Anadia/AL

29 de julho de 2021

Anadia/AL, 29 de julho de 2021

Aumenta fatia de homens, negros e mais velhos no desemprego de longa duração, diz levantamento

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 30 de junho de 2021

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Foto: Raphael Muller – 14:32
A pandemia de coronavírus provocou mudanças no perfil dos desempregados de longa duração, que procuram trabalho há dois anos ou mais. Durante a crise sanitária, o Brasil registrou aumento na proporção de homens, negros e trabalhadores com 30 anos ou mais nessa situação, indica levantamento da consultoria IDados.

O desemprego de longa duração descreve a realidade de profissionais que estão sem trabalho e procuram novas vagas (formais ou informais) há pelo menos dois anos. No primeiro trimestre de 2021, quase 3,5 milhões de brasileiros enfrentavam esse quadro. Trata-se do maior número da série histórica da Pnad Contínua, com dados desde 2012.
Conforme a IDados, as mulheres ainda são maioria entre os desempregados de longo prazo, mas os homens aumentaram sua participação no grupo ao longo da pandemia. No primeiro trimestre deste ano, eles passaram a responder por 41,1% do total de pessoas nessa situação.

Um ano antes, no primeiro trimestre de 2020, a fatia masculina era de 37%. Ou seja, houve alta de 4,1 pontos percentuais no intervalo de um ano. Enquanto isso, a parcela feminina baixou de 63% para 58,9%.

Responsável pelo levantamento, o pesquisador da IDados Bruno Ottoni lembra que as estatísticas oficiais costumam sinalizar maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho entre as mulheres. Entretanto, com a chegada da pandemia, a fatia masculina também passou a enfrentar obstáculos, o que se reflete nos dados de desemprego de longa duração, aponta o economista.

“Os resultados trazem preocupações. Grupos que antes não sofriam tanto no mercado de trabalho também passaram a sofrer. Em geral, a parcela com 30 anos ou mais não teria tantas dificuldades para se inserir, mas sofreu. Homens teriam maior facilidade, mas aí vem a pandemia, e eles não conseguem emprego”, ressalta.

O levantamento traz ainda recorte por cor. No primeiro trimestre deste ano, profissionais negros passaram a responder por 64,4% do total de desempregados havia dois anos ou mais.

A marca representa aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao começo de 2020 (63,1%). Trabalhadores negros, frisa Ottoni, já amargavam mais dificuldades no mercado de trabalho antes da crise, registrando um aumento menor se comparado a homens e adultos de 30 anos ou mais.

Na visão de Ottoni, a volta dos desocupados de longa duração ao trabalho depende, principalmente, da retomada do setor de serviços. É que esse segmento é o maior empregador do país e, na pandemia, foi atingido em cheio por restrições.

A destruição de vagas ocorreu porque serviços diversos dependem da circulação de consumidores. Hotéis, bares e restaurantes fazem parte das atividades do setor.

Se a vacinação contra a Covid-19 acelerar, há uma perspectiva de melhora dos negócios – e do mercado de trabalho -a partir do segundo semestre deste ano, conclui Ottoni.

“O que vai acontecer com esse grupo [desempregados há mais de dois anos] vai depender muito de serviços. Se houver recuperação, podemos ter recontratações primeiro de quem está há menos tempo desempregado e, depois, de quem está afastado no longo prazo. Esse pessoal é o que fica mais para o final da fila, porque, na hora de contratar, o empregador costuma buscar antes alguém desempregado há menos tempo”, analisa.

Fonte: Folhapress



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