Anadia/AL

25 de setembro de 2021

Anadia/AL, 25 de setembro de 2021

Alagoana de 8 anos é a mais jovem astrônoma do mundo

Por GyanCarlo

Em 1 de agosto de 2021

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Nicole com os pais Zilma Janacá Oliveira de Lima Semião Jean Carlo Lessa Semião. A família hoje mora em Fortaleza (International Astronomical Search Collaboration)

Pouca idade e muito conhecimento: Nicole Oliveira, de 8 anos, a “Nicolinha”, tem um currículo que deixa muito marmanjo para trás. Fundadora de um clube de astronomia, dona de um canal no YouTube sobre o assunto, palestrante e uma das pessoas mais jovens no mundo a participar do International Astronomical Search Collaboration (IASC – Programa de Colaboração de Pesquisa Astronômica Internacional, em tradução livre) da Nasa, a garotinha persegue seus sonhos desde muito pequena.

E esses sonhos são muito, muito altos. “Quando eu crescer, quero ser engenheira aeroespacial”, diz a astrônoma amadora mirim, que, muito mais novinha ainda, pedia um presente inusitado. “Eu comecei a gostar de astronomia quando eu tinha dois anos, quando eu pedia uma estrela para minha mãe. Só que ela não entendia, e me dava estrelas de brinquedo”, lembra a criança.

Aos quatro anos, Nicolinha propôs aos pais trocar todas as suas festas de aniversário por um telescópio, que só veio três anos depois. Enquanto o objeto dos sonhos não vinha, a doce garotinha não perdeu tempo: aos seis anos, ingressou em um curso de astronomia pelo Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas (CEAAL), “junto com os adultos” – como enfatiza a pequena, natural de Maceió, que hoje mora em Fortaleza (CE).“Hoje, eu sou a sócia mais nova de todos os tempos de uma instituição de astronomia”, diz Nicolinha, orgulhosa.

De fato, não se tem notícia em todo o globo de outro astrônomo amador com tão pouca idade. Na mídia internacional, a menina é até chamada de “astrônoma mais jovem do mundo”. Se o título confere, ainda não se sabe, mas, de acordo com Patrick Miller, diretor do IASC, ela é, “provavelmente, uma das mais jovens (se não a mais jovem) dos participantes do programa”.

O IASC trabalha com 5 mil escolas por ano, em 80 países. “A maioria desses alunos está no ensino médio ou na faculdade”, disse Miller em declaração ao Olhar Digital.

Nicole com os pais mostra o certificado emitido por instituição internacional

Sete asteróides

Nicolinha ingressou no programa Caça-asteroides, uma parceria do IASC-Nasa com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) já na primeira edição no Brasil. Na época, ela não conseguiu formar equipe, sendo então representada pelos pais. “Eu fiquei muito feliz, porque eu queria muito participar”, conta.

Desde então, a menina já encontrou sete asteroides por meio do programa, que poderá batizar quando confirmados pela Nasa. “Suas sete observações ainda não são descobertas oficiais. São as primeiras detecções de asteroides muito tênues. Com o tempo, se essas detecções forem confirmadas por observações adicionais feitas por grandes telescópios de programas de busca de asteroides como o Pan STARRS e o Catalina Sky Survey, elas podem se tornar descobertas que são numeradas pela União Astronômica Internacional (IAU). Esse processo, desde a primeira detecção até o status de descoberta, leva de seis a oito anos. Uma vez numerados os asteroides, seus descobridores podem propor nomes ao IAU”, explica Miller.

Se isso acontecer, Nicolinha já sabe quem, possivelmente, irá homenagear. “Eu pretendo dar nomes a eles de cientistas brasileiros ou de pessoas da minha família”, diz a astrônoma mirim, que tem como inspirações o astronauta e ministro do MCTI Marcos Pontes e as astrônomas Duília de Mello e Rosaly Lopes.

Rosaly está no Guinness Book of World Records 2006 (edição em inglês) como a pessoa que encontrou o maior número de vulcões ativos do universo (71 deles, em Io, satélite de Júpiter).

Nicolinha tem tudo para seguir os passos desse ídolo e também compor o livro dos recordes, segundo o astrofotógrafo, astrônomo, diretor técnico do Serviço Brasileiro de Observação de Meteoros (Bramon, na sigla em inglês) e colaborador do Olhar Digital, Marcelo Zurita.

“Segundo o Guinness, a pessoa mais jovem a descobrir um asteroide foi o Luigi Sannino, com 18 anos. Ou seja, se as descobertas da Nicolinha forem confirmadas, ela tem tudo para entrar para o Guinnness”, afirma Zurita, que acompanha o trabalho da menina há anos.

“Quando pensamos em uma criança astrônoma, imaginamos logo que seus pais devem ser astrônomos, que envolvem a criança em suas atividades e a levam para os eventos. Mas com a Nicolinha, a história é bem diferente”, lembra Zurita. “Seu interesse pela astronomia é autêntico, parece ter nascido com ela, e seus pais, Zilma e Jean Carlo, é que foram arrastados pela Nicolinha para as atividades e os eventos astronômicos. E ela não se satisfaz apenas em assistir, ela quer, desde já, fazer parte desse mundo e contribuir com a Ciência”.

Fonte: Tribuna Hoje

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