Anadia/AL

25 de setembro de 2021

Anadia/AL, 25 de setembro de 2021

Mais de 420 animais marinhos são encontrados mortos este ano

Por GyanCarlo

Em 24 de julho de 2021

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Filhote de baleia jubarte (Megaptera novaengliae) que estava encalhado em Jequiá da Praia (Foto: Biota)

Materiais poluentes despejados no mar e as redes de pescas são indicados como possíveis causas de mortandade

Mais de 420 animais marinhos foram encontrados mortos nas praias de Alagoas no primeiro semestre deste ano. Destes, apenas 12 espécies conseguiram escapar com vida sendo resgatados por biólogos. Os dados são do Instituto Biota de Conservação (Biota) que indica como possíveis causas da mortandade, os materiais poluentes despejados no mar e as redes de pesca.

No primeiro semestre de 2020 – janeiro a junho – o número de animais marinhos mortos foi um pouco maior totalizando 453 deles.

Na última quarta-feira (21), um filhote de Golfinho encalhou e acabou morrendo na Praia do Francês, Litoral Sul de Alagoas. Seria um macho recém-nascido da espécie Sotalia Guianensis e media 84,5cm. As informações são do Biota.
Bruno Stefanis, presidente do Instituto Biota de Conservação (Biota), diz que por conta da pandemia houve uma redução das notificações, já que, sem gente nas praias, as ocorrências por demanda da população diminuem.

Encalhe de um Boto-cinza (Sotalia guianensis) na praia do Gunga (Foto: Biota)

De acordo com estudos do Biota, a maioria dos encalhes tem sido registrada no município de Maceió, o que está associado ao fato da área ser mais urbanizada, portanto com mais ameaças antrópicas para os animais, bem como maior possibilidade de os animais que encalham nas praias serem encontrados (por banhistas, moradores, etc).

Boto-cinza

Entre os cetáceos (baleias e golfinhos), a espécie mais frequentemente encontrada morta ou encalhada é o Boto-cinza (Sotalia guianensis). O Instituto explicou que se trata de uma espécie de hábitos bastante costeiros, o que aumenta a sua chance de interagir negativamente com ameaças antrópicas (como pesca, colisão com embarcação e poluição) e vir a encalhar.

Além de Sotalia, as duas outras espécies mais comuns são o Golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) e a Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), sendo essa última mais comum entre os meses de julho a novembro quando a espécie vem se reproduzir na costa brasileira.

“A maioria dos encalhes dá-se durante a temporada reprodutiva (setembro a março), pois nesse período os animais estão mais perto da costa e, consequentemente, mais susceptíveis a interagir negativamente com ameaças antrópicas (como pesca, colisão com embarcação e poluição) e vir a encalhar”, ressaltou o Biota.

Para o oceanógrafo e professor, Gabriel Le Campion, diversos fatores podem levar à mortandade e encalhe de animais marinhos. Ele frisou que geralmente a poluição é o preponderante, sobretudo os plásticos. Porém, também podem acontecer infecções provocadas por bactérias e vírus.

“Mas, pode ter também em menor proporção toxinas do plâncton marinho, que os afeta diretamente ou indiretamente através da cadeia alimentar. Além de outras anomalias, ainda não bem esclarecidas, que levam a desorientação. Notadamente nos mamíferos de bando como golfinhos e baleias”, observou.

O coordenador de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), professor Pierre Barnabé, salientou que o número de mortes e encalhes na costa alagoana é alarmante. “Os encalhes podem estar relacionados a alguma situação peculiar de maré ou o animal ter errado sua condução, mas muitos dos encalhes são decorrentes da ingestão de materiais impróprios no mar, principalmente lixo, plástico, garrafas, ocasionando doenças para os animais e eles vêm para a beirada próximo à areia e pela não manutenção fisiológica eles podem encalhar pela falta de saúde”, explicou.

Ele reforçou que a incidência de doenças nos animais marinhos têm causas também por derramamento de petróleo, como aconteceu em 2019 e 2020 no litoral nordestino.

Fonte: Tribuna Hoje

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