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PROTESTO HOSTILIZA USINEIROS POR CALOTE MILIONARIO EM ALAGOAS

Por Alagoas Brasil Noticias

PRODUTORES COBRAM R$ 250 MI POR CANA VENDIDA A USINAS ALAGOANAS

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‘CANSEI DE SER ROUBADO’

Irritados com o desrespeito do setor sucroenergético de Alagoas, fornecedores de cana do Movimento União Rural de Alagoas (Mural) protestaram na manhã desta segunda-feira (21), em Maceió, contra o calote de usineiros no pagamento de cerca de R$ 250 milhões pela cana fornecida há mais de três anos. A manifestação dos usineiros seguiu pelas ruas do Jaraguá até a sede do Sindicato e da Cooperativa dos Usineiros de Alagoas, cuja entrada foi bloqueada por aproximadamente seis toneladas de cana.

A manifestação denominada “Cansei de ser roubado” levou às ruas a cobrança pelo fim do que chamam de massacre financeiro contra a classe e as 300 mil pessoas que vêm sendo afetadas de forma direta e indireta pelo calote dos usineiros.

Produtores se revezaram em discursos contundentes contra os usineiros que não pagam suas dívidas. E trataram como “cooperativa de bandidos” as instituições que representam os usineiros: a Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA) e o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL).

O Mural afirma que, caso não haja sinalização de pagamento até o final desta semana, as próximas manifestações iram bloquear as entradas das usinas.

Assista:

Problema social

Dos 7,4 mil produtores de cana alagoanos, 90% são pequenos fornecedores. Com as dificuldades financeiras, aliadas à sequência de estiagens, várias famílias estão vendendo suas terras para pagar empréstimos, enquanto as usinas recebem o que produzem antecipadamente e não pagam aos fornecedores.

No início deste mês de novembro, o Mural se irritou com a iniciativa do Sindaçúcar-AL de publicar nota em que afirma haver dez das 19 usinas com débitos “quitados” junto aos seus fornecedores. O movimento desmentiu parte fundamental da a informação: a suposta quitação representou 3% da dívida.

Nesta segunda, integrantes do Mural reconheceram e parabenizaram apenas as usinas Serra Grande, a Coopervale-Uruba e Coruripe, por honrar seus compromissos e respeitar fornecedores, pagando as safras regularmente.

Outro lado

Os usineiros não se manifestaram após o protesto de hoje. Mas, na nota do início do mês, criticada pelo movimento, o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, afirmou que, nesta safra, a moagem está entrando na normalidade com mais unidades operando. “Além disso, os preço do etanol e do açúcar estão melhores neste início de safra em comparação ao ciclo anterior”, argumenta.

Os usineiros citam como “salvação da lavoura” em meio à crise cairá literalmente do céu, com a regularidade das chuvas e a obtenção do empréstimo internacional de 500 milhões de dólares, negociado entre as usinas nordestinas e um banco suíço.

Devido à previsão do protesto, não houve expediente na Cooperativa e no Sindicato dos Usineiros.

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