Home NotíciasPolicia “Peguei o veneno em minhas mãos e era chumbinho”, diz mãe de jovem morto com suspeita de envenenamento

“Peguei o veneno em minhas mãos e era chumbinho”, diz mãe de jovem morto com suspeita de envenenamento

Por Alagoas Brasil Noticias

Assessoria/Hospital Geral do Estado

Márcia Calheiros, mãe de Rafael Calheiros, de 21 anos, que morreu no dia 24 de novembro, vítima de suposto envenenamento, informou durante entrevista a reportagem doCadaMinuto, nesta quinta-feira, dia 27, que os resultados da perícia médica são sigilosos e ainda não foram divulgados pela polícia. “Não se pode sair falando as coisas sem antes ter certeza do que está sendo dito”, disse ela.

Durante a entrevista, Márcia contou que “até o momento não foi divulgado laudo médico nenhum. Até porque isso é um procedimento sigiloso e o delegado responsável pelo caso do meu filho está de férias”.

“Eu sou a mãe dele, e sei do que estou falando. Não foi falado nada sobre o resultado da perícia. Isso que o advogado está falando é mentira, porque ele quer defender ela (a suspeita). Ele (o advogado) está querendo divulgar algo que não aconteceu e isso não se faz. O que saiu logo no início foi o que o médico que realizou os procedimentos no IML falou”, esclareceu.

Além disso, a mãe de Rafael destacou que, “o médico do IML informou que no resultado do exame feito no corpo sairia como intoxicação. E, somente no resultado da perícia que seria realizada no copo em que ele bebeu a vitamina é que iria ser constatado que foi veneno. Inclusive, essa perícia não foi realizada em Maceió, o procedimento foi realizado fora do Estado de Alagoas”.

 “A não ser que essa perícia que eles falam, ainda não seja a verdadeira, pois, depois do que aconteceu eu vi o veneno dentro da embalagem do chocolate em pó e peguei o veneno em minhas mãos e era chumbinho sim. Além do mais, quando cheguei ao hospital e o médico me mostrou em sua luva, uma bolinha de veneno. Logo depois eu levei tudo para a Central de Flagrantes. Não foi só eu que vi, minha filha e outros familiares também viram o veneno. Não tem como eles dizerem que meu filho não foi envenenado, não é bem assim. Não podem deixar o meu filho como se fosse um rato”, relatou Márcia.

Questionada sobre o amigo que, supostamente, estaria na residência no momento do crime, Márcia Calheiros disse que, “Ela (a namorada) diz que esse amigo estava com ele, mas como é que ela sabe disso? Ela estava com ele? Porque no momento em que isso aconteceu, esse rapaz que ela fala, não estava lá. Quem estava em casa era a minha filha e as minhas duas netas. Inclusive, quando o Rafael foi tomar a vitamina ele disse que estava sentindo um gosto ruim e a irmã dele disse para ele não tomar. Em seguida, ela foi embora para casa. E as minhas netas encontraram o Rafael passando mal.”

“Se ela realmente não tivesse feito nada, ela estaria ao meu lado me dando apoio e, não se escondendo, até porque eu não iria fazer nada contra ela. Sempre a tive e a tratei como uma filha. E olha como estou sendo retribuída. Em nenhum momento, ela me procurou para me apoiar e ficar ao meu lado”, disse Márcia Calheiros.

“Meu filho era um menino bom e trabalhador. Ele não era nenhum meliante, sonhava em ser policial, fez o concurso da primeira vez e não passou. Agora, estava estudando para fazer novamente a prova e teve a sua vida interrompida. Isso não vai ficar assim, eu quero justiça.”, desabafou a mãe de Rafael.      

Em contato com a reportagem, a assessoria de Comunicação da Perícia Oficial do Estado de Alagoas (PO/AL) informou que, os laudos de necropsia e toxicologia já foram concluídos, mas o órgão esclareceu que não irá divulgar neste momento os resultados desses exames para não atrapalhar as investigações da Polícia Civil.

Além disso, a assessoria disse que, a informação divulgada hoje foi de responsabilidade do advogado de defesa da namorada da vítima.

Defesa

O advogado da namorada de Rafael, Gilson Tenório, também foi procurado e, durante entrevista ao Cada Minuto, ele informou que nesta quinta-feira (27) foi à Delegacia de Homicídios e teve acesso ao laudo cadavérico, que faz parte do inquérito de Rafael, e que ainda não foi concluído pela polícia. Segundo o advogado, o laudo, realizado pela Perícia Oficial do Estado de Alagoas (PO/AL), conclui que não há a substância decorrente do chumbinho no corpo de Rafael.

O advogado ainda informou que esteve com o delegado responsável pelo caso, Ronilson Medeiros, onde apresentou provas, através de áudios e fotos, de que a suspeita não estaria com Rafael no dia do crime. Segundo o advogado, a mulher estaria com familiares em um sítio localizado no Conjunto Selma Bandeira, no bairro do Benedito Bentes, parte alta de Maceió.

“Eu deixei fotos do local em que ela estava, com pessoas que ela estava, e áudio também em que ela informa ao Rafael que não vai estar com ele aquele dia, pois vai passar o feriado com os familiares [mãe, irmãs e sobrinhos] em outro local”, relata Gilson.

Questionado sobre quem poderia estar na companhia do Rafael, o advogado informou que a vítima estava acompanhada de um amigo de infância, identificado apenas como Gabriel. “Ele presenciou quando Rafael preparou e tomou a bebida. Segundo ele [Gabriel], Rafael tomou a bebida sozinho, sem compartilhar com ele, porque não havia almoçado e já eram por volta das 17h”, alegou Gilson.

 Ainda de acordo com Gilson, Rafael e Gabriel treinavam juntos, eles sempre compartilhavam suplementos alimentares para fazer exercícios físicos. “Estranhamente, nesse dia, esse amigo de infância que estava presente não quis tomar [a bebida]”, explicou o advogado.

Perguntado se a suspeita poderia recair sobre o amigo, Gilson disse que não afirmaria que o amigo é suspeito. Porém, se a linha for de que se procura um suspeito para um possível envenenamento, o advogado solicitou que sejam procuradas as pessoas que estavam próximas à vítima.

“Assim como foram feitos exames no corpo de Rafael, também foram feitos exames no recipiente da bebida e na embalagem de achocolatado e, no recipiente, foi encontrado uma espécie de agrotóxico, que é utilizado no ramo da agricultura. Então, se foi esse produto que causou a morte do Rafael, as investigações devem ser aprofundadas. O laudo cadavérico não apontou a presença de chumbinho no corpo do Rafael”, finalizou o advogado.

O caso

O jovem Rafael, de 21 anos, deu entrada no hospital no dia 16 de novembro e morreu no sábado, 24, no Hospital Geral do Estado (HGE). Ele estava internado em estado grave na unidade vítima de suposto envenenamento. 

A mãe do jovem, Márcia Calheiros, informou que a principal suspeita é a namorada do rapaz, que não teve a identidade divulgada, com quem ele mantinha um relacionamento há cerca de dois anos. “Ela foi a única pessoa que tinha acesso às coisas dele e tinha motivos para fazer isso”, informou a mãe.

No entanto, a jovem chegou a procurar a polícia e negou que tenha envenenado seu namorado e disse ainda que fugiu por medo de retaliações da família do namorado.

Fonte: Cada minuto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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