Anadia/AL

25 de setembro de 2021

Anadia/AL, 25 de setembro de 2021

CPI ouve nesta quarta coronel que esteve em jantar com suposto pedido de propina por vacinas

Por GyanCarlo

Em 4 de agosto de 2021

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Marcela Mattos

Marcelo Blanco da Costa era assessor do departamento de Logística do Ministério da Saúde. Diretor da área, Roberto Dias teria pedido US$ 1 por dose em lote da Astrazeneca; ele nega.

O encontro, que ocorreu no dia 25 de fevereiro deste ano em um restaurante em Brasília, foi revelado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti. À CPI, Dominghetti, que se apresenta como um vendedor de vacina por intermédio da empresa Davati, afirmou que Marcelo Blanco foi quem o levou para o jantar.

Pela versão de Dominghetti, Roberto Dias condicionou a compra do imunizante ao pagamento de US$ 1 adicional por dose – valor que, supostamente, seria desviado. Blanco teria apresentado Dias a Dominghetti e presenciado essa negociação. Confira no vídeo abaixo:

VÍDEO: 'Eu fui apresentado ao diretor de logística, Roberto Dias, pelo coronel Blanco', diz Luiz Paulo Dominghetti

VÍDEO: ‘Eu fui apresentado ao diretor de logística, Roberto Dias, pelo coronel Blanco’, diz Luiz Paulo Dominghetti

“[O Blanco] Ficou me olhando, esperando a minha resposta”, relatou o policial militar em depoimento à CPI da Covid. Dias nega a acusação feita por Dominghetti.

Blanco também se reuniu com outros supostos vendedores de vacinas – entre eles, Cristiano Carvalho, que também se dizia vendedor da Davati.

Em depoimento à CPI, Carvalho contou que soube do pedido de “comissionamento” na venda de vacinas, e que foi informado que a iniciativa teria partido do “grupo do Blanco”. Carvalho já entregou à CPI áudios atribuídos a Blanco nos quais ele trata das negociações dos imunizantes.

Foco nas intermediárias

A oitiva do coronel da reserva é considerada essencial pelos senadores da CPI no âmbito das investigações sobre as tratativas do governo brasileiro com empresas intermediárias de vacinas.

As apurações já constataram que as negociações com essas representantes aconteceram enquanto o governo brasileiro resistia a fechar contrato direto com outras fabricantes – como foi o caso da Pfizer. Além disso, à época das tratativas com a Davati, a AstraZeneca já havia informado oficialmente ao Ministério da Saúde que não comercializava o imunizante por meio de intermediários.

CPI retoma depoimentos e mira em intermediárias de vacinas
CPI retoma depoimentos e mira em intermediárias de vacinas

Para o depoimento desta manhã, Blanco obteve no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito a ficar em silêncio diante de perguntas que possam incriminá-lo. Ele, porém, deve dizer a verdade em relação aos fatos dos quais foi testemunha.

Disputas

Blanco assumiu o cargo no Ministério da Saúde em maio de 2020. À época, a pasta era comandada pelo ministro Nelson Teich. A indicação de Blanco, porém, é creditada ao então número 2 do ministério Eduardo Pazuello, que ampliou o número de militares nos cargos de confiança da pasta.

Em janeiro deste ano, Blanco foi exonerado do cargo de assessor do Departamento de Logística. À época do jantar, portanto, ele já não tinha mais função no ministério. Senadores investigam se a empresa que o militar abriu após deixar a pasta teve algum benefício durante a pandemia.

Em outra frente, a comissão também apura se havia uma disputa interna dentro do Ministério da Saúde entre o núcleo militar e o político, e se esses dois grupos entraram em choque durante as negociações de vacinas.

Fonte: G1

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