Alagoas

Pinheiro: moradores se preparam para audiência em Brasília

5 de novembro de 2019 | 09:14 | Comissão Externa da Câmara dos Deputados vai realizar na quinta (7) sessão pública sobre afundamento em bairros de Maceió

 Geraldo Vasconcelos diz que oito pessoas do movimento SOS Pinheiro participarão da audiência na Câmara (Foto: Edilson Omena)

Uma comissão de moradores do Pinheiro irá participar na próxima quinta-feira (7) de audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília que discutirá o afundamento em bairros de Maceió. A sessão faz parte dos trabalhos da Comissão Externa destacada para buscar solução para a problemática.

Segundo o coordenador do movimento SOS Pinheiro, Geraldo Vasconcelos, uma caravana vinha sendo organizada para conduzir o máximo de moradores à sessão, no entanto, poucas pessoas se voluntariaram por questões como logística e tempo da viagem.

“A Caravana não surtiu efeito, mas a gente já esperava. Para ir de ônibus demandaria cinco dias úteis, então as pessoas perderiam trabalho, compromissos. De qualquer maneira o SOS disponibilizou, mas não foi possível. A comissão do SOS está indo. Teremos oito pessoas lá. Não sei se outras associações irão. Sairemos daqui na quarta-feira, está confirmado”, comenta.

Geraldo diz ainda que a expectativa dos moradores é que essa nova comissão ajude a dar visibilidade ao problema e traga “respostas” a questões antigas e que ainda não foram resolvidas.

“Na verdade, eu vejo a comissão externa com um papel fundamental. As coisas estavam muito paradas. Tem muita coisa precisando ser resolvida. A audiência, essa sessão pública é a primeira após o laudo da CPRM. A Braskem contesta. A Petrobras ainda não participou de audiência nenhuma. Precisamos saber da Petrobras se eles têm tecnologia para preencher as minas. Lógico, a Petrobras não vai estar nessa, mas estará em outras. O presidente da Braskem estará lá e será inquirido por um grupo de deputados, inclusive um especialista em mineração. Outro especialista em defesa civil, tem especialista em meio ambiente. Ou seja, resposta que não tivemos até agora possivelmente teremos nestas sessões. Iremos preencher lacunas que até agora não foram preenchidas”, pontua.

A reportagem esteve em contato com a Braskem S/A. Segundo a assessoria da empresa, o presidente Fernando Musa foi convidado a participar da sessão e deve apresentar “as ações da Braskem em Alagoas”, resumiu.

Para o coordenador do SOS Pinheiro, é necessário que além da mídia local, a imprensa nacional esteja atenta ao problema de afundamento. “Eu acredito que a comissão externa também desempenhe esse papel de mídia, porque é o maior problema geológico em curso. Esse desastre não está tendo em nível nacional a cobertura devida. Temos local, a imprensa local está sempre publicando. Mas a gente não consegue em nível nacional.”

“Rachaduras no bairro não param de evoluir”, destaca movimento

Enquanto a audiência não ocorre, o morador afirma que as rachaduras não param de evoluir. Na semana passada, a informação de que o Bloco 7 do conjunto Jardim Acácia estaria em deformação assustou a comunidade.

“Isso não para. É contínuo. Isso a gente sabe desde o começo. Se a gente não solucionar o problema lá embaixo essa subsidência não para. É contínua. Lamentavelmente alguém ligou para uma rádio e disse que as rachaduras aumentaram no bloco 7 do Jardim Acácia. Mas aumentou em todos. Tem locais lá que está aumentando muito. Aí vai Defesa Civil, imprensa e causa aquele pânico”, acrescenta.

Segundo Geraldo, além do bloco 7, outros imóveis estão em situação crítica e em evolução. “Estive lá no fim de semana e a situação não é confortável. Mas dizer que o bloco 7 vai cair? Esse desencontro de informações gera pânico em pessoas que já estão massacradas emocionalmente. Hoje tivemos uma reunião com a Defesa Civil, uma reunião proveitosa e esperamos que seja resolvido. Eles falam em interditar a área do mercadinho Pilar, que está inclinando, mas eles precisam dizer quanto. Precisamos de parâmetros. Vamos pedir a Defesa Civil para compor um comitê técnico para acompanhar isso sem causar pânico”, afirma.

Segundo a Defesa Civil de Maceió a movimentação de solo na região continua em evolução, mas o órgão aguarda posicionamento do governo federal quanto às ações de resposta e se haveria solução para o problema. As informações foram passadas em reunião ontem (4) entre representantes da comunidade e a Defesa Civil.

“Na oportunidade foi destacado que a instabilidade de solo continua, uma vez que ainda não há repostas do Governo Federal se há solução para o problema; que o pedido de respostas com relação à solução do problema foi protocolado há alguns meses no Governo Federal; e que a Defesa Civil mantém a recomendação de realocação para as áreas de cor clara no Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias”, disse o órgão.

Fonte: Tribuna Hoje

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