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Corporativismo? Desembargador do TJ que foi investigado pelo CNJ manda soltar filho de juiz acusado de extorsão e tráfico

SOLTURAS DOS ADVOGADOS / 06/06/20 ÀS 18:37

Washington Luiz

Numa decisão entendida por muitos de corporativista, o desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), Washington Luiz Damasceno Freitas, cassou os efeitos das prisões temporárias de dois advogados presos pela Polícia Civil (PC), durante a operação ‘Bate e Volta’, acontecida na quarta-feira (3).
 
Os advogados Fidel Dias de Melo Gomes e Hugo Soares Braga, este último filho do juiz José Braga Neto, titular da Vara das Execuções Penais, são acusados de crimes de extorsão, tráfico de influência e associação criminosa. A decisão do desembargador foi anunciada na noite da quinta-feira (4).

Advogados presos acusados de integrarem o esquema criminoso

 

Advogados presos acusados de integrarem o esquema criminoso

Os advogados também são acusados de obterem decisões favoráveis a transferências de presos em Alagoas para presídios onde a segurança é fragilizada.
 
Antes do pedido de prisão temporária ser sido cassado, o advogado Hugo Braga, que permanecia foragido, teria se apresentado a PC, onde foi ouvido e negou as acusações. Enquanto isso, Fidel Gomes permanecia preso, em uma cela especial, no Presídio Baldomero Cavalcante, em Maceió, junto com Ruan Vinícius Gomes de Lima e Rossemy Alves Doso. Ruan Vinícius também teve direito a um Habeas Corpus e assim, conseguiu a liberdade. 
 
O desembargador Washington Luiz considerou o argumento da defesa de Hugo Braga, de que a prisão preventiva deve ser decretada “em face da representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público”, o que, segundo a defesa, não aconteceu.

Hugo Braga, segundo as investigações, lidera o esquema

 

Hugo Braga, segundo as investigações, lidera o esquema

 
Já na decisão a favor de Fidel Gomes, o desembargador Washington Luiz acatou o pedido da defesa e os argumentos de que o advogado já teria sido interrogado, teve aparelhos eletrônicos- celular, notebook, CPU e HD externo- apreendidos.

A defesa também alegou que diante da situação de pandemia do novo coronavírus, o advogado deveria cumprir prisão domiciliar, visto “que o paciente é primário, tem residência fixa e é pai de uma criança de apenas 6 (seis) meses, sendo o provedor da família”.

O desembargador Washington Luiz foi acusado de supostamente atrapalhar o andamento de um processo criminal aberto contra o ex-prefeito de Marechal Deodoro, Christiano Matheus (MDB), seu ex-genro.

Em 2016, Washington Luiz era presidente do TJ, sendo afastado por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que ao investigar a denúncia não teria encontrado provas contra o desembargador.

Matheus foi acusado de provocar um prejuízo de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos, por meio de supostas fraudes na contratação de bandas para eventos na cidade, entre 2009 e 2013. 

Washington Luiz também foi acusado de integrar a “máfia da merenda”, um cartel de merenda escolar que atuava em Alagoas, Rio Grande do Sul e São Paulo, que foi prorrogado.
 
Um outro processo, em que o desembargador foi acusado, foi de favorecer, com a concessão de liminares, o ex-prefeito de Joaquim Gomes, Antônio Araújo Barros, o “Toinho Batista”, em troca de apoio político ao seu irmão, o deputado estadual Inácio Loyola Damasceno Freitas (PDT). As investigações foram arquivadas pelo CNJ em 2017.

Fonte: Emergência 190


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