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Polícia usa canhão de água e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes em Hong Kong

Manifestantes fizeram protesto em frente ao consulado britânico para pedir apoio do Reino Unido | Por G1 | 15/09/2019 | 08h03

Manifestantes pró-democracia reagem quando a polícia dispara canhões de água do lado da sede do governo em Hong Kong, neste domingo (15) — Foto: Nicolas Asfouri / AFP

Dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia foram para as ruas em Hong Kong neste domingo (15). A polícia usou água e gás lacrimogêneo para dispersar um grupo que tentou atacar o complexo administrativo do território semiautônomo.

Os manifestantes, entre eles famílias com crianças, reuniram-se neste domingo em Causeway Bay para comemorar o Dia Internacional da Democracia- em um ato que estava proibido pela administração local. Mais tarde, pequenos grupos, com roupas pretas, usaram contêineres de lixo e cones de trânsito para construírem barricadas contra a polícia.

Manifestantes antigovernamentais são alvo de canhão de água durante uma manifestação perto do Complexo Central do Governo em Hong Kong, neste domingo (15)  — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

Manifestantes antigovernamentais são alvo de canhão de água durante uma manifestação perto do Complexo Central do Governo em Hong Kong, neste domingo (15) — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

Um grupo usou bombas de gasolina, coquetéis molotov e pedras contra as forças de segurança. A polícia também disparou jatos de água colorida contra os militantes para tentar dispersar a passeata. Um veículo policial pegou fogo após ser atingido por uma bomba caseira.

Os confrontos, que começaram cerca de três horas após o início do protesto, encerraram uma relativa pausa nos últimos dias na intensidade de confrontos entre a polícia e os manifestantes, que protestam desde 9 junho contra o que consideram uma crescente influência da China e o governo de Carrie Lam, acusada de ser pró-Pequim.

Manifestante pró-democracia lança um coquetel molotov durante uma manifestação perto do Complexo Central do Governo em Hong Kong, neste domingo (15)  — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

Manifestante pró-democracia lança um coquetel molotov durante uma manifestação perto do Complexo Central do Governo em Hong Kong, neste domingo (15) — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

Manifestante pró-democracia pega fogo após lançar coquetel molotov durante uma manifestação perto do Complexo Central do Governo em Hong Kong, neste domingo (15)  — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

Manifestante pró-democracia pega fogo após lançar coquetel molotov durante uma manifestação perto do Complexo Central do Governo em Hong Kong, neste domingo (15) — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

Reino Unido

No protesto deste domingo, os manifestantes fizeram um ato do lado de fora do consulado britânico em Hong Kong para pedir que Londres faça mais para proteger os cidadãos de sua antiga colônia e aumente a pressão sobre Pequim para que mantenha as liberdades de quem mora no território semiautônomo.

“Até agora, estou bastante decepcionado com o fato de o Reino Unido não ter feito nada para nos apoiar”, disse à AFP o recém-formado Alex Leung.
 

Centenas de manifestantes cantaram “God Save the Queen” e “Rule Britannia” do lado de fora da representação diplomática, bandeiras da era colonial de Hong Kong.

A transferência de Hong Kong para a China, em 1997, a decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”. Foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia no Executivo, Legislativo e Judiciário. O governo central chinês é responsável, no entanto, pelas relações externas e defesa.

Ativista pró-democracia faz protesto em frente ao consulado britânico em Hong Kong neste domingo (15)  — Foto: Nicolas Asfouri / AFP

Ativista pró-democracia faz protesto em frente ao consulado britânico em Hong Kong neste domingo (15) — Foto: Nicolas Asfouri / AFP

No domingo (8), os manifestantes já tinham feito um apelo para que os Estados Unidos os liberasse do domínio chinês.

Protestos no sábado

Os protestos de sábado também registraram confrontos. Cerca de 200 apoiadores da China tinham se reunido para agitar bandeiras chinesas e cantar o hino do país no centro comercial Amoy Plaza. Com a chegada de manifestantes pró-democracia, houve confronto. Pessoas dos dois grupos ficaram feridas.

A polícia interveio e prendeu alguns jovens pró-democracia dentro e fora do centro comercial.

Onda de protestos

Em 9 junho, começou uma série de manifestações populares pró-democracia no território semiautônomo motivada por um projeto de lei que previa a extradição de cidadãos de Hong Kong para julgamento na China.

Aos poucos, a pauta de reivindicações se ampliou incluindo a resistência contra a crescente influência da China no território semiautônomo. O governo de Carrie Lam é considerado pelos manifestantes pró-Pequim.

A crise é a mais severa em Hong Kong desde 1997, quando o território semi-autônomo foi devolvido pelo Reino Unido à China.

No início de setembro, a chefe-executiva de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou a retirada completa do projeto, que já tinha sido suspenso no início de junho, em uma tentativa de conter os protestos. O anúncio, porém, não foi suficiente para conter a onda de manifestações.

Fonte: G1

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