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Cassação de Cunha deve contar com apoio de bancada alagoana

Por Alagoas Brasil Noticias

Acusado de quebra de decoro, parlamentar pode perder mandato após julgamento de pares

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A novela sobre a cassação do mandato do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) continua se arrastando na Câmara dos Deputados. O passo mais importante até agora foi dado com a aprovação do relatório do Conselho de Ética, por 11 votos a 9, no dia 14 de junho. Mas ainda é preciso ser aprovado em plenário por pelo menos 257 dos 513 deputados.

O presidente da Câmara afastado do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal, desde 5 de maio, continua tentando atrasar a tramitação deste processo que já é o mais longo da história do Conselho de Ética. Há oito meses, fruto de uma representação feita pelo PSOL contra o presidente da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar por ter mentido durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou irregularidades na Petrobrás, Cunha se vale de manobras para protelar uma condenação que cada vez mais parece irreversível.

Os deputados aguardam que o processo chegue ao plenário da Casa para ser apreciado, não há garantias sobre quando isso ocorrerá. Depois da derrota no Conselho de Ética, Eduardo Cunha apelou para a Comissão de Constituição e Justiça, visando a nulidade total do processo ou, pelo menos, a parcial, refazendo todos os procedimentos desde o ato que ele pede para invalidar, no caso a escolha do relator.

O apelo à CCJ, que foi presidida pelo deputado alagoano Arthur Lira (PP), com o apoio de Cunha, e que hoje é presidida por outro partidário de Cunha, Osmar Serraglio (PMDB), é mais uma das tentativas protelatórias de Cunha, mas não são as únicas. Os festejos juninos são responsáveis pelo esvaziamento das sessões ordinárias na Câmara dos Deputados nas duas últimas semanas, bem como das reuniões nas comissões especiais, o que contribui para que o processo se arraste ainda mais. O CadaMinuto Press pretende antecipar como votará a bancada alagoana.

Arthur Lira

Um dos mais leais defensores de Cunha tem sido o deputado alagoano Arthur Lira (PP). Apesar de nenhuma declaração oficial neste sentido, o apoio de Lira a Cunha pode refletir o apoio deste ao primeiro quando de sua disputa à presidência da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante comissão da Câmara dos Deputados.

À reportagem a assessoria de Lira informou que o deputado não falaria sobre o assunto. No entanto, a imprensa nacional, bem como os bastidores da Câmara dos Deputados, apontam

que a indicação do parlamentar alagoano para a CCJ da Câmara surgiu depois que o PP integrou o bloco partidário que apoiou Eduardo Cunha na briga contra o petista Arlindo Chinaglia (PT) para a presidência da Casa. Vitorioso, Cunha compensou o partido com dois dos espaços mais cobiçados do organograma da Casa: além da presidência da CCJ, a primeira vice-presidência da Câmara. O posto caberia a um peemedebista. Mas Cunha decidiu cedê-lo ao PP – Waldir Maranhão foi o escolhido –, sob a condição de que na CCJ o indicado fosse Arthur Lira.

O alagoano, que já respondeu a processo por agredir a ex-mulher, responde a oito processos por envolvimento em esquema de fraudes e desvios de R$ 302 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas e a dois processos criminais por coação e ameaça. Pela Operação Taturana, Lira foi denunciado, preso, processado, julgado e condenado como um dos líderes do esquema. A ameaça teria se dado contra o então procurador-geral de Justiça de Alagoas, Coaracy Fonseca, responsável pela denúncia da “Taturana”.

A evolução patrimonial do deputado federal foi um dos temas do jornalista de O Globo, Chico de Góis, em seu livro “Os Ben$ que os políticos fazem”. A obra relata a evolução patrimonial do alagoano após 14 anos e três mandatos (dois de deputado estadual e um de federal). Segundo Góis, Arthur Lira tinha um patrimônio de R$ 79 mil, de acordo com sua declaração de Imposto de Renda de 1996, e em 2010, a fortuna ultrapassou os R$ 2 milhões.

Mais recentemente, a Operação Lava Jato trouxe à tona esquema de desvio e lavagem de dinheiro da Petrobras, implicando o deputado Arthur Lira, entre outros parlamentares. O deputado teria ligação com o doleiro Alberto Youssef, que até seria o responsável pela indicação do ex-presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Francisco Colombo.

JHC: uma fotografia que ainda rende problemas, mas seu voto é contra Cunha

O deputado João Henrique Caldas (PSB), que este ano é pré-candidato à Prefeitura de Maceió, ressalta que foi o único deputado alagoano que declarou antecipadamente seu posicionamento quanto à cassação de Eduardo Cunha. JHC disse à reportagem que o clima de campanha tem feito oposicionistas agirem de forma infantilizada ao usar fotografia para criticar relação com o então presidente da Câmara dos Deputados.

“O que dizem é uma coisa meio infantil, como se fosse possível eu ser amigo de infância dele, o que não faz nenhum sentido. Um comentário extremamente infantil”, disse o deputado alagoano que ainda explicou que a fotografia foi tirada em visita oficial à Presidência da Casa, quando ocupada por Cunha, “à luz do dia”, sob o testemunho de outras pessoas, sem uso de subterfúgios.

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