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CPI do Futebol pede indiciamento de Gustavo Feijó, Marin, Del Nero e mais seis

Por Alagoas Brasil Noticias

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O relatório paralelo da CPI do Futebol no Senado, apresentado nessa quarta (23) em Brasília, caiu como uma bomba para a CBF. Vários de seus dirigentes, incluindo o presidente Marco Polo Del Nero, são acusados pela CPI como autores de vários crimes.

O presidente da comissão, senador Romário (PSB-RJ), vai pedir ao Ministério Público Federal o indiciamento de Del Nero e de mais três representantes do alto escalão da CBF. São eles: os vices Gustavo Feijó e Marcus Vicente, que é deputado federal, e o diretor jurídico Carlos Eugênio Lopes.

Teriam também cometidos diversos crimes, segundo o relatório lido pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), os ex-presidentes da confederação, Ricardo Teixeira e José Maria Marin, o ex-diretor financeiro da entidade, Antonio Osório, e os empresários José Hawilla e Kleber Leite.

“Buscamos desvendar a organização criminosa que se apossou do futebol brasileiro e temos material suficiente, comprobatório, das falcatruas cometidas por dirigentes da CBF e seus comparsas. Foi um esquema criminoso montado por uma quadrilha que tomou de assalto o futebol brasileiro nas últimas décadas”, disse Randolfe Rodrigues, que subscreveu o relatório paralelo com Romário.

Pouco antes da apresentação resumida desse relatório, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) leu um resumo do relatório oficial, no qual não havia nenhuma referência a eventuais crimes cometidos por dirigentes da CBF. Jucá, relator da CPI, compõe a chamada bancada da bola, formada por parlamentares que defendem no Congresso os interesses da CBF.

Veja abaixo as acusações que constam do relatório dos senadores Romário e Randolfe Rodrigues.

RICARDO TEIXEIRA – Ex-presidente da CBF 
Estelionato; crime contra a ordem tributária; crime contra o Sistema Financeiro Nacional; lavagem de dinheiro, organização criminosa; crime eleitoral, considerando o seu envolvimento nas infrações penais listadas nos capítulos referentes ao caso FIFA; e ao financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela CBF (caixa 2).

JOSÉ MARIA MARIN – Ex-presidente da CBF (preso nos EUA) 
Estelionato; crime contra a ordem tributária; crime contra o Sistema Financeiro Nacional; lavagem de dinheiro; organização criminosa; falsidade ideológica, considerando o seu envolvimento nas infrações penais listadas nos capítulos referentes à compra da sede da CBF; ao caso FIFA; e ao acordo fraudulento juntado no Superior Tribunal de Justiça – STJ.

MARCO POLO DEL NERO – Presidente da CBF 
Estelionato; crime contra a ordem tributária; crime contra o Sistema Financeiro Nacional; lavagem de dinheiro; organização criminosa; crime eleitoral, considerando o seu envolvimento nas infrações penais listadas nos capítulos referentes à compra da sede da CBF; ao caso FIFA; e ao financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela CBF (caixa 2).

GUSTAVO DANTAS FEIJÓ – Prefeito de Boca da Mata (AL) 
Crime eleitoral, considerando o seu envolvimento nos ilícitos penais listados no capítulo referente ao financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela CBF (caixa 2).

ANTONIO OSÓRIO RIBEIRO LOPES DA COSTA – Ex-diretor financeiro 
Estelionato; crime eleitoral, considerando o seu envolvimento nas infrações penais relacionadas nos capítulos referentes à compra da sede da CBF; e ao financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela CBF (caixa 2).

MARCUS ANTONIO VICENTE – Deputado federal (PP-ES) 
Falsidade ideológica, considerando o seu envolvimento no ilícito penal apontado no capítulo referente ao acordo fraudulento juntado no Superior Tribunal de Justiça – STJ, ressalvada prerrogativa constitucional prevista no art. 102, inciso I, alínea b, da Constituição Federal de 1988.

JOSÉ HAWILLA – Empresário (preso nos EUA) 
Estelionato; crime contra a ordem tributária; crime contra o Sistema Financeiro Nacional; lavagem de dinheiro organização criminosa, considerando o seu envolvimento nos ilícitos penais listados no capítulo referente ao caso FIFA.

KLEBER FONSECA DE SOUZA LEITE – Empresário 
Estelionato; crime contra a ordem tributária; crime contra o Sistema Financeiro Nacional; lavagem de dinheiro; organização criminosa, considerando o seu envolvimento nos ilícitos penais listados no capítulo referente ao caso FIFA.

CARLOS EUGÊNIO LOPES – Advogado da CBF 
Falsidade ideológica, considerando o seu envolvimento no ilícito penal apontado no capítulo referente ao acordo fraudulento juntado no Superior Tribunal de Justiça – STJ.

Só responderam aos contatos da reportagem o deputado Marcus Antônio Vicente e o empresário Kleber Fonseca.

O deputado refutou as acusações contidas contra ele no relatório paralelo da CPI do Futebol no Senado. Disse que elas são equivocadas e infundadas. Referia-se a uma polêmica envolvendo seu nome, então como presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo, em que supostamente teria costurado um acordo entre a CBF e a Desportiva Ferroviária, no qual o clube capixaba desistia de uma ação judicial milionária datada de 2004.

A ação, no caso, era movida pelo clube-empresa Desportiva Capixaba, que gerenciava o futebol do clube. O acordo foi feito sem o consentimento dos demais acionistas do clube-empresa e considerado inválido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Em 2013, porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) extinguiu a ação.

Kleber Fonseca, em seu blog, comentou parte do relatório paralelo da CPI do Futebol do Senado. Contestou o registro de que não prestou depoimento na comissão por ter sido barrado pelo grupo político ligado aos interesse da CBF. Disse que isso se tratava de uma “mentira deslavada”. E reforçou a posição de que está pronto “para prestar qualquer tipo de esclarecimento a quem quer que seja, a qualquer hora e em qualquer lugar”. Kleber Leite, no entanto, não fez nenhuma referência às acusações, que constam do relatório, de que teria cometido vários crimes.

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