Anadia/AL

23 de setembro de 2021

Anadia/AL, 23 de setembro de 2021

Documentário sobre crime da Braskem é promovido por movimentos sociais

Por GyanCarlo

Em 7 de agosto de 2021

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Lideranças do MUVB e assistente de direção do filme em bate-papo com o público (Foto: Chico Brandão)

Exibido no bairro do Pinheiro, filme dirigido pelo argentino Carlos Pronzato contou com cerca de 200 espectadores

Exibido no bairro do Pinheiro, filme dirigido pelo argentino Carlos Pronzato contou com cerca de 200 espectadores, dando novo fôlego à luta do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem por justiça acerca do caso.

Na noite desta quinta-feira (5), a Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, serviu de sala de exibição para a estreia do documentário “A Braskem passou por aqui: a tragédia de Maceió”, dirigido pelo cineasta argentino Carlos Pronzato. Entre as duas sessões promovidas, cerca de 200 espectadores puderam participar de um bate-papo sobre a produção do filme e os próximos passos da luta contra a mineradora com o assistente de direção do longa-metragem, Benival Farias, e membros do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB). Ao fim da exibição, o filme foi aplaudido de pé e ovacionado por cerca de um minuto.

“60 mil pessoas têm muita voz, mas essas vozes são abafadas por uma multinacional que não sabemos sequer a face que tem. Um documentário com essa qualidade que se propõe a fazer ecoar essas vozes nos enche da esperança de que vamos conseguir reorganizar nossa luta”, declarou o pastor Wellington Santos, que trabalha na igreja há quase três décadas. Nesse sentido, o pastor fez reverência ao MUVB, que luta para mitigar as injustiças impostas às vítimas pela Braskem e o poder público. “Chega de movimentos sociais quererem desacreditar o movimento único, pois quanto mais a gente se divide mais a Braskem se fortalece.”

Cássio Araújo, liderança do MUVB, fez elogios ao longa-metragem, ressaltando que o filme revela a natureza do crime cometido na capital alagoana. “O documentário retrata bem a tragédia que o povo de Maceió sofre atualmente, abrangendo vários aspectos. Um ponto importante é que fica claro que a instalação da indústria petroquímica aqui rendeu progresso econômico para um setor muito minoritário.” O ativista do MUVB, porém, esclarece que o grande problema da mineração na cidade foi a negligência da empresa e das autoridades públicas. “É claro que a industrialização do país é importante, mas o que esse crime mostra é que tudo deve ser feito de forma responsável”, esclareceu.

Morador do bairro Pinheiro por 45 anos, Marcos André Ferreira esteve no evento de estreia do filme e também elogiou a divulgação do caso através das lentes de Carlos Pronzato. “Eu acho que as nossas maiores dificuldades se iniciaram a partir do acordo firmado entre a Braskem e os órgãos públicos, que nos deixa na situação de não saber quanto, quando nem como iremos receber nossas indenizações. Foi muito importante o documentário tocar nessa questão.” Marcos André, que perdeu o pai devido a um problema cardíaco desencadeado no dia da realocação de sua família, ainda ressaltou a importância do longa-metragem na busca por justiça. “Eu acho que é importante a gente estar atento a todos os registros referentes a esse grande crime, a fim de obter respaldo para continuar a luta. Nesse sentido, o documentário representa bem nossa dor e consegue mostrar uma visão completa da tragédia.”

Outro espectador, Aguinaldo Almeida, de 61 anos, nascido e criado no bairro Bom Parto, também demonstrou encarar o documentário como uma espécie de luz no fim do túnel. “Com esse filme, eu sinto que nós começamos a furar essa bolha imposta pela Braskem aqui em Alagoas. Pouco se fala sobre a questão criminal, coisa que o documentário traz. Alguém tem que ser punido por esse crime ambiental!”, disse. Aguinaldo Almeida também ressaltou o teor de crueldade presente no processo de realocação dos bairros destruídos pela mineração criminosa. “Esse crime da Braskem extrapola a questão material, porque envolve a questão afetiva. De repente, eu me vi coagido a abandonar a minha casa depois de 61 anos.”

Fonte: Tribuna Hoje

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