Anadia/AL

24 de setembro de 2021

Anadia/AL, 24 de setembro de 2021

Cantor folk é perseguido e morto pelo Talibã em cidade no norte do Afeganistão

Por GyanCarlo

Em 31 de agosto de 2021

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Morador de Cabul, no Afeganistão, vende bandeiras do TalibãMorador de Cabul, no Afeganistão, vende bandeiras do TalibãKhwaja Tawfiq Sediqi - 30.ago.2021/AP

Família relata que Fawad Andarabi foi arrastado de sua casa e baleado na cabeça em província montanhosa ao norte de Cabul; em outro caso, youtuber morreu em ataque do Estado Islâmico-K ao aeroporto | Murillo Ferrarida CNN

O cantor folk afegão Fawad Andarabi foi arrastado de sua casa e morto pelo Talibã em uma província montanhosa ao norte de Cabul na sexta-feira (27), disse um jornalista local à CNN, levantando temores de um retorno ao rígido governo do grupo islâmico de 20 anos atrás – incluindo uma repressão à música.

Jawad, filho de Andarabi, disse à agência Associated Press que o cantor foi “baleado na cabeça” na fazenda da família no Vale do Andarab, no norte da província de Baghlan.

“Ele era inocente, um cantor que apenas divertia as pessoas”, afirmou Jawad à AP, primeira a relatar a morte de Andarabi.

CNN não confirmou de forma independente as circunstâncias em torno do assassinato do cantor, mas o ex-ministro do Interior do Afeganistão, Massoud Andarabi, que também é do distrito que deu nome à família, falou publicamente sobre o caso.

“A brutalidade do Talibã continua em Andarab. Hoje eles mataram brutalmente o cantor folk Fawad Andarabi que simplesmente estava trazendo alegria para este vale e seu povo enquanto cantava (…) não nos submeteremos à brutalidade do Talibã”, tuitou, no sábado (28).

O assassinato levantou preocupações sobre um retorno à forma dura de governo que o Talibã impôs quando estava no controle do Afeganistão, de 1996 a 2001. Durante esse tempo, o grupo proibiu a maioria das formas de música não islâmicas.

Em entrevista ao New York Times na semana passada, o porta-voz do Talibã, Zabiullah Mujahid, disse que “a música é proibida no Islã”, quando questionado se seria novamente proibida em público no Afeganistão. Ele acrescentou que o grupo espera poder “persuadir as pessoas a não fazerem tais coisas, em vez de pressioná-las”.

“Queria que fosse um sonho ruim, gostaria que pudéssemos acordar um dia. Mas eu sei que não é possível… e é uma realidade que estamos acabados.”

Dias depois, Sadeqi foi morta em um ataque terrorista nos arredores do aeroporto internacional de Cabul, disseram dois colegas dela à CNN. Pelo menos 170 afegãos morreram enquanto tentavam desesperadamente fugir do país.

Sadeqi estava no último ano de estudos em um instituto de jornalismo em Cabul. Ela havia se juntado recentemente ao canal Afghan Insider no YouTube, cujos vídeos acumularam mais de 24 milhões de visualizações.

Eles davam vislumbres semanais da vida de jovens criadores de conteúdo, que haviam crescido em meio à relativa segurança de uma era pós-Talibã.

“Eu estava ganhando o suficiente para pagar minhas despesas diárias e minha educação”, disse Sadeqi em seu último vídeo. “A maioria das famílias da cidade está apenas esperando (uma) refeição para sobreviver agora.”

Sua morte abalou uma ampla comunidade de jovens youtubers que desfrutaram da liberdade concedida aos afegãos nas duas décadas desde que o último regime do Talibã foi removido – muitos dos quais nem mesmo se lembram dos dias anteriores ao 11 de setembro.

O YouTube havia se tornado uma plataforma proeminente no Afeganistão nos últimos anos, mostrando a democracia nascente do país e fornecendo uma plataforma valiosa para aspirantes a jornalistas como Sadeqi.

(Com informações de Hannah Ritchie, Masoud Popalzai e Rob Picheta, da CNN)

Fonte:  CNN Brasil

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