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Eleição pode afetar expansão do setor elétrico, mas não os contratos, diz investidor

Por Alagoas Brasil Noticias

O mais recente leilão de linhas de transmissão de energia, realizado no fim de junho, terminou com um grupo de cerca de 30 indianos aos gritos de “hexa”, em comemoração dos seis lotes arrematados, dos 20 leiloados no certame.

Esses lotes, que vão demandar ao menos R$ 3,64 bilhões de investimentos, se somaram a outros três projetos conquistados em 2017 pela empresa indiana Sterlite Power.

Ao todo, serão ao menos R$ 7 bilhões de investimentos no país para construir e operar as linhas de transmissão.

Esse é apenas o começo, segundo Pratik Agarwal, presidente global da companhia.

Para ele, o Brasil vai demandar investimentos em linhas de transmissão ao menos pelos próximos dez anos.

Essa perspectiva de longo prazo foi um dos fatores que atraíram o interesse dos indianos, que ofereceram lances agressivos no último leilão, com deságios de até 60%.

Quanto maior o deságio, mais barata é a tarifa para o consumidor.

O plano da empresa é investir US$ 4 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 15 bilhões) na América Latina pelos próximos três ou quatro anos.

PERGUNTA – O Brasil é o primeiro país em que vocês investem fora da Índia. Quando começou esse interesse?

PRATIK AGARWAL – Temos estudado o mercado brasileiro há pelo menos cinco anos e assistimos a seus altos e baixos, com europeus entrando e saindo.

Decidimos, no fim de 2016, que o mercado estava pronto e que nós estávamos prontos para sair da Índia.

O Brasil tem um modelo interessante de construir linhas de transmissão por meio de concessões.

Acho que nenhum outro país do mundo usou capital privado dessa forma. O país está à frente nesse modelo.

P. – E por que o Brasil?

PA – Em qualquer país que analisamos observamos três fatores principais.

Primeiro, se ele tem uma regulação forte.

Segundo, se há volume disponível no mercado. O Brasil é um país grande e muito provavelmente vai precisar de novos investimentos em linhas de transmissão ao menos pelos próxim os dez anos.

Em terceiro, a disponibilidade de um ecossistema local de parceiros e empresas de engenharia.

Esse sistema é muito rico no Brasil, se desenvolveu por um longo período, e, principalmente agora, com uma baixa demanda no setor de infraestrutura, muitas dessas empresas estão buscando o setor de energia.

P. – Historicamente, o Brasil tem problemas de judicialização e influência política no setor elétrico. Isso é uma preocupação?

PA – Acho que, em geral, a Índia e países asiáticos têm um maior apetite para a incerteza do que muitos países ocidentais.

O Brasil tem muitas disputas e incerteza política. Mas não acreditamos que algum governo já tenha renegociado contratos já firmados.

Em relação a incertezas ambientais, é parte do mercado de transmissão em todo o mundo. São riscos que sabemos administrar.

P. – Como enxergam a incerteza quanto ao cenário eleitoral?

PA – A eleição pode afetar a expansão do setor, mas não os contratos existentes.

A verdade é que não acreditamos que [o resultado] vá afetar [o crescimento do setor], porque o impacto das mudanças hidrológicas no Brasil tem levado a uma nova composição da matriz energética [com a entrada de mais usinas de energia renovável], e essa mudança vai demandar novos investimentos em transmissão.

P. – Nos últimos anos, muitos chineses entraram no setor de energia brasileiro e temos visto outros indianos dando lances nos leilões de energia. A Índia será a próxima China no país?

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PA – A Índia e a China são países bem diferentes.

A Índia tem uma economia mais aberta desde 1991, com muitas empresas privadas no setor de infraestrutura, como nós. A China tem muitas estatais no setor de energia. É difícil dizer.

Não acredito que as empresas indianas farão um investimento tão extenso no Brasil como a China fez, porque, na Índia, quem faz essas escolhas não é o governo, e sim companhias, que avaliam os investimentos não por motivos geopolíticos.

No entanto, há muito interesse. Acredito que diversas empresas indianas têm propostas atraentes no Brasil, em novos setores como fintechs [startups financeiras], farmacêuticas, e até mesmo setores mais duros, como mercado imobiliário e infraestrutura.

São países com taxas de crescimento semelhantes, geologias parecidas, e os indianos têm uma maior abertura à incerteza brasileira.

P. – Quais são os próximos planos da Sterlite no Brasil? Há projetos de atuar em outros setores?

PA – A Sterlite Power é focada em transmissão de energia. Por enquanto, vamos focar esse setor.

Enquanto o Brasil tiver desafios em transmissão, vamos participar dos leilões.

Não precisamos necessariamente entrar com uma percentagem alta em qualquer leilão. Não somos dirigidos por volume de projetos.

Em relação aos altos deságios [do último leilão], há diversos motivos para essas altas taxas.

Projetos que tiveram 70% de deságio podem ser mais rentáveis do que outros, que tiveram deságio de 30%.

Mas, se, nos futuros leilões, tivermos uma percepção de que está havendo muita euforia no mercado e que as pessoas estão dando preços inviáveis, vamos ser menos agressivos nos lances, sentar, esperar e apenas terminar os projetos que já temos.

P. – Qual a estrutura da Sterlite no país atualmente?

PA – Nossa filosofia é descentralizada. Acreditamos que os brasileiros são as melhores pessoas para gerir projetos em um país como o Brasil.

Já temos 44 funcionários e chegaremos a 80 até o fim deste ano. Temos um escritório em São Paulo e em breve vamos anunciar um presidente para a subsidiária local.

Há planos de aquisições no Brasil? Não estamos buscando, mas estamos abertos. Haverá boas oportunidades.

Fonte: Folhapress
 

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