Anadia/AL

27 de setembro de 2021

Anadia/AL, 27 de setembro de 2021

Renda dos alagoanos é afetada após nove reajustes no preço dos combustíveis somente em 2021

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 13 de agosto de 2021

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Preço da gasolina chega a R$ 6,09 em Maceió / Foto: Raíssa França

Por Maria Luiza Lúcio* - A expectativa é que ainda aumente mais até o final do ano.

O preço do combustível no país já sofreu nove reajustes desde o início de 2021. A expectativa é que ainda aumente mais até o final do ano. Em Alagoas, há 400 mil automóveis e 380 mil motos consumindo regularmente a gasolina e sendo afetados, principalmente no bolso, segundo aponta o economista Cícero Péricles Carvalho. Com esse último reajuste no valor, a gasolina em Alagoas chegou a R$ 6,09.

Péricles afirmou que além dos aumentos nos combustíveis, há também o processo inflacionário e os altos índices de desemprego provocando estragos na renda da maioria da população.

“O anúncio de mais aumentos nos combustíveis tem um efeito perverso que é o de estimular o aumento dos preços finais de todas as mercadorias e serviços, penalizando uma sociedade como a alagoana, que tem 80% de sua população recebendo até dois salários mínimos”, destaca.

Cícero Péricles Carvalho

Ele explica que os reajustes ocorrem seguindo a lógica da política de preços da Petrobras adotada desde 2017, com a paridade de preços com o preço do mercado internacional do barril de petróleo, assim como do valor do dólar.

“Com isso, os preços dos derivados sofrem influência pesada do dólar e do valor do barril de petróleo. Como tivemos nove reajustes expressivos de janeiro até agora, o preço da gasolina acumula um aumento de 50%, o diesel 40% e o gás 38%”, disse o economista.

De acordo com Cícero, antes o reajuste era trimestral levando em conta as variações dos preços do ano inteiro, que subiam menos e mais lentamente.

“Como o preço do barril vem subindo, as refinarias reajustam seus preços e repassam para os distribuidores, e, como o valor do dólar está alto, o câmbio ajuda nessa subida. Há um ano, o dólar estava a R$ 5,00 e o barril do petróleo custava 40 dólares. Agora, o dólar está próximo a R$5,20 e o barril a 72 dólares”.

O economista declara que os reajustes dos combustíveis provocam o aumento de preços em quase toda a economia, devido aos custos de transporte, seja com o diesel ou gasolina. Isso afeta a inflação e o custo de vida das famílias.

“No caso do diesel, aumentam os preços dos fretes, realizados, basicamente, por caminhões e utilitários, assim como das passagens de ônibus urbanos e interurbanos. No caso da gasolina, penaliza principalmente os usuários de transporte individual”, esclarece.

Além disso, Cícero informa que os reajustes reduzem os ganhos daqueles que trabalham com táxis ou transporte por aplicativo, do tipo Uber ou 99. “Como era de se esperar, o aumento nos combustíveis encarece os produtos alimentares e demais mercadorias que são transportadas de seu espaço produtivo para a comercialização”.

Trabalhadores de aplicativo sofrem com mais um reajuste

 Luiz Carlos Ferreira – Foto: Cortesia 

O motorista de aplicativo Luiz Carlos Ferreira diz que está cada vez mais complicado manter o tanque do carro cheio. “Antes gastava 260 reais. Agora custa mais de 300 reais e o valor da corrida não acompanha o preço dos combustíveis”.

Ele conta que a renda de quem trabalha como condutor em aplicativos caiu mais de 70%. “Ficou mais cara a manutenção do carro com o aumento dos combustíveis. Pagar a taxa dos aplicativos, de gasolina e manutenção do carro ficou mais difícil”.

Luiz afirma que, devido aos reajustes, muitos dos motoristas que utilizavam um carro alugado para o trabalho desistiram da profissão. “O aumento dos combustíveis foi o grande vilão”.

Do carro para a bicicleta

O estudante de arquitetura Kleyton Castro precisou mudar sua rotina para se adaptar aos reajustes. Recentemente, resolveu comprar uma bicicleta para diminuir a dependência do carro em pequenos deslocamentos e, assim, conseguir economizar.

“Aqui em casa são dois carros e a gente tem uma rotina bastante intensa de uso desses veículos. Com os outros aumentos acumulados ao longo desse ano, resolvi comprar uma bicicleta. O valor acima de R$ 6,00 no litro é absurdo”.

Kleyton Castro – Foto: Cortesia 

Ele acredita que a política de preços adotada pela Petrobras nos últimos anos tem prejudicado bastante o consumidor. “Com vários aumentos seguidos fica bastante complicado. Principalmente nesse período em que está existindo aumento em várias outras coisas”, conclui.

Fonte: Cada Minuto

 

 

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