Cascavel teria começado a atuar no ministério antes mesmo de sua nomeação, publicada em junho de 2020. Mesmo sem cargo oficial, Airton negociava em nome do ministério com estados e municípios.

Segundo interlocutores de Cascavel, ele aceitou o convite de Pazuello com o objetivo de retomar a carreira política. Ele já foi prefeito em Mucajaí, em Roraima, deputado estadual, vice-prefeito de Boa Vista e deputado federal. Nas eleições de 2018, disputa uma vaga na Câmara pelo PRB, mas não se elegeu.

Quando o ministro foi exonerado em março deste ano, Cascavel também saiu da pasta . Porém, logo foi nomeado secretário de Saúde de Roraima pelo governador Antonio Denarium, aliado do presidente Jair Bolsonaro. No dia 20 de julho, com o avanço da CPI da Covid—19, que o colocou na mira das investigações, Cascavel deixou a função da admnistração estadual.

Cascavel foi convocado pela CPI após o Ministério Público Federal (MPF) determinar que Polícia Federal (PF) abrisse um inquérito com prazo de 90 dias para investigá-lo. O empresário pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de não comparecer à CPI. Este pedido foi negado pelo ministro Gilmar Mendes . O magistrado, porém, determinou que a CPI assegure ao ex-assessor o direito ao silêncio, isto é, de não responder a perguntas que possam incriminá-lo — sendo proibido, no entanto, “faltar com a verdade relativamente a todos os demais questionamentos”.

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Com bom trânsito entre políticos no norte do país, o empresário se aproximou de Pazuell, quando o general atuou na Operação Acolhida em Roraima. No Ministério da Saúde, tinha as portas de seu gabinete aberta a parlamentares, tarefa que Pazuello dizia não ter paciência para assumir. O ex-assessor também era requisitado por governadores e prefeitos que buscavam a pasta para despachar demandas durante a pandemia.

Fonte: IG