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Colômbia insiste que Cuba entregue representantes do ELN, grupo autor de atentado em Bogotá

Por Alagoas Brasil Noticias

O governo da Colômbia reforçou nesta segunda-feira (21) o pedido para que Cuba entregue os representantes do Exército Nacional de Libertação (ELN) escondidos no país. O grupo assumiu a autoria do atentado contra uma escola de cadetes em Bogotá. O ataque deixou 21 pessoas mortas (entre eles, o agressor) e dezenas de feridos.

Cuba abriga integrantes do ELN e sedia negociações entre a facção e o governo colombiano. Por isso, a Colômbia quer que o país caribenho entregue os responsáveis pelo atentado da semana passada.

“O ELN, como organização, reconhece a sua autoria (do ataque terrorista) e deve ser responsabilizado”, disse em entrevista coletiva o alto comissário de Paz, Miguel Ceballos.
 

Presidente da Colômbia, Iván Duque, discursa ao lado da vice-presidente Marta Lucia Ramirez na escola militar de Bogotá que foi alvo de um ataque na quinta-feira (17)  — Foto: Juan Barreto / AFP

Presidente da Colômbia, Iván Duque, discursa ao lado da vice-presidente Marta Lucia Ramirez na escola militar de Bogotá que foi alvo de um ataque na quinta-feira (17) — Foto: Juan Barreto / AFP

O presidente da Colômbia, Iván Duquehavia ordenado ainda na sexta-feira a reativação das ordens de captura contra dez integrantes do ELN que estão na delegação da guerrilha em Cuba.

Porém, no sábado, o governo cubano ativou protocolos diplomáticos com o grupo – que, até o ataque, pretendia celebrar um acordo de paz com o governo.

“Cuba atuará em estrito respeito aos Protocolos do Diálogo de Paz assinados entre o governo e o ELN, incluindo o Protocolo em Caso de Ruptura da Negociação. Está em negociação com as partes e outros fiadores”, informou pelo Twitter o chanceler cubano Bruno Rodríguez.

 
 

Familiares de vítimas se reúnem na entrada da Academia General Santander, em Bogotá, onde um carro-bomba explodiu — Foto: AP Photo/John Wilson Vizcaino

Familiares de vítimas se reúnem na entrada da Academia General Santander, em Bogotá, onde um carro-bomba explodiu — Foto: AP Photo/John Wilson Vizcaino

De acordo com Ceballos, “esses protocolos eram destinados a procedimentos logísticos, mas uma vez os diálogos foram rompidos e jamais retomados (pelo governo colombiano)”. Desde o início do mandato como presidente, Duque exigiu que o ELN libertasse todos os sequestrados e abandonasse toda atividade criminosa.

“Nós, como governo, não podemos permitir que se aplique um protocolo para que alguns retornem às suas unidades na Colômbia e entrem na floresta para se esconderem da Justiça. Não há razão jurídica, não há razão política, não há razão ética (que justifique a proteção aos membros do ELN)”, afirmou o comissário de Paz.

Cuba ‘tem obrigação’ de entregar

 

Rebelde do Exército de Libertação Nacional (ELN), a última guerrilha ativa da Colômbia, nas florestas do noroeste do país — Foto: Federico Rios/Reuters

Rebelde do Exército de Libertação Nacional (ELN), a última guerrilha ativa da Colômbia, nas florestas do noroeste do país — Foto: Federico Rios/Reuters

O chanceler colombiano, Carlos Holmes Trujillo García, que também participou da entrevista coletiva, disse que Cuba tem a obrigação de entregar os representantes do ELN que estão no território cubano.

“O governo de Cuba tem a obrigação internacional de efetivar as ordens de captura, apreender os integrantes desse grupo terrorista e colocá-los à disposição das autoridades”, opinou o chanceler. Nesse ponto, o comissário de paz garantiu que o governo de Cuba “nunca se negou à entrega”.

Em seguida, Trujillo disse que a meta “é a ação conjunta de dois Estados que têm compromissos internacionais na luta contra o terrorismo”.

“Em 1932, Cuba e Colômbia assinaram um tratado de extradição, que está vigente, portanto vamos recorrer a todos os instrumentos que o Estado colombiano tem para que estas pessoas sejam entregues da maneira mais rápida à Justiça colombiana”, lembrou o chanceler.

Pouco antes da entrevista coletiva, o governo cubano declarou que “jamais permitiu nem permitirá que o seu território seja usado para a organização de atos terroristas”.

Com relação ao impacto que esta situação pode ter nas relações com o governo cubano, o chanceler colombiano disse que “a relação com Cuba neste caso específico é vista como uma relação de cooperação entre dois Estados e países que estão comprometidos a combater o terrorismo com eficácia”.

Fonte: G1 Mundo

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