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Protesto nacional: “É uma arma política muito forte ir para rua”, avalia cientista político

Por Alagoas Brasil Noticias

Por Rebecca Moura – Foto: Reprodução Uol – 13:37

Manifestantes foram às ruas no último sábado (29), protestar contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Diante da pandemia, os grupos reivindicam compra de vacinas contra Covid-19, impeachment do presidente e defendem a imposição de medidas restritivas para conter a circulação do vírus. Ao CadaMinuto, especialistas analisam o impacto das manifestações no cenário político brasileiro.

Para a cientista política, Luciana Santana, as manifestações de rua apontam a insatisfação de uma grande parcela da população brasileira com o governo em vigor, no entanto ainda é improvável avaliar qual será o resultado das reivindicações na política.

“É difícil mensurar qual foi o resultado da manifestação contra o governo, pode ser que apareça nas próximas pesquisas, mas minhas hipóteses é que as manifestações sinalizam a  insatisfação que existe em relação ao governo, e essa insatisfação é percebida pelo montante de pessoas que foram às ruas”, pontua.

Aglomeração em manifestações

Luciana Santana critica a presença de Jair Bolsonaro nos protestos e afirma ainda que o momento não é favorável para a realização de manifestações. “O momento não é propício para qualquer tipo de aglomeração, seja a favor do governo ou contra o governo, mas o grande problema é que as manifestações a favor do governo foram permanentes durante toda a pandemia, uma coisa bastante séria, especialmente porque conta com a presença do presidente, que é a liderança máxima do país e deveria orientar e sensibilizar a população em relação às medidas mais restritivas”

“As manifestações têm legitimidade porque as pessoas estão incomodadas de alguma maneira e o governo demora a reagir ou não reage às inquietações a outros tipos de manifestações virtuais ao meu ver o que não é esperado é ter manifestações com a presença da liderança máxima do país que tá no executivo”, crítica.
“Lula é um candidato competitivo para as eleições de 2022”

A especialista explica que as manifestações e insatisfação da população não sinalizam uma provável vitória do ex-presidente Lula (PT) nas eleições presidenciais de 2022, mas apontam a forte competitividade do candidato.

“É totalmente precoce qualquer tipo de análise e conclusão nesse sentido porque tem muita água para rolar, a eleição não se decide apenas por manifestações, as pessoas precisam poder decidir nas urnas e isso só vai acontecer em 2022. Até lá a gente vai ter outros fatores que vão influenciar, o que a gente tem hoje é que Lula é um candidato competitivo para as eleições de 2022”, explica a cientista política.

Ela analisa ainda que as manifestações políticas contra Jair Bolsonaro não têm o mesmo impacto quando comparadas aos protestos contra a ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT), e avalia que não haverá impeachment.

“Eu não vejo o mesmo impacto entre as manifestações porque não há vontade política no âmbito da câmara de deputados, primeiro para acatar um processo desse e outro para levar adiante como aconteceu no episódio da ex-presidente Dilma. Acredito que não vai ter o mesmo resultado, ou seja ter o impeachment do presidente por esses fatores, mas há uma grande chance que as urnas façam esse papel e não renove o mandato do atual presidente”, finaliza.
Arma política

Já para o cientista político, Ranulfo Paranhos, a manifestação de rua é uma das diversas variáveis para o processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro ser conduzido.

“Parlamento nenhum segura líder com manifestação na rua, o parlamento não segurou o Collor [PROS],o parlamento não segurou a Dilma, sempre que as manifestações aumentam de volume os parlamentares tendem a encarar as manifestações como a vontade do povo. Eles pensam que se posicionar ao contrário da manifestação consequentemente podem perder voto na rodada eleitoral seguinte, então foi isso que aconteceu basicamente com a Dilma, é óbvio que tem outras variáveis, mas povo na rua é uma variável importante para conduzir processo de impeachment”, pontua.

Ranulfo pondera que o risco de fazer manifestação é muito alto do ponto de vista sanitário, além de causar aglomeração durante a pandemia de Covid-19, apesar disso o protesto é uma arma política muito forte.

“Quem foi pra rua protestar criou um argumento que convence as pessoas, que o Bolsonaro é pior do que o vírus, esse argumento ganhou força e convence muitas pessoas. É bom lembrar que ainda estamos em uma pandemia, muitos Estados estão decretando isolamento de forma mais severa, o próprio Estado de Alagoas, as nossas taxas de ocupação de leitos estão muito elevadas”.

“É óbvio que os protestos deram uma resposta política muito forte, fez muita diferença, ele apareceu em muitos discursos parlamentares na segunda-feira dessa semana e isso mostra para o presidente o quanto que ele vem enfraquecendo, as próprias pesquisas de opinião têm apontado para isso. Eu acho que do ponto de vista sanitário é errado, no ponto de vista político é uma ferramenta, é um mecanismo, é uma arma política muito forte ir para rua e essa arma deu sinais que tem muito poder e esse foi o primeiro protesto”, pontua.

Terceira via

Paranhos afirma que a maioria da população brasileira quer uma terceira opção para as eleições eleitorais de 2022, mas a falta de consenso aumenta a probabilidade de um possível segundo turno entre Bolsonaro e Lula.

“Mais de 50% da população nem quer Lula nem quer Bolsonaro, pelo menos  as pesquisas têm apontado para isso, há uma variação em torno de 48% a 52% de que os eleitores querem uma terceira via, o problema é que essa terceira via não há consenso. A probabilidade do atual presidente e o ex-presidente Lula irem pro segundo turno é muito alta, porque não há concentração de acordo político em torno de um único nome”

“As pesquisas de opinião estão dizendo que Lula está no segundo turno com Bolsonaro, mas a verdade é que a maioria da população não quer nem um nem outro no final das contas”, finaliza.

Fonte: Cada Minuto



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