Escurial e Buenos Aires.

Essa série especial da Tribuna Independente vai percorrer todas as cidades da Alagoas Boreal. E tudo começa no município de Porto Calvo. A histórica cidade da região Norte é considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) a maior referência do Período Holandês no Brasil. De acordo com o escritor Dirceu Lindoso, foi na Terra de Calabar que teve início a formação da Alagoas Boreal.

Pensar no dia 16 de setembro de 1817 (data da Emancipação Política de Alagoas) é voltar primeiramente a Alagoas Boreal (Alagoas do Norte) em 1575 quando a coroa portuguesa doou as terras a Cristóvão Lins. A ele é atribuída à fundação de Porto Calvo. No outro lado, na Alagoas Meridional, formou-se a região de Penedo.

Sob o domínio Ibérico, Porto Calvo passou a ter grandes características estruturais lusitanas. De acordo com Lindoso, o nome Porto Calvo é em referência há uma região em Portugal denominada Porto Calvo e que tinha características estruturais e climáticas parecidos com a Alagoas Boreal.

Conforme historiadores, essa era uma das formas dos brasileiros (profissão dos portugueses que vinham trabalhar no Brasil) se sentirem mais perto da terra natal.

Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), um dos nomes mais polêmicos da história de Brasil, nasceu em Porto Calvo. Personagem central do domínio holandês no século 17 na região de Alagoas Boreal que compreendia terras desde o Cabo de Santo Agostinho até próximo a Barra de Santo Antônio. O militar portocalvense mudou do lado português para o holandês e foi taxado na história como traidor.

EMBOSCADA

Calabar foi capturado em 22 de julho de 1635 numa emboscada no fortim (Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação), que por um período passou a ser templo protestante sob o domínio holandês.

Em seguida Calabar seguiu para o Alto da Forca para ser morto, enforcado, esquartejado e taxado como traidor, teve os restos mortais espalhados pelas ruas e ladeiras do povoado.

Foi nesse período holandês que Alagoas Boreal passou a ser palco sangrento de guerras envolvendo portugueses, holandeses e nativos. Grandes fortificações militares aconteceram em Porto Calvo. A cidade foi palco das grandes batalhas de Mata Redonda e Comandatuba.

Fortim holandês e igreja portuguesa são preciosidades

O Fortim Bass, descoberto na Ilha do Guedes, no meio do Rio Manguaba, é o principal legado deixado pelos holandeses durante a época conhecida como Alagoas Boreal, no século XVII, durante as guerras entre holandeses e portugueses pela posse da região.

Sua  construção tem 40 metros de largura e 40 de comprimento e segundo os arqueólogos era usada para defender uma região de um ataque inimigo.

O monumento tem um fosso duplo que era um obstáculo pra dificultar a locomoção do invasor.

A restauração do forte em terra na Ilha do Guedes, em Porto Calvo, começou em 2017 pelo Iphan com arqueólogos da Arqueolog Pesquisas e foi entregue no último dia 15 para ser administrado pelo município de Porto Calvo.

De acordo com o estudo, o reduto é um provável acampamento de Johannes Lichthard, um almirante neerlandês, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, no século 17.

Já a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, a matriz de Porto Calvo, é um maravilhoso templo concluído em 1610, como exibe a data em seu frontispício, e também é tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

GUERRAS SANGRENTAS

Foi testemunha das guerras sangrentas entre os exércitos portugueses e espanhóis contra os invasores holandeses. O seu acervo histórico já pertenceu ao efetivo religioso da diocese de São Salvador (BA), fundada em 1551 e passou a ter sede administrativa na Diocese de Olinda (PE), em 1676.

Com a criação da Diocese das Alagoas, em 1900, passou a integrar o patrimônio religioso da atual Arquidiocese de Maceió.  Primeira freguesia de Alagoas, com data de fundação de 1580, Porto Calvo nasceu com égide de Nossa Senhora da Apresentação.

Fonte: Tribuna Hoje

 

 

 

 

 

 

 

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