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Em acampamento improvisado no México, caravana vive clima de tensão

Por Alagoas Brasil Noticias

O café da manhã e o almoço estão incluídos, mas não contem com o jantar. O banheiro é fedorento, com chuveiros alagados ao ar livre. Cerca de 3.000 imigrantes, a maioria de Honduras, vivem há mais de uma semana em um acampamento improvisado num centro esportivo de Tijuana, cidade mexicana na fronteira com os EUA.

Barracas de camping ou feitas de cobertor servem de quartos. A vista parece provocação: atravessando a rodovia, está o gigantesco muro que pôs um fim à viagem de quase dois meses da caravana.

A imprensa circula livremente no acampamento. Os imigrantes entram e saem por um acesso separado e precisam mostrar uma pulseira laranja. O clima é de cansaço, espera e tensão. Eles querem asilo nos EUA, mas a falta de informações gera confusão.

“Dizem que só 10% vão conseguir. E se você pedir asilo e não ganhar, te mandam de volta a Honduras”, disse uma costureira de 32 anos, que deixou os três filhos para trás. O governo americano estava recebendo apenas cem solicitações de asilo por dia.

Na quarta-feira (21), no abrigo, um grupo de 20 homens discutia sobre deixar o local e seguir até a fronteira para pressionar as autoridades. “Se fosse para ir e fazer algo pacífico, eu iria”, contempla o mecânico hondurenho Ever Montes, 36.

Montes já começou a pensar em voltar a seu país. A cada dia mais gente chega ao acampamento sobrecarregado, e ele teme que a comida não vá durar muito. Uma organização local tem feito uma lista dos que desejam voltar e promete arcar com as despesas.

 

“Estão angustiados porque acharam que, uma vez em Tijuana, o processo de asilo nos EUA seria rápido”, disse o presidente do Conselho Estatal de Atenção ao Imigrante, Rodolfo Bojórquez, ao jornal local Frontera. “O número de pessoas querendo voltar deve crescer quando perceberem o quão difícil será.”

Voltar não é opção para o hondurenho Edgardo Garcia, 44. Ele veio com a mulher e três filhos. “Eu tinha casa própria, carro,minha mecânica e um restaurante. Estou jurado de morte pelas duas gangues de lá”, explicou à reportagem, acrescentando que não conseguia pagar o “imposto de guerra” exigido pelos criminosos.

Ao lado de um amigo sapateiro, Edgardo esperava informações sobre registro de trabalho em Tijuana. “Meu sonho é encontrar minha mãe e minha irmã na Carolina do Norte [EUA]”, disse, acrescentando que as duas entraram ilegalmente no país 20 anos atrás.

Enquanto crianças brincavam em um parquinho superlotado, homens cortavam o cabelo em uma barbearia improvisada ou jogavam cartas.

Na arquibancada, algumas pessoas dormiam, estendiam roupas para secar ou apenas observavam a bagunça, como o eletricista Robinson Sabillón, 25. Ele também gostaria de trabalhar, mas diz que tem medo dos mexicanos e dos cartéis de drogas. “Dizem que há muito sequestro aqui.”

No último fim de semana, centenas de moradores de Tijuana protestaram contra a chegada dos imigrantes. Houve briga e pedradas.

A duas quadras do centro esportivo, em uma feira de rua eram vendidos bugigangas, roupas e enfeites de Natal. A frequência aumentou nos últimos dias. “Vendi amendoins para os hondurenhos. Fiz um preço especial”, disse Louie Bugarin, 62. “São gente boa. Espero que arranjem trabalho logo. Ou então que voltem para suas casas.”

Fonte: Folhapress 

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