Além de promoverem o governo de Bolsonaro, as emissoras simpáticas ao presidente também o receberam para entrevistas exclusivas. A publicação cita programas como os de Datena, na Band, e de Sikêra Júnior, na Rede TV!.

As 263 notas fiscais que atestavam “pagamento de cachê” somavam R$ 4.846.601,72. A Intercept analisou 139 delas, que juntas davam o valor de R$ 4,3 milhões. A Rede Globo e afiliadas, no entanto, não apareceram na relação.

O governo teria pago R$ 1 milhão para que a dupla Simone e Simária promovesse a campanha de Combate à Violência Contra a Mulher, o que levou a dupla para o topo da lista das celebridades que receberam cachê. Para esta campanha, a Secom gastou mais R$ 1,7 milhão. O restante foi distribuído para os apresentadores Luiz Datena e Catia Fonseca (Band), Ana Hickmann, Luiz Bacci e Ticiane Pinheiro (Record), Nelson Rubens (Rede TV!) e Lívia Andrade (SBT).

Segundo a própria Secom explica em algumas notas, a prática do merchan é “a contratação deste formato de mídia, no qual se utiliza da imagem/credibilidade do apresentador para divulgar um produto, marca ou serviço, implica além do custo de veiculação, conforme práticas comerciais dos veículos de comunicação, pagamento de valores referentes a direitos autorais/correlatos/cachês, normalmente estabelecido pela determinação percentual sobre o valor de veiculação”.

A Intercept afirma que os pagamentos aconteceram diretamente aos CNPJs dos apresentadores, no caso de Sikêra Júnior, Tino Júnior e Marcelo de Carvalho, ou com intermédio das emissoras, como é o caso de Ana Hickmann, César Filho, Tino Júnior, Ticiane Pinheiro e Marcos Mion, Milton Neves, Datena e Catia Fonseca.

A publicação também apurou que foram direcionados R$ 746 mil para cachê das celebridades envolvidas na campanha sobre “cuidado precoce” para a Covid-19.

Nas notas fiscais, o pagamento é feito por meio das empresas que têm contrato com o governo, tais como Profissionais de Publicidade Reunidos, Artplan Comunicações e Calia Y2 Propaganda.

Fonte: IG