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Congresso dos EUA vota reforma de saúde, o primeiro obstáculo de Trump

Por Alagoas Brasil Noticias

 

 

A câmara de Representantes dos Estados Unidos decide nesta sexta-feira (24) o destino da proposta de reforma do seguro de saúde, em uma votação que pode ser o primeiro grande revés para o presidente Donald Trump.

O plano de reforma do sistema de saúde de Trump já sofreu um pequeno baque na noite de quinta-feira (23), quando a oposição dentro do seu próprio Partido Republicano forçou o adiamento, para esta sexta-feira, da votação do polêmico projeto no Congresso.

Trump reagiu dando um ultimato aos legisladores republicanos, reunidos no Capitólio, para que aprovem nesta sexta a derrogação e a substituição do Obamacare de qualquer modo. “Desastroso Obamacare provocou mais custos e menos opções. Isto só vai piorar! Devemos derrotá-lo e substituí-lo. Aprovem a lei!”, escreveu Trump no Twitter oficial da Casa Branca.

A Casa Branca rebateu as insinuações de que Trump teria falhado em fechar um acordo para reformar o sistema de saúde americano, alegando que o atraso desta votação crucial não significa um problema substancial.

Entenda o que está em jogo

  • Criada em 2010, a lei conhecida como Obamacare ampliou o acesso universal à saúde, mas aumentou os preços de planos para quem não recebe assistência do governo.
  • A lei tem várias regras, como a proibição de que planos de saúde aumentem preços com base no histórico do paciente ou negem cobertura a doentes graves.
  • Em troca, o Obamacare exige que todo americano ou estrangeiro que vive nos EUA tenha um plano de saúde.
  • Trump considera o Obamacare muito caro e coercitivo. Derrubar a lei e substituí-la foi uma promessa de campanha.
  • Uma nova lei a ser proposta pelos republicanos ainda não está definida (todos os pontos serão apresentados nesta sexta), mas ela deve manter subsídios do governo a alguns setores da população, mas os montantes serão menores. E a reforma deve tirar a multa a quem não tiver plano de saúde.
  • Setores mais conservadores do partido republicano não aceitam nenhum tipo de subsídio, por isso, o resultado da votação é incerto.
  • Estima-se que o atual plano republicano deve deixar 14 milhões sem seguro saúde em um ano.
 

“Continuo me opondo a essa lei. Acredito que é pior que o Obamacare”, disse nesta quinta-feira à imprensa o legislador republicano Thomas Massie. Outro republicano, Mike Lee, parecia não ter dúvidas: “A votação fracassará”.

Um legislador republicano considerado moderado, Charlie Dent, também adiantou que votaria contra a lei.

Neste contexto, Trump convocou nesta quinta-feira uma reunião de emergência na Casa Branca com líderes republicanos, para tentar encontrar uma posição comum e evitar a derrota do projeto.

“Não há votos suficientes” para que o projeto seja aprovado, disse o legislador Mark Meadow, representante do Freedom Caucus, o grupo mais conservador, após a reunião.

Meadow afirmou que as negociações continuariam “de boa fé”, embora tenha previsto um fracasso do projeto se não houver concessões de todas as partes envolvidas.

Em uma mensagem no Twitter, Trump fez um apelo aos seus eleitores: “Contatem seus legisladores e lhes digam que vocês apoiam a lei”.

Alerta de Obama

Neste cenário de incerteza, o ex-presidente Obama rompeu o silêncio. Em uma nota oficial emitida na quinta-feira pelo sétimo aniversário da aprovação da lei conhecida como Obamacare, fez uma clara advertência.

Como será a votação

Uma votação preliminar acontece às 10h (11h Brasília) desta sexta-feira, antes da votação decisiva, durante a tarde. Um funcionário da Casa Branca disse que a votação será “pela manhã para evitar que se vote às 3h da madrugada”.

“Pensamos que isso deve ser feito à luz do dia, não às altas horas da noite, e estamos confiantes de que o projeto de lei vai passar.”

O legislador Kevin McCarthy, líder republicano na Câmara de Representantes, admitiu que o bloco governista ainda não tem os votos necessários para aprovar o projeto. “Penso que precisamos de mais um par (de votos) para conseguir isto, mas o presidente fez grandes progressos”, disse McCarthy.

Trump enfrenta uma verdadeira prova de fogo no Congresso, onde espera evitar a reprovação de sua polêmica reforma do Obamacare.

“Vamos eliminar o Obamacare” e “Obamacare é um completo desastre” foram duas das frases mais repetidas por Trump durante a campanha eleitoral, mas agora seu governo terá de convencer seus aliados republicanos que controlam o Congresso a aprovar outra lei no lugar desta.

Duas correntes

A oposição dos democratas, que defendem com unhas e dentes a continuidade do Obamacare, já era esperada, mas o partido dificilmente poderá mudar o rumo da discussão, visto que é minoria nas duas câmaras.

Por isso, o principal problema do novo presidente é conseguir uma aparentemente difícil unidade do Partido Republicano em torno ao seu projeto de reforma, para cumprir a sua promessa de passar a página do Obamacare. Trump precisa do voto da maioria dos 435 congressistas.

Em linhas gerais, a bancada republicada está dividida em duas correntes. A primeira, a mais alinhada com Trump, considera que o plano é o que o país precisa para superar o modelo Obamacare.

Uma segunda corrente, mais ortodoxa, se opõe ao projeto por considerar que este não é conservador o suficiente e que mantém aspectos importantes do Obamacare.

Cautela e resistência

No meio, uma parte importante dos legisladores republicanos adota um discurso de cautela, alegando que estudos indicam que a nova lei poderia deixar 14 milhões de pessoas sem nenhuma cobertura médica, um cenário que consideram explosivo para as próximas eleições legislativas parciais, em 2018.

“Deveríamos partir do ponto de que qualquer mudança no nosso sistema de saúde deve ser para melhorá-lo, e não para torná-lo pior para milhões de trabalhadores americanos”, afirmou Obama.

“Depois de um século de discussões, décadas de tentativas e um ano de debate partidário, nossa geração teve êxito. Finalmente declaramos que nos Estados Unidos a assistência médica não é um privilégio para poucos, mas um direito de todos”, apontou.

E em várias oportunidades, Obama insistiu em que era necessário “continuar construindo a partir dessa legislação”.

 

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