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Em busca de oportunidades no mercado de trabalho, jovens criam o próprio negócio

Por Alagoas Brasil Noticias

Auriane Senna decidiu abrir uma loja de rações | Foto: Rayssa CavalcanteDiante do atual cenário econômico brasileiro, não é incomum jovens estarem passando por muitas dificuldades para entrar ou permanecer no mercado de trabalho. De acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alagoas é o terceiro estado com a pior taxa de desemprego, com 17,1%, sendo 1.185 desocupados na faixa etária de 18 a 24 anos. 

Os dados consideram os três primeiros trimestres de 2018, no entanto, a dificuldade em conseguir o primeiro emprego não está apenas atrelada a crise econômica e as turbulências políticas que atingem o país. A experiência e as competências técnicas  exigidas por algumas empresas também acabam dificultando o caminho de quem quer entrar no mercado de trabalho. 

Com a falta de oportunidades, muitos jovens decidiram inverter a ordem e criar seu próprio negócio. Cansados de depender de alguém para contratá-los, eles saíram às ruas e montaram suas empresas. 

É o caso de Auriane Senna Cavalcante, que foi demitida em dezembro de 2017. Em busca da independência, desde abril de 2018, Auriane resolveu apostar no seu próprio negócio e abriu uma loja de rações. “Eu queria crescer para mim, pois nunca gostei de depender de ninguém. Se tivesse vontade de comprar alguma coisa, eu não queria ter que pedir a alguém, gostaria de comprar com o fruto do meu esforço”.

A jovem relembra que o segmento de rações não era a primeira opção, mas decidiu apostar por ser um ramo conhecido da família. “No início pensava em confecções, mas essa área cresceu muito, principalmente aqui em Maceió. Você consegue encontrar roupas muito baratas e, para mim, não seria mais uma boa opção. Então, como meu pai já trabalha há anos no ramo das rações, eu pensei em complementar e variar”. 

Auriane conta que já trabalhou em diversos lugares e recorda que nunca tinha passado um longo período desempregada. Quando saiu do último trabalho, uma loja de roupas femininas, sem conseguir uma nova oportunidade, decidiu investir no próprio negócio. “Comecei a economizar e, com o apoio do meu pai, consegui abrir a minha empresa”.

Auriane Senna contou que pretende abrir filiais da empresa no futuro | Foto: Rayssa Cavalcante

Entre os maiores desafios estava a insegurança. “O maior obstáculo veio do lado emocional. Não sabia se ia dar certo, se estava sendo precipitada. Mas, graças a Deus está indo tudo bem e aos poucos vou crescendo”, disse. Ainda de acordo com a jovem, para dar o ponta pé inicial, ela buscou apoio e informações. 

O primeiro passo foi o cadastro no programa Microempreendedor Individual (MEI). Criado em 2008, ele visa formalizar pequenos empreendedores, que passam a ter um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e acesso a benefícios previdenciários.Para participar do programa, a pessoa não pode participar de nenhuma outra empresa e ter ao menos um funcionário que receba um salário mínimo ou o piso da categoria. Além disso, o faturamento anual não pode ultrapassar o valor de R$ 81 mil. Atualmente, Alagoas concentra 168.258 micro e pequenas empresas com registros ativos na Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal).

Assim, o segundo passo para Auriane foi pensar nos produtos que iriam compor o estabelecimento. “Me cadastrei no MEI e ele gerou todos os dados que a empresa precisava. Depois percebi que precisava ter paciência, pensar em todos os detalhes do estabelecimento e nos produtos que serão oferecidos. Existem produtos que você ainda não conhece. Eu estudei vários deles”, explicou.

A jovem deixa um alerta para quem quer investir no seu próprio negócio. “Quem que abrir uma empresa, não pode gastar todo o dinheiro que entrar no caixa. É preciso investir pra depois pensar em usufruir de forma saudável”.

Quando o assunto é expandir, a microempresária revela que pretende obter outras conquistas com o passar dos anos. “Eu penso em crescer e abrir franquias. Também quero me formar em medicina veterinária, que é uma área que gostei bastante, pois gosto muito de animais. Estou muito animada e ansiosa ao mesmo tempo”, revelou. 

Após cerca de sete meses, Auriane não esconde o sentimento de satisfação ao se tornar a chefe de si mesma. “É muito bom ser a minha própria chefe. É algo que requer muita paciência e dedicação. No início nada é fácil. Estar a frente de uma empresa também traz preocupações, gastos e contas. Fora tudo isso, eu não recebo cobranças, além das que vêm de mim mesma. Tenho mais tempo de me cuidar e liberdade de criar. Enfim, estou curtindo muito ser minha própria chefe”.

O primeiro emprego

Sthefane Senna viu no pequeno negócio benefícios para a saúde física e mental | Foto: Rayssa Cavalcante

Formada em Gastronomia desde 2015 e sem conseguir emprego na área, Sthefane Cavalcante, de 24 anos, decidiu aproveitar o espaço na frente da casa onde mora para montar seu próprio negócio. Com três semanas de atuação, a jovem já confessa que o empreendimento está apenas começando. 

“Eu amo cozinhar e sou apaixonada por tudo que permeia a área, por isso escolhi esse segmento. Me formei em 2015 e, até o momento, não consegui trabalhar como chefe. Agora estou ‘correndo’ atrás disso”.

Para a jovem, além do benefício financeiro, o pequeno negócio está contribuindo com a saúde física e mental. “Comecei por dinheiro, para pagar as contas, como todos fariam. Mas, uma das principais razões para tomar a decisão de criar a minha própria oportunidade, foi a depressão”. Enfrentado a doença, que afeta 11 milhões de brasileiros e mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, Sthefane relembra que a única coisa que sentia vontade de fazer era passar o dia na cama. 

Pequeno negócio “Doce Suspiro” existe há três semanas  | Foto: Rayssa Cavalcante

Com a loja de doces, ela destaca que já percebe uma transformação na sua rotina. “Tinha que acordar pra vida e não me acabar na doença. Hoje, mesmo com pouco tempo, já sinto a diferença quando consigo dormir no horário certo”, revelou. Ao longo dos três anos de formação e sem trabalho, Sthefane não desistiu de ingressar na área da gastronomia. Ela apostava em encomendas de bolos decorados, doces e salgados para manter a renda. Foi, então, que nasceu a ideia de montar uma barraca de doces na porta de casa. O micronegócio tem superado as expectativas e, ao ser questionada sobre uma possível expansão para os negócios, a gastrônoma é direta e responde que sim com um grande sorriso no rosto.

“Meu sonho é ter uma confeitaria. Por enquanto, eu penso mais na minha realidade, como abrir uma lanchonete. E, depois, chegar na minha confeitaria. Vou começar por baixo, vendendo brigadeiro, tortelete, pudim, mousse e fazendo meus bolos. Espero conquistar muito ainda”, disse.

Empreendedorismo nas redes sociais 

Emmanoeli Araújo acredita que o futuro aguarda muitas vitórias | Foto: Arquivo Pessoal

A estudante Emmanoeli Francisco da Silva, de 20 anos, também está entre os jovens que resolveram investir no próprio futuro e garantir uma renda. Em janeiro deste ano, ela decidiu transformar a venda informal de roupas em uma loja virtual. 

“Sempre gostei de moda e de me vestir bem. Então, queria vender peças de qualidade, confortáveis e que as pessoas se sentissem lindas ao vestir. Isso me deixa muito realizada comigo mesma. Sem contar que as pessoas sempre estão comprando roupas, então o investimento nesse segmento tem lucro”, disse.

A estudante relembra que vendia as roupas em casa, para um pequeno nicho de consumidoras. Agora, ela destaca que se sente realizada com a loja virtual. Para abrir a “Manunices Store”, foi preciso muito planejamento e enfrentar o medo, um dos maiores obstáculos. “Passei quase um ano planejando abrir a minha loja. Nesse ramo, tem alguns períodos que as vendas caem. Você tem que ter um negócio que gere resultados, eu tinha que juntar dinheiro para poder comprar as peças e outras coisas que eu ia precisar pra começar”.

Emmanoeli Silva contou que se sente realizada com a loja virtual “Manunices Store” | Foto: Reprodução

Para Emmanoeli entrar nesse segmento da moda ainda pode ser difícil para quem está começando, mas a jovem contou que aposta na confiança com os clientes para aumentar as vendas. 

 

“É um pouco difícil para quem está começando. Porque já tem empresas grandes instaladas no mercado e que tem credibilidade. Para quem está no início, é preciso primeiro conquistar a confiança das pessoas. Como a minha loja é só virtual, às vezes isso fica ainda mais complicado. Alguns clientes têm receio de ser um golpe”, explicou. Assim como muitos que buscam a independência financeira, a jovem acredita que o futuro guarda muitas vitórias. 

“Sempre quis ter algo próprio e trabalhar para mim mesma. Ter o meu horário de funcionamento e criar meu próprio horário de trabalho, ter uma renda extra, escolher como vou trabalhar, é muito bom,trabalhoso, mas gratificante. Desejo muito crescer e conseguir montar minha loja física, podendo contratar funcionários e oferecer a oportunidade para outras pessoas”.

Fonte: Gazeta Web 

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