Anadia/AL

19 de setembro de 2021

Anadia/AL, 19 de setembro de 2021

Bolsonaro não quer acordo, porque seu último recurso é se manter no ataque

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 24 de agosto de 2021

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UOL

Por Roberto Villanova

No famoso livro “O Príncipe“, de Machiavel, tem o capítulo que trata das conquistas do poder com as armas dos outros, ou com sorte. Nada mais pertinente para definir o presidente Jair Bolsonaro e o momento atual do país.

Resumindo, diz Machiavel que nesses casos – com a conquista do poder pelas armas dos outros ou com sorte -, o príncipe, ou o governante, para deixar o sujeito da oração contemporâneo, somente com muito esforço se mantém no poder.

Trazendo o ensinamento para o presidente, tem-se que Bolsonaro chegou ao poder com as armas dos outros, no caso, o juiz Sergio Moro e a operação Lava Jato, e teve ele a sorte de surgir como novidade na política – um ledo engano que se vê agora ludibriou muita gente.
Mas, há de se reconhecer que Bolsonaro sabia que não poderia manter a farsa indefinidamente; sem o menor constrangimento ele, que pregava a “nova política” e execrava o centrão, aliou-se ao centrão, e esse é o seu esforço para se manter no poder.

Para tentar desviar o foco dos fracassos, que atingem a política e a economia, só há uma maneira, que é mantendo o discurso de ataques às instituições, principalmente ao Supremo Tribunal Federal, que somente agora retoma o papel de guardião da Constituição, depois de tê-la deixado ser vilipendiada pela chamada “República do Paraná”.

Talvez por isso, Bolsonaro se sinta estimulado a atacar os ministros do STF, embora o ministro Alexandre de Moraes, seu alvo preferido dos ataques, junto com o ministro Luiz Roberto Barroso, tenha chegado ao Supremo depois da Lava Jato ter-se iniciado.

O processo que levou à condenação do ex-presidente Lula é simplesmente vergonhoso. Não se está aqui inocentando o ex-presidente à priori, o que se diz é que todo o processo que condenou o Lula, além de ilegal, consta com provas das acusações inverossímeis.

Sem duvida que por isso, o Lula ressurgiu como a grande vítima viva da República, que para alguns é algo como a ressurreição de Getúlio Vargas da era pós-ditadura do Estado Novo. Bolsonaro sabe disso e tem informações de que “o nove dedos” o derrotará, daí os ataques replicados.

Diante desse quadro, para Bolsonaro só resta manter os ataques ao sistema eleitoral eletrônico e, se o sistema permitisse a impressão do voto, ele estaria pedindo o contrário, ou seja, estaria pedindo para não imprimir o voto. O outro recurso é manter o discurso virulento contra o Supremo e a pregação do golpe.

Daí, de nada adiantará o esforço dos governadores na tentativa de buscar a conciliação e fazer Bolsonaro respeitar as regras do jogo democrático, porque isso significa retirar-lhe o único discurso que tem.  E com a crise econômica, o desemprego crescente e a desconfiança dos investidores, principalmente estrangeiros, não lhe resta outra alternativa, senão manter o discurso golpista com ataques às instituições.

Fonte: Blog do Bob

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