Home NotíciasPolicia Vanessa Alcântara sobre sua prisão: ‘Armaram para mim’

Vanessa Alcântara sobre sua prisão: ‘Armaram para mim’

Por Alagoas Brasil Noticias

Vanessa Alcântara está livre desde segunda, 8, e se diz uma nova pessoa, transformada pela experiência de quatro meses atrás das grades. “Estava com saudades de usar faca depois desse tempo só comendo de colher e também desaprendi a usar salto”, diz ela, que se equilibrava nos sapatos para posar com exclusividade para o EGO e dar sua primeira entrevista desde que foi solta. O encontro aconteceu na manhã desta quarta-feira, 10, no Parque da Juventude, onde no passado funcionou a antiga Casa de Detenção de São Paulo, na Zona Norte.

Acusada de agredir uma escrivã e de porte de drogas, Vanessa foi solta depois que o desembargador Moreira da Silva, da 13º Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu um habeas corpus na última sexta, 5, desconsiderando que a decisão da juíza Daniella Aparecida Soriano Ucelli, de Valinhos. Agora, Vanessa vai responder ao processo em liberdade.

“Minha expectativa é que fique provado que não cometi crime, mas, caso seja condenada, que não seja no regime fechado”, diz ela, que se emocionou em vários momentos da entadfrevista, relembrou sua tentativa de suicídio dentro da cadeia e negou que tenha se tornado amiga de Anna Carolina Jatobá e Suzane von Richthofen, com quem conviveu na cela.

“Estou em choque ainda. Foi muito difícil passar por tudo isso, sabia que poderia ter retaliação por causa da minha denúncia contra meu ex (o auditor Luis Alexandre Magalhães, acusado da máfia do Imposto sobre Serviços, o ISS, em 2013). Acredito que minha prisão tenha a ver com a denúncia, sim. Sempre teve mágoa e rancor. Diretamente ele nunca ameaçou, mas através de redes sociais sim, várias vezes”.

“Tentei me matar com um lençol”

Vanessa passou p
or quatro prisões diferentes, inclusive a famosa Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. “Lá me colocaram numa cela com isolamento, como se fosse uma solitária, que estava cheia de baratas. Tinha um cheiro de esgoto e de frutas podres. Foi a pior parte. Usei um lençol e tentei suicídio. Eu não estava entendendo por que tanta coisa ruim estava me acontecendo. Ali comecei a pensar que tinha acabado o exemplo que eu tinha para dar para meus filhos (ela tem dois meninos, de 3 e 7 anos). Eu via presas lá há 15 anos sem esperança de sair e estavam pesando tanto, dizendo que eu era um monstro, que eu achava que não ia mais sair”.

“Sentia dor de frio”

Acostumada a ostentar bolsas e sapatos de grife na época em que era casada com Luis, Vanessa conta que o mais difícil na prisão foi se acostumar com a comida e os banhos frios em pleno inverno. “O frio era horrível. Passei muito frio, tinha momentos que eu achei que nã
o ia aguentar. Dormia em um colchão de espuma no chão e só tinha um cobertor fino. Sentia dor de frio. E a comida é muito simples, muito inferior ao que estava acostumada. Era um pouco de arroz sem tempero nem nada, feijão e uma mistura, que era salsicha ou linguiça. É o sistema, é o que o Governo dá, né? Pedi para comer salada com arroz. No começo eu emagreci muito porque não comia e depois inchei muito. Fiquei deitada e sentada quatro meses, então fiquei inchada. A comida foi um grande problema. Depois que tive visita do meu pai, ele me trazia bolachas. Uma vez deu briga na cela por causa de chocolate”, relembra.

Vaidosa, Vanessa se viu sem nem sequer um batom no início. “Você tem de se despir completamente da vai
dade lá dentro. Eu não tinha nada antes da família levar, é tudo muito precário. Isso foi difícil, sou vaidosa. Mas aí é que você dá valor. Eu já estava numa fase mais tranquila antes de ser presa, já levava uma vida mais simples e sem luxos, mas dai a ficar sem nada é ir do luxo ao lixo. Essa transição brusca faz a gente sofrer. Você sofre pelo que já teve”. Vanessa diz ter sido assediada por outras presas. “Existe muito isso, as meninas assediam, falavam que estava com cheiro de rua, e queriam beijar, namorar, mas nada se concretizou, era só verbal”.

“Armaram para mim”

Vanessa também relembrou o momento em que foi presa. “Eu fui em uma delegacia para fazer o BO (Boletim de Ocorrência) de praxe porque bateram na minha moto, aí o delegado me orientou a ir na Delegacia da Mulher. Chegando lá me prenderam em questão de segundos, foi muito arbitrário. Fui presa dentro de uma delegacia, os cinco envolvidos no BO são policiais e não tive defesa, não tive chance de chamar. Na hora saquei que tinha armado para mim. Acredito que ali dentro da delegacia, não sei se o Luis, mas alguma coisa tinha. Perdi o chão, não sabia como me defender porque policial é quem você chama para te defender. Tomaram meu celular e não pude nem chamar advogado. Is
so não é normal”, diz ela. “Com tudo o que acontece no Brasil e eu presa? Falaram que eu surtei na delegacia e que saí rasgando tudo, mas isso não aconteceu. Eu posso ter uma personalidade forte, de decisão, mas não sou agressiva, do mal”.

“Foi uma injustiça”

Vanessa agora vai responder em liberdade ao processo. “Estou confiante de que para a cadeia eu não volto. Só Deus para dizer se serei inocentada, mas não vou perder a esperança nunca. A Justiça é falha, mas tem homens bons, Deus vê mais do que os homens. Estou com a consciência tranquila, sei que foi uma injustiça o que aconteceu”.

“Ainda choro mu
ito”

Vanessa se diz uma nova pessoa depois da experiência. “Eu saí de lá diferente, a transformação interior é enorme. Quero paz, sei que sou inocente. A paz que eu tenho agora é outra. Sentar num parque, olhar a natureza, estar com a minha família, meu pai, que mesmo doente foi me ver e passou pelo constrangimento da revista íntima. Como que você não sairia outra pessoa tendo gente que me apoiou por perto? Ainda choro muito. Minha prioridade agora é outra, está muito cedo para falar quais são, mas eu sou uma outra pessoa. Quando eu saí da prisão e subi a rampa, foi a maior alegria, queria comer pizza, macarrão e beber uma Coca Cola. É muito bom estar livre”.

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