Home Ciência e Tecnologia Procura por cursos tecnológicos cresce em Alagoas como alternativa de emprego

Procura por cursos tecnológicos cresce em Alagoas como alternativa de emprego

Por Alagoas Brasil Noticias

Apenas em uma instituição em Alagoas, quase 4 mil pessoas se matricularam no período de cinco anos.

201608120929_fae350fca3

A cada dia, o mercado de trabalho se afunila e exige dos profissionais maior qualificação em menos tempo. E por que não falar em cursos tecnológicos que vêm atraindo inúmeros estudantes em Alagoas? Somente na Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), nos últimos cinco anos, quase 4 mil estudantes procuraram a formação tecnológica. Os cursos oferecidos são Radiologia, Processos Gerenciais, Sistemas Biomédicos e Análise e Desenvolvimento de Sistemas. 

A reportagem esteve na instituição e conversou com a pró-reitora de Ensino e Graduação, Valquíria de Lima. Ela explicou que um curso tecnológico é de graduação (nível superior), possuindo validade nacional. A diferença deste para o bacharelado e licenciatura é o tempo e o foco das aulas, mas ambos são graduações. São cursos voltados a atender a expectativa do mercado de trabalho, com tempo de duração de dois a três anos no máximo. A cada ano, são ofertadas 60 vagas, sendo 30 no primeiro semestre e outros 30 no segundo. Todos são gratuitos e funcionam à noite. 

“A gente sente o mercado pela procura, ou seja, na medida em que os estudantes questionam sobre determinado curso, dialogamos com colegas de outras áreas, bem como analistas de mercado. Aqui na Uncisal, os cursos tecnológicos existem há dez anos e, atualmente, contamos com Radiologia, Processos Gerenciais, Sistemas Biomédicos e Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Absorvemos estudantes que já têm uma formação e que querem se especializar e outros que só têm o Ensino Médio, quando a permanência no trabalho desempenhado depende de uma formação superior”, explicou a pró-reitora, acrescentando que o curso mais concorrido é Radiologia devido ao grau de empregabilidade. 

Valquíria citou que, nos anos de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, o número de matriculados nos quatro cursos chegou a 3.879, sendo 800 alunos em Processos Gerenciais, 1.206 em Radiologia, 891 em Sistemas Biomédicos e 982 em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. O número de concluintes, no entanto, mostra-se bem abaixo devido a alguns fatores, como trabalho, problemas de saúde, mudança de endereço ou por não se afinarem com o curso. 

Pró-reitora explica sobre novos cursos tecnológicos 

FOTO: JOBISON BARROS

Outro ponto elencado pela pró-reitora é a diferença entre cursos tecnológicos, bacharelado e licenciatura, e cursos técnicos. “Nos dois primeiros, temos o perfil das aulas e a carga-horária, que os diferencia, porque ambos são graduações. Por outro lado, os cursos técnicos são de nível médio, com outra profundidade de estudo e tempo”. 

Na visão do coordenador do curso de Radiologia, professor Gustavo Henrique, o percentual de empregabilidade poderia ser maior, pois se observa que – dentre as primeiras turmas que se formaram nos cursos tecnológicos na Universidade, em 2010, – o índice ficou em torno de cinquenta por cento. “Porém, tivemos uma queda nesse percentual nos últimos anos, e pensamos que esta pode ter sido reflexo da crise econômico-financeira pela qual o país tem passado, incluído nessa crise o nosso estado de Alagoas. Hoje em dia, observamos um percentual de empregabilidade em torno de trinta por cento”, explica Gustavo. 

Gustavo comenta que o ingresso em um curso superior de tecnologia se dá – em regra – por meio do vestibular. Tendo a disponibilidade de vagas, os candidatos ao curso também podem concorrer no processo de Transferência interna, reopção e equivalência. A concorrência até o ano de 2012 para os quatro cursos ofertados ficava numa média de três candidatos por vaga e esse número tem diminuído nos últimos anos, “talvez como reflexo da diminuição da empregabilidade”. 

Desativação 

Pedagoga aponta vantagens dos cursos tecnológicos 

FOTO: JOBISON BARROS

De acordo com a pedagoga da Uncisal Ana Paula Moura, o principal fator para a continuidade ou fechamento do curso é o perfil do mercado de trabalho. Em Alagoas, há exigência de profissionais em outras áreas. Portanto, desde o ano passado, o setor responsável pelos cursos tecnológicos iniciou o processo de desativação, substituindo os atuais pelos seguintes cursos: Sistemas para internet, Tecnologia em Alimentos e Segurança do Trabalho. Radiologia, porém, permanece ativado devido às exigências do mercado. A previsão é de que as novas formações já entrem no vestibular deste ano, após aprovação do Conselho Superior da instituição. 

“Não temos uma avaliação concreta sobre o mercado alagoano, mas percebemos – ao longo desses dez anos – uma oscilação. Apesar disso, a procura sempre é grande, seja aqui ou em outras instituições. É um ramo de estudo e trabalho que tem facilitado a vida de muitos profissionais, trazendo-lhes segurança profissional em menos tempo devido ao cenário mercadológico e à exigência familiar”, destacou a pedagoga. 

Na corrida pelo emprego

Almir Reys cursa Radiologia 

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A Gazetaweb conversou com Almir Reys Neto, que cursa Radiologia. Segundo ele, os motivos que o levaram a escolher o curso foram questão financeira, mudança de vida, baixa carga-horária, uma graduação e proximidade geográfica. 

“Como ainda faltam dois estágios para conclusão, eu não sei como o mercado me receberá, mas é um mercado amplo, caso você possua especialização em alguma área específica. Nossa área é mais abrangente que realização de exames, podendo gerenciar equipe de profissionais de Radiologia e outros campos dentro da área de saúde”, comenta Almir, citando que pretende fazer uma especialização, além de prestar concursos públicos. 

Almir dá conselhos para quem pensa em fazer um curso tecnológico. Segundo ele, não basta fazer um curso de graduação. “Não seja apenas um no mercado, não se contente com a graduação. Se o mercado já está ruim para quem está na área com Mestrado, Doutorado, entre outros, imagina para quem é apenas mais um; as chances e probabilidades são resumidas. Existem áreas carentes de bons profissionais e áreas que não são conhecidas, como Radiologia Industrial, onde há possibilidade de inclusão maior, de quem prefere a hospitalar, por exemplo”, reforçou Almir. 

Aula inaugural atrai atenção de alunos na Uncisal

Facebook Comments

você pode gostar

Deixe um Comentário