Home NotíciasEsportes Indiana foi perseguida por sua roupa e simboliza luta das mulheres no país

Indiana foi perseguida por sua roupa e simboliza luta das mulheres no país

Por Alagoas Brasil Noticias

Se você perguntar a um indiano se é mais fácil a nação ganhar campeonatos mundiais masculino de críquete na sequência ou surgir no país uma mulher que se destaque em um esporte de elite como o tênis, é bem possível que algo próximo a 100% opte pela primeira escolha.

Por toda a dificuldade de um dos países mais populosos do mundo e com desempenho medíocre em provas olímpicas, sobretudo entre as mulheres, a tenista Sania Mirza conseguiu feitos que 1,2 bilhão de indianos raramente poderiam acreditar. Disputa no Rio sua terceira Olimpíada seguida. E mais: já figurou entre as 30 melhores do mundo do tênis em simples e já foi a melhor do planeta em duplas. Já são mais de R$ 20 milhões em prêmios na carreira, e atual número 2 do ranking mundial de duplas.

Mas o alto poderio financeiro que tem e os vários títulos que conquistou (já levou os quatro Grand Slams em duplas) não são suficientes. Ela tem anseios que ultrapassam o próprio sucesso profissional: quer desenvolver o esporte feminino do país, que tem números pífios tanto em resultados internacionais como praticantes.CASA

Em recente evento em Mumbai, sua terra natal, Sania causou polêmica ao dizer: “Para vermos mais mulheres indianas no esporte, precisamos mudar a cultura do país. O governo precisa se engajar. Muitas das controvérsias em que me vi metida durante minha carreira ocorreram exclusivamente porque sou mulher e indiana”.

De fato, há uma cultura arraigada de preconceito contra mulheres na Índia. Em diversos vilarejos e até em grandes cidades, existe a ideia de que mulheres devem abortar quando descobrem que estão grávidas de meninas. Muitas fogem da casa do marido para poder dar à luz a uma criança do sexo feminino. Em Déli, a capital, por exemplo, muitas mulheres circulam sozinha pelas ruas apenas de dia, para evitar o risco de ser estuprada. Notícias de estupro coletivo são frequentes nos jornais e programas de TV. Muitos táxis são obrigados a usar adesivos com os dizeres: “Este táxi respeita a mulher”, para atender ao público feminino.

Antes dos Jogos do Rio-2016, a Nike lançou uma campanha publicitária em ritmo de hip hop em que simbolizava a conquista do direito da mulher indiana de praticar esportes livre de perigos e ameaças. Em menos de um mês, o vídeo alcançou mais de três milhões de visualizações no YouTube. Sania Mirza não participa da campanha porque é patrocinada pela Adidas.

Seu engajamento na questão feminina e no desenvolvimento do esporte no país a fizeram receber uma honraria da ONU: foi denominada Embaixadora da Boa Vontade para o Sul da Ásia, sendo a primeira mulher a receber este posto.

Vida particular criticada

Mirza é realmente do tipo que gosta de lutar pelos direitos. Ela é muçulmana, religião com poucos praticantes em seu país. Por seu estilo ocidental, é constantemente criticada pelas minorias de religião islâmica dentro da Índia.

Entre as principais queixas, estão as roupas que usa para jogar tênis, como tops e saias. Ensaios fotográficos que já realizou em sua midiática vida no país também são alvo dos fundamentalistas. Líderes indianos da religião cobravam que ela usasse túnicas e lenço na cabeça e abdicasse dos tradicionais trajes utilizados por tenistas. Mirza sempre recusou mudar a roupa e alegava ter outros hábitos muçulmanos que não poderiam fazer sua crença ser questionada.

Jornais locais já noticiaram que Mirza teve que andar com seguranças durante um tempo com medo de ameaças radicais. É casada com um jogador de críquete do Paquistão, Shoaib Malik , que também é muçulmano. Questionada sobre o polêmico assunto de sua religião, a indiana diz que não há mais o que dizer sobre isso.

No Rio-2016, ela fará dupla com Prarthana Thombare, no feminino, e estreia no sábado, 6, contra as chinesas Shuai Zang e Shuai Peng. Nas duplas mistas, ela formará par com Rohan Boppana. Até entrar em quadra para o primeiro jogo, tem curtido cada momento de mais uma edição de Jogos.

“Tudo está sendo muito bom, muito empolgante. É a minha primeira vez no Rio e a terceira Olimpíada que disputo. Gostei da daqui, é um mix de temperatura amena, às vezes quente. É uma temperatura parecida com a da Índia. Estou gostando de tudo isso agora, aproveitando e não vejo a hora de a competição ter início”.

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