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DF em chamas: fogo destruiu área 4 vezes o tamanho do Guará em 2019

São mais de 7 mil ocorrências registradas este ano. Em uma delas, a bombeira Marizelli Dias morreu enquanto tentava debelar uma queimada | IANA CARAMORI | iana.caramori@metropoles.com | 16/09/2019 | 9:24

ANDRE BORGES/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES
 
 

O período de seca no Distrito Federal, entre maio e setembro, transforma a paisagem da capital. É comum que, nesta época, nuvens de fumaça criadas por incêndios tomem conta do horizonte. Em 2019, no entanto, a cena pode ser percebida com mais frequência pelos brasilienses.

Só na primeira quinzena de setembro, aproximadamente 3 mil hectares foram destruídos pelo fogo. A área é maior que a de Águas Claras, que soma cerca de 2,7 mil hectares. A extensão de queimadas calculada pelos bombeiros apenas neste mês é maior do que a registrada em todo o ano passado, quando cerca de 3,5 mil hectares queimaram em Brasília.

A área tomada pelas chamas em setembro representa um terço do total computado no ano. Em 2019, 10 mil hectares foram destruídos pelo fogo — quatro vezes a extensão do Guará.

De janeiro até domingo (15/09/2019), foram mais de 7 mil incêndios, contra 1.557 chamadas nos 15 primeiros dias deste mês. A média do ano é de 29 ocorrências diárias; em setembro, foram 111 por dia. Em 2018, o Corpo de Bombeiros atendeu 1.836 ocorrências, média de cinco por dia.

Uma dessas ocorrências foi a última atendida pela bombeira Marizelli Armelinda Dias, 31 anos, que morreu eletrocutada na manhã desse domingo (15/09/2019) durante atendimento a um incêndio florestal em Taguatinga Norte. Uma árvore caiu sobre fios de alta tensão e a soldado foi atingida pelos galhos e pela corrente elétrica. Ela chegou a ser levada em estado grave para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas não resistiu.

Registros

No último dia 4, um incêndio de grandes proporções assustou moradores do Park Way. O fogo começou na Quadra 14 da região administrativa e, por causa das condições climáticas, se espalhou rapidamente para as Quadras 19, 24 e 26. O Corpo de Bombeiros demorou seis horas para controlar as chamas. Foram mobilizadas 19 viaturas, duas aeronaves e 95 militares.

Na sexta-feira (13/09/2019), dia em que o DF registrou a temperatura recorde de 34,9ºC, o fogo tomou conta de uma parte do Parque Ecológico de Águas Claras. O incêndio destruiu 38.394 metros quadrados de vegetação. Duas viaturas e 12 militares foram mobilizados para o trabalho, que durou cerca de quatro horas. No sábado (14/09/2019), o parque voltou a sofrer com as chamas. Os militares aturaram por seis horas para que o fogo fosse considerado controlado.

Em 10 de setembro, 300 mil metros quadrados de vegetação perto da BR-040 foram atingidos pelas chamas. A corporação precisou usar uma aeronave, com 7,5 mil litros de água, para conter o incêndio nas proximidades da rodovia e do Catetinho. No mesmo dia, um foco foi registrado perto do Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes e do Terminal Rodoviário Interestadual de Brasília; e outro nas margens da BR-251, próximo a São Sebastião.

Em alguns casos, é necessário que os militares controlem até mais de um foco de incêndio na mesma região. No dia 6, por exemplo, eram três em São Sebastião: um próximo ao Morro da Cruz; outro no Jardins Mangueiral; e o terceiro, ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda.

Feridos

Além da tragédia envolvendo a bombeira Marizelli, há registros de feridos durante queimadas. No feriado de 7 de setembro, três pessoas se machucaram ao tentar apagar um incêndio no Setor Leste, no Gama. Um rapaz de 35 anos sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus em cerca de 40% do corpo. Um jovem de 20 anos queimou as mãos e outro homem, de 58 anos, teve 25% do corpo queimados. O Corpo de Bombeiro atendeu a ocorrência e as vítimas foram levadas ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Fonte: Metrópoles

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