Anadia/AL

22 de outubro de 2021

Anadia/AL, 22 de outubro de 2021

Profissionais de saúde fazem apelo à população. ‘Nos ajudem. Tenham mais empatia, respeitem o isolamento’

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 27 de março de 2021

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Equipe médica da Santa Casa de Sorocaba fazem oração antes de começar turno de trabalho. Abandono das regras básicas de isolamento e cuidados pessoais levaram Brasil ao agravamento da covid e milhares de mortos a cada dia / Santa Casa de Sorocaba/Divulgação

“Eu entrei no hospital e não vi ninguém da minha família. A partir do momento em que você entra, você não vê mais sua família. Como é um setor que você não vai poder ficar com acompanhante, tudo quem faz é o técnico. A partir do momento em que você pisa no hospital e é internado com covid, você vai ver sua família só quando você sair. Se você sair.”


Luiz Felipe Pires, médico do Hospital Regional de Presidente Prudente

“Peço a todos, encarecidamente, que nos ajudem. Tenham mais empatia, amor ao próximo, respeitem as medidas de isolamento. Não é fácil. Não é fácil dar notícia para um pai e uma mãe que eles perderam um filho. Tivemos recentemente no nosso hospital o óbito de um rapaz de 29 anos, mais jovem do que eu, com um filho de três anos, da idade do meu. Na mesma noite, meus sogros me contaram que meu filho, em uma brincadeira, jogou uma moeda no lago do condomínio onde moro. E o pedido dele foi para que tivesse a mim e minha esposa de volta pra casa o mais rápido possível. O filho desse paciente não vai ter isso. Nos ajudem”


Ludmila de Melo, enfermeira chefe do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas da Unicamp

“Tenho trabalhado nessa pandemia na linha de frente (…) tenho percebido que nestes últimos meses, nestas últimas semanas, especialmente na última semana, tivemos um aumento crescente de casos de covid-19. Tanto de pacientes idosos como já vimos na onda anterior, como de pacientes jovens. O que tem causado também grande consternação, além de pacientes jovens precisando de aparelhos, precisando de UTI, temos visto também famílias internadas. Pai e mãe, esposa, avós. Isso tem comovido muito a gente que está sobrecarregada, estressada. Lidar com o adoecimento da equipe também não tem sido fácil.”


Carolina Mota Abreu, médica da UTI covid-19 do Hospital das Clínicas de Marília

“Paciente jovem que quando foi ser intubado nos pediu papel e caneta para escrever à irmã. Escreveu que gostaria que ela continuasse a cuidar do filho dele, que ele achava que não seria mais capaz. Escreveu ao final para Deus o salvar. Mesmo sendo jovem, sem comorbidades, não fomos capazes de salvá-lo. Durante esse ano de pandemia, vivemos momentos de muita tristeza, momentos impactantes junto aos nossos pacientes.

Um deles, um colega profissional de saúde, quando tive que intubar, ele me disse que sabia o desfecho. Obeso, com várias comorbidades. Pediu para que desse um recado à família, que eles se encontrariam em um lugar melhor. De fato, apesar de tudo que fizemos, não foi possível salvá-lo”.


Lucas Marques da Costa Alves, médico infectologista do Hospital Estadual de Bauru

“Faz um ano que a gente vem enfrentando a covid. Pacientes muito graves. Tivemos um pico no meio do ano, tivemos uma melhora e agora um novo pico. Sem dúvida alguma, neste ano, é nosso pior momento. Pior momento em que os pacientes têm chegado mais graves, estão chegando em grande quantidade, leitos de UTI estão cheios e os profissionais estão muito cansados. Nós estamos muito cansados. Pedimos, por favor, que fiquem em casa. Evitem circular. Vamos tentar parar isso, estamos chegando no limite.”


Fonte: Rede Brasil Atual 



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