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Cerca de 700 vagas temporárias vão suprir demanda do comércio e varejo de Maceió

Por Alagoas Brasil Noticias

Perspectiva para o fim do ano é de um acréscimo de 500 trabalhadores em relação a 2015

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O ano vai chegando ao fim e a previsão de vagas temporárias para o comércio e varejo de Maceió é otimista em relação ao ano passado. A perspectiva é de cerca de 700 vagas até dezembro, 500 a mais do que em 2015, quando a crise econômica assolou o país, afetando o empresariado. De cada 10 empresas, duas farão contratação temporária, segundo dados apresentados pela Aliança Comercial. 

Em entrevista à Gazetaweb, o presidente da Aliança, Guido Júnior, disse que o comércio encontra-se bastante esperançoso, não em relação a anos anteriores, mas em comparação ao ano passado. Desde o início de 2016, há um ordenamento econômico, levando em consideração um aumento de 8% no número de vendas do mês de junho até agora. A perspectiva para dezembro é de 3% a mais no faturamento em relação ao mesmo período de 2015.  

Questionado sobre o número de pontos comerciais fechados somente no Centro, o presidente comentou que são 42 de um total de 600. A situação se deve à crise econômica, à organização da rede comercial e a incidentes, como incêndios ocorridos no ano passado. 

“Apesar de todos esses fatores, temos que considerar que o quantitativo é pequeno se comparado ao número de lojas que possuímos. Começamos a comemorar porque a economia do país vai se estabilizando aos poucos e o comércio tende a se reestruturar. Só no centro da cidade, o fluxo de pessoas, diariamente, oscila de oito a 10 mil, seja para comprar ou simplesmente a passeio”, comentou Guido Júnior. 

O empresário salientou que a volta de uma estabilidade econômica reorganiza o comércio com seus funcionários fixos, estoque de produtos e a própria estrutura física da loja. Com esses fatores, o final do ano – período recheado de campanhas promocionais (Natal Premiado, por exemplo) – e a circulação do 13º salário, o comerciante poderá contar com um número maior de contratos temporários e, se possível, conseguir absorver alguns funcionários a depender do perfil e desenvoltura no trabalho realizado. 

Guido Júnior se mostra otimista quanto ao cenário econômico

A previsão da Aliança é de que 700 pessoas sejam contratadas de forma temporária em 2 de cada 10 empresas do comércio e varejo da capital até o fim do ano. Do total de vagas, a perspectiva é de que 2% a 5% dos trabalhadores sejam absorvidos. Em 2015, somente 200 foram admitidos de maneira temporária. O prazo máximo de um contrato desse tipo chega a noventa dias, deve ser respeitada a jornada de oito horas, além do recolhimento de encargos trabalhistas. “Há mais de quatro anos, Maceió abrange emprego temporário, com grande destaque para o comércio de sapatos e vestuários”, reforçou o presidente. 

Trabalho positivo 

A reportagem também conversou com a economista Luciana Caetano, que reforçou a explicação de que a pessoa que atua temporariamente exerce um trabalho, mas com prazo de desligamento previsto em contrato. Em sua visão, é algo bastante positivo porque é uma experiência que contribui com o histórico de formação do trabalhador e com a chance de efetivação. No entanto, há frustração de o vínculo empregatício ser de tempo tão curto, “o que gera uma descontinuidade de renda com efeitos sobre a massa salarial e o consumo”. 

“Final de ano sempre há contratação para trabalho temporário porque há uma movimentação maior do comércio em função do 13º salário e do período de férias escolares. O setor de serviço também é contemplado com uma parte dessa renda extra, a exemplo de serviços relacionados à estética, viagens, bares, restaurantes, pousadas, hotéis etc.”, disse a economista. 

Apesar da visão otimista apresentada pelo presidente da Aliança sobre a situação econômica nacional, Luciana Caetano diz que o país permanece no mesmo clima de estagnação e as expectativas refletem a instabilidade política que contamina o cenário econômico. 

Para a consultora de Recursos Humanos (RH), Jacqueline Fragoso, com a redução do quadro funcional de algumas empresas no ano de 2015, as vagas vão suprir o enxugamento. Em sua visão, a exigência para o ingresso do candidato à vaga temporária precisa ser a mesma do candidato para o emprego fixo. 

“Boa apresentação e um currículo bem elaborado podem dar mais visibilidade ao candidato, porém, preparar-se para uma entrevista ainda é a melhor opção. O candidato deve pesquisar informações sobre a empresa e, principalmente, demonstrar disponibilidade e facilidade para trabalhar em equipe. Não existe um critério específico para contratação de temporários, mas o que observamos é se o candidato tem a mesma empolgação como se a vaga fosse de um efetivo. Quando o profissional desenvolve um trabalho espetacular, logicamente vai ser notado e o empenho será valorizado com a efetivação”, comentou a consultora. 

Comércio vai iniciar temporada de promoções de fim de ano

Comércio 

A reportagem foi até o calçadão do comércio, onde conversou com um gerente de uma loja de roupas e um proprietário de uma loja de calçados. Para ambos, foram admitidos trabalhadores de forma temporária e com a possibilidade de serem absorvidos. 

Segundo o empresário Heraldo Souza Guimarães, durante a crise – ainda no ano passado -, foram demitidos até os funcionários efetivos. Porém, a realidade deve mudar neste ano, com a readmissão de alguns temporários. 

“Duas a quatro pessoas poderão conquistar a vaga de forma permanente. Eu mesmo não gosto de emprego temporário. Se a pessoa realmente desempenhou um trabalho considerável na loja, por que não ficar?”, comentou Heraldo. 

A visão otimista também é de um gerente de uma loja de roupas de cama, mesa e banho. Ele não quis se identificar, mas concedeu entrevista, citando que 21 pessoas foram contratadas temporariamente. “No ano passado, apenas dez foram chamadas para ocupar as vagas. Com o acréscimo dos temporários, a expectativa é de que haja aumento de 20% nas vendas em relação ao ano passado”, explicou o gerente. 

Jonathan Paes, de 21 anos, começou a trabalhar no comércio de forma temporária nesta semana. Ele confessou que já teve a oportunidade de trabalhar de forma efetiva, mas “não soube aproveitar”. Agora, diz estar decidido e mais comprometido com a função de vendedor. “Tomei consciência dos meus erros, e agora, sei o que quero. Vou fazer de tudo para conquistar o emprego”. 

“É uma oportunidade sem igual porque você adquire experiência naquilo que gosta. Além disso, a forma de tratar o cliente é tudo. Se ele volta é porque gostou da loja e do atendimento. Estou há três semanas aqui e pretendo ficar”, disse outro funcionário, que preferiu manter a identidade em sigilo. 

A equipe também foi em busca de uma funcionária que ingressou no emprego temporário e conseguiu se fixar devido à competência demonstrada. Ela também dispensou identificação. “Entrei no final de setembro e conquistei a tão sonhada vaga. Foi um período de muita experiência, mesmo em meio à crise. Continuo fazendo o meu trabalho com dedicação e incentivando meus colegas”, afirmou a funcionária. 

Ramo de sapatos é um dos que lidera ranking de contratação temporária

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