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EM ÁUDIO, EX-PRESIDENTE DA ALE DIZ QUE DEPUTADO JHC CHEFIAVA MÃE

Por Alagoas Brasil Noticias
JHC NUNCA PROCESSOU FERNANDO TOLEDO POR EXPOR QUE CHEFIOU MÃE
ABN – 23 de janeiro de 2017 – Atualizado às 16:01
ALÉM DA MÃE, FERNANDO TOLEDO DIZ QUE JHC TINHA PAI LOTADO EM SEU GABINETE DA ASSEMBLEIA, RECEBENDO SALÁRIO DE R$ 9 MIL E MORANDO EM BRASÍLIA (FOTOS: TCE-AL/DAGOBERTO SILVA)

Três anos antes de o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB-AL), decidir levar à Justiça Eleitoral uma notícia crime contra um jornalista que publicou certidão pública atestando que o político chefiou a própria mãe em seu gabinete de deputado estadual, em 2013, o então presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), Fernando Toledo, já confirmava publicamente a veracidade da informação sobre a lotação de Eudócia Caldas no gabinete de seu filho.

Em entrevista gravada em junho de 2013, o ex-presidente da ALE confirmou que a mãe de JHC estava lotada no gabinete do filho na Assembleia de Alagoas, quando foi questionado sobre o assunto pelo jornalista Davi Soares, que hoje atua no Diário do Poder, e foi acusado de crime de falsificação do documento público e falsidade ideológica pelo deputado federal por divulgar o fato, em clara tentativa de intimidação à imprensa.

O áudio com a declaração de Fernando Toledo foi publicado no blog pessoal do jornalista, Sonar Alagoas, e repercutiu amplamente à época na imprensa alagoana e nacional. Ainda assim, JHC não deu ao então presidente agora conselheiro de Contas de Alagoas, nem ao mesmo jornalista, o tratamento que deu quando o caso voltou a ser divulgado por Davi Soares, em agosto de 2016, durante a campanha eleitoral de JHC a prefeito de Maceió, quando outros veículos da imprensa nacional trataram do assunto e não incomodaram o parlamentar.

Na entrevista, Toledo afirma que o pai de JHC, o ex-deputado federal João Caldas, também esteve lotado no gabinete do filho, junto com a mãe. Alvo de denúncias de JHC à época, sob a acusação de desviar de R$ 4,7 milhões da Assembleia, Toledo ameaçava demitir o casal, se os servidores não deixassem de morar em Brasília e voltassem a trabalhar, batendo ponto, do qual estariam dispensados devido à lotação no gabinete do filho.

Ouça:

CONTRADIÇÃO

No intervalo da sessão plenária do dia 25 de junho de 2013, deputados ouviram Toledo ser pressionado por JHC a não retirar seus pais do gabinete: “Não use minha família como arma contra mim! Ou você muda ou vou destruir você e a Mesa da Assembleia!”, foi a ameaça que deputados ouviram JHC fazer ao presidente da Assembleia. “Agora, eles vão ter que bater ponto, para poder receber! Vou colocá-los no setor financeiro”, foi a resposta de Toledo, no bate-boca.

Dois dias depois, Toledo deu a seguinte declaração quando questionado por Davi Soares sobre o embate com JHC: “Nós tivemos a informação, que não é descabida, de que os dois servidores, que são servidores efetivos da Casa, que estavam… Estão até agora… Estavam até pouco tempo, no gabinete do deputado e estão morando em Brasília. Inclusive com cargo de médica em Brasília, a mãe dele. Então, não podemos ter… Como é que pode ser isso? O servidor ganhando aqui no teto, quase; no limite. E está morando em Brasília, e ele pregando os rios de moralidade. Então vai trabalhar. Se não vier, falta, falta e falta. Se não comparecerem nem justificarem as faltas, serão demitidos. É só porque moralidade a gente cobra com moralidade. Vocês falam tanto em moralidade. Bote isso em letras garrafais”, disse Toledo, à época, irritado e dizendo ser vítima de “safadeza” com relação às denúncias de JHC.

Assim como tem fé pública a certidão publicada pelo Diário do Poder, assinada pelo então diretor-geral da ALE Luciano Suruagy do Amaral Filho em outubro de 2013, a declaração de Fernando Toledo tem veracidade presumida e assim foi tratada pelo jornalista. Luciano Amaral também é alvo de notícia crime e confirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), na última quarta-feira (18), ser sua a assinatura no documento e ser verdadeira a informação sobre a lotação da mãe de JHC.

O jornalista Davi Soares depôs à Polícia Federal no último dia 17 e entregou, voluntariamente, ao delegado federal Alexandre Brabo, o áudio de Fernando Toledo, outro de Luciano Amaral, e a cópia autenticada da certidão que confirmam a lotação de Eudócia Caldas no gabinete de JHC.

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