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‘Não desejo isso para ninguém’, diz Calero sobre pressão de Geddel

Por Alagoas Brasil Noticias

“Não desejo isso pra ninguém estar diante de uma pressão politica diante de um caso claro de corrupção.

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Em entrevista coletiva na tarde deste sábado (19), o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, reafirmou que o motivo principal de sua saída da Esplanada dos Ministérios foi a pressão que sofreu do titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador no qual ele tinha comprado um apartamento. Calero pediu demissão do Ministério da Cultura nesta sexta-feira (18) e será substituído pelo deputado Roberto Freire (PPS-SP).

“Não desejo isso pra ninguém estar diante de uma pressão politica diante de um caso claro de corrupção. Venho aqui de cabeça erguida e peito aberto. Desde o primeiro momento eu fui muito claro que nada fora do script, roteiro, iria acontecer. Nem que isso custasse eu sair do ministério. Tenho uma responsabilidade com as pessoas em nome de um projeto”, contou o ex-ministro.

Calero reafirmou que acredita que os interesses pessoais não poderiam ultrapassar a questão da construção de um prédio em uma área histórica de Salvador. Ele considerou a postura de Geddel Vieira Lima como um descolamento da realidade.

“É um mundo à parte. Esse cara é louco, esse cara é maluco. Parece que muitas vezes essa classe tem um descolamento totalmente alheia à situação das pessoas”, destacou Marcelo Calero.

Calero agradeceu a postura da presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a historiadora Kátia Bogéa. Ele explicou que o presidente Michel Temer foi informado da questão, mas preferiu sair porque viu “que as coisas não se sustentariam”.

Marcelo Calero comentou com jornalistas sobre sua saída do Minc (Foto: Nicolás Satriano/ G1)
Marcelo Calero comentou com jornalistas sobre sua saída do Minc (Foto: Nicolás Satriano/ G1)

À Rede Bahia, afiliada da TV Globo, Geddel negou ter feito pressão sobre o ex-colega para tentar desembargar a obra na capital baiana (leia a versão do ministro da Secretaria de Governo ao final desta reportagem).

Na entrevista publicada na edição deste sábado (19) da “Folha”, Marcelo Calero relatou que passou a ser pressionado pelo colega de ministério logo depois de assumir o comando da Cultura, em maio. Um dos ministros mais próximos ao presidente Michel Temer, Geddel é presidente do PMDB na Bahia e tem influência na política local.

“Ele [Geddel] pede minha interferência para que isso acontecesse, não só por conta da segurança jurídica, mas também porque ele tem um apartamento naquele empreendimento. Ele disse: “E aí, como é que eu fico nessa história?”, contou Calero ao jornal, relatando conversa que teria tido com o ministro da Secretaria de Governo.

O empreendimento imobiliário, segundo Calero, foi embargado pela direção nacional do órgão em razão de estar localizado em uma área tombada como patrimônio cultural da União, sujeito a regramento especial. Os construtores, afirmou o ex-ministro à publicação, pretendem erguer um prédio com 30 andares, mas o Iphan autorizou a construção de, no máximo, 13 andares.

Embora a sede nacional do Iphan tenha barrado a construção, relatou Calero, a superintendência regional do órgão na Bahia elaborou um parecer técnico liberando a obra. O ex-ministro ressaltou ao jornal que tinha informações de que a direção da superintendência baiana do Iphan foram indicados por Geddel.

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