Anadia/AL

16 de setembro de 2021

Anadia/AL, 16 de setembro de 2021

Mundo reage com desconfiança a anúncio de novo governo interino no Afeganistão

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 8 de setembro de 2021

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AP - Khwaja Tawfiq Sediqi

China e outros países também reagiram com desconfiança ao anúncio da formação do novo governo em Cabul.

Para a França, “os requisitos da comunidade internacional (…) não estão sendo cumpridos”, afirmou o porta-voz da chancelaria em um comunicado, partilhando, assim, as preocupações expressas anteriormente pela União Europeia e pelos Estados Unidos sobre esse novo governo talibã.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, chegou à Alemanha nesta quarta-feira (8) com a esperança de coordenar com os países que intervieram no Afeganistão uma resposta ao governo formado pelo Talibã.

O chefe da diplomacia americana chegou ao meio-dia na base aérea americana de Ramstein, no sudoeste da Alemanha, um centro por onde passaram vários milhares de evacuados do Afeganistão. Ele já havia viajado para o Qatar, o maior centro de transporte aéreo a partir de Cabul.

Uma reunião virtual de ministros de 20 países para discutir o caminho a seguir no Afeganistão, presidida por Blinken e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, teve início à tarde nesta quarta-feira.

O que emerge acima de tudo é que este governo é “composto exclusivamente por membros do Talibã ou seus aliados próximos”, resumiu os Estados Unidos. Um governo que não é nem “inclusivo” nem “representativo”, ao contrário do que “os talibãs têm prometido nas últimas semanas”, lamentou a União Europeia.

Os Estados Unidos se dizem “preocupados”, mas prontos para julgar o Talibã “por suas ações”, em particular pela sua disposição [ou não] de deixar os afegãos deixarem o país.

Prudência e tato

A mesma história do lado do Catar, durante anos no centro das negociações diplomáticas com os afegãos: segundo as autoridades, o Talibã deve ser “julgado por suas ações públicas”.

A Turquia, em meio às discussões sobre a reabertura do aeroporto de Cabul, foi ainda mais cautelosa: “Não sabemos quanto tempo vai durar esse governo provisório. Nosso dever é acompanhar esse processo com atenção”.

Pramila Patten, chefe da agência da ONU dedicada aos Direitos das Mulheres notou especialmente a ausência de figuras femininas neste governo, o que “levanta dúvidas sobre o recente compromisso de proteger e respeitar os direitos das mulheres e meninas no Afeganistão”.

Por sua vez, a China, vizinha do Afeganistão, saudou a composição em Cabul deste governo provisório, medida que, segundo Pequim, põe fim às “três semanas de anarquia” no país. E constitui “um passo importante para a restauração da ordem no país e sua reconstrução”, disse a repórteres o porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin.

“Ilegítimo”

Finalmente, a Frente afegã de Resistência Nacional (FNR), liderada pelo filho do lendário comandante Massoud no vale de Panshir, descreveu o novo governo talibã no Afeganistão como “ilegítimo”.

Todos os membros deste governo que será liderado por Mohammad Hassan Akhund, um ex-colaborador próximo do fundador do movimento, o mulá Omar, morto em 2013, são talibãs, segundo a agência AFP. E quase todos eles pertencem ao grupo étnico pashtun.

Vários dos novos ministros, alguns dos quais já eram muito influentes sob o regime anterior do Talibã, figuram nas listas de sanções da ONU. Quatro passaram pela prisão norte-americana de Guantánamo.

O primeiro-ministro Mohammad Hassan Akhund é conhecido por ter aprovado a destruição em 2001 do tesouro do patrimônio afegão, o buda gigante Bamiyan Buddhas (centro), de acordo com Bill Roggio, editor do Long War Journal (LWJ).

Fonte: RFI

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