Anadia/AL

21 de outubro de 2021

Anadia/AL, 21 de outubro de 2021

Com salários de até R$ 106 mil, militares comandam 16 estatais

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 14 de março de 2021

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Por Talita Laurino – O maior valor será do general Luna e Silva, na Petrobras; Com bônus, o salário dele pula para R$ 226 mil, sete vezes o que ganha Bolsonaro – Foto: Michael Melo.
A chegada de um general para comandar a Petrobras a partir de abril reforçou a forte presença de militares na chefia de estatais. Um levantamento feito pelo Metrópoles mostra que os militares comandam hoje parte expressiva das empresas públicas do país: ao todo, são 16 presidentes em 46 empresas, com salários entre R$ 20 mil e R$ 106 mil.

A lista de empresas presididas por membros das Forças Armadas ainda pode aumentar nos próximos dias. O governo não descarta nomear para a Eletrobras o oficial da reserva da Marinha Ruy Schneider, atual presidente do conselho da estatal. A empresa, contudo, contratou um headhunter para definir o substituto de Wilson Ferreira Júnior, que pediu demissão e fica no cargo até 15 de março. O salário do escolhido: cerca de R$ 78.400.

Além dos altos salários, os militares que comandam as estatais também recebem benefícios. Para dirigir a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), por exemplo, o vice-almirante Francisco Magalhães Laranjeiras ganha R$ 37.856 por mês. Ele ainda tem direito a tickets refeição no valor de R$ 1.057,20 por mês (com um 13º como adicional); adicional de 50% do valor do salário nas férias (para o trabalhador comum o valor é 1/3), adicional por tempo no serviço e folga por trabalhar no Dia do Portuário, entre outros. A Docas controla os portos de Rio de Janeiro, Niterói, Itaguaí e Angra dos Reis.

Os oficiais também comandam Correios, Infraero, Amazul, Indústrias Nucleares do Brasil, Companhia das Docas do Estado da Bahia, Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A., Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, Empresa Gerencial de Projetos Navais, Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., Empresa de Planejamento e Logística S.A., Financiadora de Estudos e Projetos e Indústria de Material Bélico do Brasil. Veja a lista das remunerações abaixo.
Privatização

Os dados dos salários pagos pelas empresas públicas constam no relatório do Ministério da Economia, que expôs os vencimentos e outros privilégios concedidos pelas estatais. O objetivo do governo é defender que as empresas têm um alto custo para o país e conseguir apoio para seu plano de privatização de muitas delas.

A prioridade do governo neste ano é vender a Eletrobras e os Correios. Essa última é presidida pelo general Floriano Peixoto, que tem salário de R$ 49.676, considerando participação no conselho de administração. Com isso, o general recebe mais do que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que ganham o teto do serviço público federal, de R$ 39,2 mil, e mais do que o presidente Jair Bolsonaro, cujo salário é de R$ 30,9 mil. Deputados federais e senadores embolsam R$ 33,7 mil.

Além dos salários mais altos do que os pagos na Esplanada, os militares que comandam algumas estatais ainda têm uma vantagem. Se a empresa for dependente do Tesouro (Embrapa, por exemplo), o conjunto da remuneração entra na regra do “abate teto”. Ou seja, tudo o que ultrapassar o salário do presidente da República é glosado. Agora, se a estatal não for dependente do Tesouro, a regra não se aplica.

É o caso da Petrobras. Isso significa que o general Luna e Silva poderá acumular o salário de presidente da empresa com a aposentadoria de general, um valor que os militares não divulgam, mas que estima-se na casa dos R$ 40 mil.

Ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério de Planejamento, o economista Raul Velloso disse ao Metrópoles que a presença expressiva de militares no comando de estatais é mais uma barreira para a agenda de privatizações. “Os militares não receberam um treinamento a favor disso (das privatizações). São mais familiarizados com o sistema de estatais. Isso é histórico, vivemos até num período de regime militar que funcionou deste modo”, observou.

Ao Metrópoles, Elena Landau, economista e ex-diretora do BNDES, avaliou que o problema não é o comandante da estatal ser civil ou militar, mas se é qualificado para assumir o cargo. “O Luna e Silva, por exemplo, não é. Ele teve uma passagem de qualidade questionável pela Itaipu. A agenda de privatização não existe, então nem tem o que comprometer (essa agenda) com os militares no poder. O programa de privatização da Eletrobras e Correios é um mito. Guedes achou que ia transformar Bolsonaro, mas toda vida o presidente foi contra a privatização. Por que ia mudar agora?”, questionou.

Fonte: Metrópoles



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