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Protestos reúnem milhares de pessoas em Paris sob cerco da polícia

Por Alagoas Brasil Noticias

Manifestantes na região da Champs Elysees, sob forte cerco da polícia, em Paris — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Milhares de manifestantes, chamados de “coletes amarelos”, fazem protesto pelas ruas de Paris neste sábado (8) pelo quarto final de semana consecutivo. Perto da Champs-Elysées, a polícia jogou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que enfrentaram a polícia gritando “Macron renúncia!”. Cerca de 700 pessoas foram detidas por todo o país, segundo a AFP.

A polícia, que delimitou as ruas por onde os manifestantes poderiam passar, jogou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os que haviam desobedecido a determinação, em ruas próximas à Champs-Elysées, perto do Arco do Triunfo. Há relatos de que as forças de segurança também usaram jatos de água quente contra os manifestantes.

Cerca de 700 pessoas haviam sido detidas até o último balanço divulgado por volta de 10h deste sábado, segundo o secretário de Estado de Interior, Laurent Núñez, em entrevista ao canal “France 2”.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, presidiu na manhã deste sábado uma reunião com os responsáveis de segurança no Ministério do Interior, entre eles o ministro da pasta, Christophe Castaner.

Manifestantes carregam a bandeira francesa com as datas que marcaram a história do país acrescentando 2018 por causa dos protestos contra o governo Macron durante manifestação na Champs Elysees, perto do Arco do Triunfo — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Manifestantes carregam a bandeira francesa com as datas que marcaram a história do país acrescentando 2018 por causa dos protestos contra o governo Macron durante manifestação na Champs Elysees, perto do Arco do Triunfo — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Os agentes antidistúrbios tentaram impedir os manifestantes de passar pela avenida Champs-Elysées a partir de um determinado ponto, perto do Palácio do Eliseu. Por isso, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar “coletes amarelos” que tentavam de entrar pela rua Arsène Houssaye, adjacente à Champs-Elysées.

 

No Twitter, imagens mostram um jato de água quente sendo atirado contra os manifestantes. O resgate da Cruz Vermelha relatou que a ação deixou feridos:

As autoridades contabilizavam mais de 30 mil manifestantes protestando em todo o país, sendo 8 mil na Champs-Elysées, praça da Bastilha e em Porte Maillot, perto do Palácio do Congresso, em Paris.

Pela primeira vez em mais de uma década, as forças da ordem em Paris contam com 12 blindados da Gendarmeria (uma das forças militares encarregada da segurança do Estado francês) que podem ser utilizados para atravessar barricadas.

A manifestação de sábado é a quarta de uma série de protestos que ocorreram no último fim de semana nos piores tumultos que a França testemunhou durante décadas, com a ira concentrada principalmente no desempenho do presidente francês, Emmanuel Macron.

“Temos que mudar a República”, disse uma manifestante à CNN. “As pessoas aqui estão famintas. Algumas pessoas ganham apenas 500 euros por mês que não dá para viver. Queremos que o presidente vá embora”, disse.

Patrice, um pensionista de Paris, disse que estava protestando por causa do “governo, dos impostos e de todos esses problemas. Temos que sobreviver”.

O setor de varejo francês sofreu uma perda de receita de cerca de US$ 1,1 bilhão desde o início dos protestos do colete amarelo no mês passado, disse a porta-voz da federação de varejo francesa, Sophie Amoros, à CNN.

Policiais prendem manifestante durante protestos na região da Champs Elysees — Foto: Christian Hartmann/Reuters

Policiais prendem manifestante durante protestos na região da Champs Elysees — Foto: Christian Hartmann/Reuters

Pontos turísticos fechados

ATorre Eiffel e outros pontos turísticos do centro de Paris estão fechados por conta das manifestações. Lojas de departamento também não abriram as portas por medo de saques que aconteceram em outros dias de protesto, entre elas a Galeries Lafayette, Le Bon Marché, BHV e Printemps.

As áreas mais sensíveis por serem pontos de concentração dos “coletes amarelos”, como o bairro da Champs-Elysées, as praças da República e da Bastilha, foram fechadas para o tráfego desde o início da manhã.

Grandes museus, como o Louvre, diversos mercados e estabelecimentos públicos também não estão funcionando, além de aproximadamente 40 estações de trem e metrô. Agências bancárias, cinemas, lojas, cafés e restaurantes cobriram suas vitrines com tapumes e placas de fibra de vidro para se proteger de atos de vandalismo dos manifestantes.

Manifestação contra o governo francês tem confrontos em Paris

Manifestação contra o governo francês tem confrontos em Paris

Veja alguns dos locais que estão fechados neste sábado:

  • Museu do Louvre
  • Museo d’Orsay
  • Museu de Arte Moderna
  • Grand Palais
  • Petit Palais
  • Museu do Homem
  • Palácio de Chaillot
  • Cidade da Arquitetura e do Patrimônio
  • Torre Eiffel
  • Duas sedes da Ópera de Paris
  • Palácio Garnier
  • Praça da Bastilha
  • Praça da República

Cerca de 89 mil policiais foram mobilizados em todo o país. Desses, 8 mil estão alocados em Paris, para evitar as cenas da última semana, que contou com carros incendiados e com o Arco do Triunfo pixado com frases contra o presidente Emmanuel Macron.

Segundo a agência EFE, antes dos protestos começarem neste sábado, as autoridades da França detiveram mais de 270 pessoas para impedir preventivamente incidentes violentos durante as manifestações.

As detenções foram sobretudo de grupos suscetíveis em protagonizar atos de violência ou por possuírem objetos que possam ser utilizados para esse fim, mas eles não devem necessariamente ficar presos após feitas as inspeções.

Polícia atira bombas de gás lacrimogêneo em manifestantes na Champs Elysees, em Paris — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Polícia atira bombas de gás lacrimogêneo em manifestantes na Champs Elysees, em Paris — Foto: Benoit Tessier/Reuters

O ministro do Interior, Christophe Castaner, justificou que as prisões foram para impedir que se repetissem os distúrbios ocorridos há uma semana: “Tivemos que dar uma resposta forte”.

Castaner, em entrevista ao canal “BFMTV”, pediu aos “coletes amarelos” que querem fazer valer suas reivindicações “que não se misturem” com os manifestantes violentos, pois “a violência nunca será uma forma de protesto”.

Ele também disse que “o governo estendeu a mão” com a disponibilidade para o diálogo e medidas como a suspensão do aumentos dos impostos sobre o combustível que estava programado para janeiro: “Agora é preciso sentar à mesa e discutir”.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, recebeu na sexta-feira à noite uma delegação de sete “coletes amarelos livres”, um grupo que se reivindica como moderado e que pediu aos seus seguidores que não viajassem para Paris.

Confrontos

No sábado (1º), houve confronto dos manifestantes com a polícia na Avenida Champs-Elysées, em Paris, que deixou 130 feridos e mais de 400 detidos. Cerca de 36 mil saíram às ruas por toda a França naquele dia.

Aumento cancelado

Os protestos foram mantidos apesar de o governo ter anunciado na quarta-feira (5) que desistiu de aumentar os impostos de combustíveis. Inicialmente, a medida seria suspensa por seis meses, mas depois o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, disse que o aumento não entraria no projeto orçamentário de 2019.

Segundo a imprensa francesa, o presidente Emmanuel Macron tomou a decisão após perceber que a primeira proposta não foi bem recebida pelos “coletes amarelos”.

O movimento

Os protestos começaram em 17 de novembro em oposição ao aumento dos impostos sobre os combustíveis, mas, desde então, se tornaram um amplo movimento contra a política econômica e social do presidente Emmanuel Macron.

O governo, encurralado pelas ruas, suspendeu o imposto sobre combustíveis e congelou os preços da eletricidade e do gás durante o inverno.

No entanto, para os “coletes amarelos”, que ampliaram suas reivindicações, essas concessões foram insuficientes. Contam também com o apoio da maioria dos franceses (68%, segundo a última pesquisa).

Muitos dos “coletes amarelos”, chamados assim pelo adereço fluorescente de segurança que usam, se manifestam pacificamente, mas alguns se radicalizaram. Membros de grupos de extrema direita e de extrema esquerda aproveitam os protestos para enfrentar a polícia, às vezes de forma brutal.

Alguns membros do coletivo fizeram um chamado a não participar de manifestações em Paris para evitar mortes. Até o momento, não foram registradas vítimas diretas, mas quatro pessoas perderam a vida em acidentes relacionados com os protestos.

Algumas embaixadas, como a de Estados Unidos, Bélgica e Portugal, aconselharam seus cidadãos a adiar suas viagens e pediram aos residentes na França a aumentar as precauções.

Futuro da Europa na balança

Dominique Moisi, especialista em política externa do Institut Montaigne, de Paris, e ex-assessor de campanha da Macron, disse à CNN que a presidência da França não está apenas em crise, mas que o futuro da Europa também está na balança. “Dentro de alguns meses, haverá eleições europeias, e a França deveria ser portadora de esperança e progresso europeu. O que acontecerá se não for mais? Se o presidente está incapacitado de levar essa mensagem?”, questionou.

“É sobre o futuro da democracia também; democracias não-liberais estão crescendo em todo o mundo. E se Macron falhar, o futuro da França corre o risco de parecer a presidência da Itália hoje. E é muito mais sério porque temos um Estado centralizado, que desempenha um papel importante no equilíbrio de poder dentro da Europa. Mas não se engane, é uma versão francesa de um fenômeno muito mais global”.

O movimento CGT da extrema esquerda da França prometeu apoio ao movimento, que também é apoiado pelo líder da extrema direita, Marine Le Pen.

Fonte: G1

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