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Augusto Aras bate boca com procuradores durante reunião no MPF

Membro do Conselho Superior tentou ler uma manifestação em crítica ao procurador-geral por recentes declarações em relação à Lava Jato, mas foi interrompido por Aras | Sarah Teófilo | 31/07/2020 | 18:55 hs *

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF


O procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, discutiu com o subprocurador Nicolao Dino em sessão virtual do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), na tarde desta sexta-feira (31/7). No início da sessão, Dino pediu o uso da palavra para ler uma manifestação elaborada por ele em conjunto com outros subprocuradores, que criticava o PGR por recentes declarações que criticaram a Operação Lava Jato, mas foi interrompido por Aras. 

“Vossa excelência, com o peso da autoridade do cargo que exerce, e evocando o pretexto corrigir rumos ante a supostos desvios das forças-tarefas, fez graves afirmações em relação ao funcionamento do Ministério Público Federal em debate com advogados”, disse Dino, imediatamente interrompido pelo procurador-geral. Aras afirmou que a sessão foi convocada para discutir orçamento, e que a manifestação deveria ser feita depois da sessão.
 
Os dois começaram a discutir. Aras afirmou: “Isso aqui não será um palco político de vossa excelência e de ninguém”. O subprocurador, por sua vez, afirmou que o PGR estava cerceando o direito de manifestação do membro do conselho, e disse em diversos momentos que o regimento interno lhe garantia o uso da palavra no início da sessão. Aras foi irredutível, e reiterou que não iria aceitar, dizendo que iria assegurar a Dino o direito de se manifestar, mas após a discussão e votação do orçamento.
 
“Após a sessão do orçamento, vossa excelência terá a palavra e eu irei replicar os pretextos de vossa excelência e o farei com documento de que disponho em mãos para acabar com qualquer dúvida acerca dos fatos”, afirmou, ao que Dino respondeu: “Terei o prazer de ouvir vossa excelência como sempre tive, e debater com vossa excelência. Mas o regimento interno me assegura a palavra no início da sessão”.
 
Aras, então, falou: “Não aceitaria ato político em uma sessão de orçamento. Após a sessão, teremos a sessão ordinária, e vossa excelência poderá falar à vontade”. 
 
Outros integrantes do conselho, então, interviram na discussão. A subprocuradora  Luiza Frischeisen ressaltou a importância de se ler a manifestação para que fosse debatida pelo colegiado, seja no começo ou no final da sessão. “Que possamos debater com vossa excelência, como vossa excelência tem debatido com outros profissionais do direito”. 
 
Também se manifestou favorável a Dino o subprocurador José Adonis Callou. “Não vejo qualquer impedimento para que o conselheiro manifeste a sua opinião sobre temas caros à instituição e que estão na pauta, que foram objeto de manifestações públicas de vossa excelência em debate com outras instâncias”, relatou.
 
Na última terça-feira (28), em uma transmissão ao vivo com advogados, Aras fez duras críticas à Lava-Jato e disse que “é hora de corrigir os rumos para que lavajatismo não perdure”. O procurador afirmou que a força-tarefa era como uma “caixa de segredos” e que iria atuar para acabar com o “punitivismo” no MP.
 
“Vossa excelência quer estabelecer um monólogo, e não um diálogo”
 
Depois da manifestação de José Adonis, que é o relator da proposta do orçamento, Aras criticou os colegas, dizendo que as manifestações político-institucionais eram “amplamente e vazadas nas redes e na imprensa”. “Normalmente, sob anonimato de colegas, todas as manifestações levadas a imprensa e que nós conhecemos as origens”, alfinetou.
 
Dino, então, respondeu: “Vossa excelência quer estabelecer um monólogo, e não um diálogo”. O subprocurador disse ainda que o cerceamento da palavra por parte de um membro do conselho “nunca aconteceu na história deste colegiado”. 
 
A discussão só se encerrou quando o subprocurador José Elaeres pediu a palavra, e sugeriu que a discussão seguisse sobre o orçamento, com a votação, e que ao final os conselheiros, a começar por Nicolao Dino, realizasse manifestações sobre outros assuntos.
 
Fonte: Correio Braziliense  
 

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