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Violência atinge 75% de candidatas a prefeita em capitais

Por Alagoas Brasil Noticias
Bianca Gomes – Joice Hasselmann foi uma das candidatas que mais sofreram ataques no país – Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil / Estadão Conteúdo – 08:50

Delegada há mais de 20 anos, Adriana Accorsi (PT), de 47 anos, nunca teve sua família ameaçada, mesmo trabalhando em investigações sobre pedofilia e tráfico infantil. Mas foi só concorrer à prefeitura de Goiânia, nas eleições do ano passado, que um perfil anônimo sugeriu a morte de suas filhas – uma de dois e outra de 26 anos: “Já comprou caixão da Verônica e da Helena?”, dizia a mensagem.

“Os ataques são voltados ao corpo da mulher ou relacionados a estereótipos de gêneros, tal como questionamento a papéis sociais tradicionais ou outros meios com objetivo de negar sua competência na esfera política”, disse Tássia Rabelo, doutora em ciência política e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Menções a maridos e ex-namorados se repetem nas histórias contadas à reportagem. “Perguntaram se meu companheiro estava de acordo com minha candidatura”, disse uma delas. Outra afirmou ter sido alvo de campanha difamatória e de desinformação, com postagens insinuando um relacionamento com um ex-chefe. O uso de elementos de conotação sexual é recorrente. “Não voto para Prefeita, te queria na minha cama”, ouviu a deputada Marina Helou (Rede) durante ato de campanha na Avenida Paulista.

Internet

No levantamento feito pelo Estadão, a violência psicológica, que causa danos no estado mental ou emocional, foi quase unânime (97,7%) entre as que sofreram ataques na campanha. O ambiente de mais violência foi a internet, citado por 78% das mulheres. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) foi a mais atacada, segundo estudo da revista AzMina que analisou tuítes direcionados a candidatas de sete Estados e concluiu que as mulheres receberam mais de 40 xingamentos por dia.

Os ataques a Joice se intensificaram após rompimento com o presidente Jair Bolsonaro. “Sofri por um ano e dois meses um estupro moral, que me levou a um hospital e a perder meu útero”, disse Joice. Nas redes sociais, ela foi alvo de ataques gordofóbicos, que incluem “apelidos” como “Peppa Pig”. Os casos de violência se estendem a ameaças de morte – ela anda escoltada. Em um dos episódios, recebeu, em um hotel, uma cabeça de porco, uma peruca loira e uma carta com a mensagem “vai sofrer, depois morrer”. Na campanha à Prefeitura, os ataques pioraram, disse ela.

Fonte: Terra


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