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Problemas alimentares e suas consequências

Por ABN - ALAGOAS BRASIL NOTICIAS

Publicado Por Carlos Alberto – Texto Valdenice Guimarães – 02|11|17. Fotos: Ilustrações.

O homem primitivo vivia em um ambiente hostil e não possuía recursos de alimentos tão
disponíveis como temos atualmente. Portanto, sempre que esse homem tinha chance de
comer, especialmente doces e alimentos calóricos, ele comia o máximo que podia para
acumular energia no organismo.

À época primitiva existiam longos períodos de privações e de escassez de alimentos, e
essas épocas eram frequentes. Quando o organismo associou prazer ao consumo de
alimentos hipercalóricos houve uma garantia maior para a sobrevivência do sujeito. Nesse
sentido, quem comia mais tinha maior chance de sobreviver.

Em sociedades primitivas os excessos não eram sinais de destruição, porque os momentos
de escassez impediam esses exageros. A realidade ambiental mudou e o organismo continua funcionando de modo primitivo.

O comportamento alimentar é considerado adequado, quando ele supre o organismo de
nutrientes necessários para a manutenção das funções vitais do indivíduo. Quando, quer pelo exagero, quer pelo déficit, a alimentação não atende essas funções vitais, temos
comportamentos-problemas que nomeamos como transtornos alimentares.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5, os
transtornos alimentares são caracterizados por uma persistente perturbação na rotina
alimentar, isto é, alteração de comportamentos relacionados à alimentação que resulta na
alteração do consumo ou na absorção de alimentos, e que prejudica de forma relevante a
saúde física ou o funcionamento psicológico da pessoa.

Entre os transtornos alimentares elencados por esse manual, são descritos o transtorno da compulsão alimentar, a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Nesse texto, a ideia não é falar especificamente desses transtornos citados anteriormente, mas enfatizar o quanto uma alimentação inadequada, ou o descontrole alimentar, trazem prejuízos ao organismo.

De acordo com Burrhus Frederic Skinner, a compreensão do comportamento alimentar pode ocorrer, assim como a de qualquer outra classe de comportamento, a partir da identificação do quanto o alimento é reforçador. Destarte, o alimento pode ser considerado um reforçador primário, isto é, um estímulo que é reforçado sem necessariamente haver uma aprendizagem anterior.

Skinner afirma que o comportamento alimentar é uma resposta controlada por meio do
sistema biológico, todavia, altamente influenciado pelas contingências ambientais. Sendo
assim, podemos entender que a compulsão alimentar se denomina por comportamentos
inadequados na ação exagerada de comer que culminará em sobrepeso. A longo prazo, esse excesso de peso trará enormes prejuízos orgânicos.

O ser humano busca o prazer o tempo todo, e a alimentação é uma poderosa fonte de
prazer. Comer aciona áreas cerebrais de recompensa, e a tendência é que esse
comportamento se repita, e dificilmente o sujeito avalia os prejuízos a longo prazo.
A sociedade moderna busca o prazer imediato.

Sabendo disso, a indústria alimentícia se especializa cada vez mais em produzir alimentos que são prazerosos e gostosos, mas que são pouco nutritivos. A mídia valida esse processo, porém, há uma dicotomia pela mesma ao fazer campanhas reforçando a busca pelo corpo perfeito ou por um padrão único de beleza, quando faz campanhas publicitárias ofertando alimentos com pouco valor nutricional.

O que está acontecendo nessa mudança comportamental da população estimulada por
essas indústrias é que, muitas vezes, as reservas calóricas no organismo terminam
prejudicando a sobrevivência do sujeito muito mais do que garantido essa sobrevivência.
Algumas pessoas, por terem um repertório comportamental limitado, se deixam afetar com
maior ênfase.

A Psicologia busca empoderar essas pessoas, auxiliando-as no controle de
comportamentos-problema, como os transtornos alimentares e a obesidade, diante de tantas ofertas do mercado. Em suma, esses processamentos de modificação de comportamentos relacionados à alimentação devem ser revistos quando os dados indicarem prejuízos ao organismo, para isso é necessário a instalação e manutenção de um novo estilo de vida, saudável .

Valdenice Barboza Guimarães
Historiadora
Psicóloga Clínica Comportamental
Membro fundadora do Instituto de Análise do Comportamento – IAC
Pós-graduada em Teorias e Técnicas Comportamentais: Educação, Pesquisa e Terapia.

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