Anadia/AL

24 de setembro de 2021

Anadia/AL, 24 de setembro de 2021

Na abertura de julgamento, principal acusado por atentados de Paris reafirma fé islâmica radical

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 8 de setembro de 2021

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© Thomas Coex, Paris - Publicado às 18:24

A França iniciou nesta quarta-feira (8) o julgamento de 20 envolvidos nos atentados jihadistas mais violentos da história do país, ocorridos em 13 de novembro de 2015.

Às 13h17 (8h17 de Brasília), o tribunal abriu o megaprocesso no imponente Palácio da Justiça de Paris. Presente na sala, Abdeslam, suspeito de integrar a equipe que abriu fogo contra clientes de restaurantes na zona leste da capital, reafirmou sua fé islâmica em uma breve declaração aos juízes.

“Em primeiro lugar, quero testemunhar que não há Deus exceto Alá e que Maomé é o seu mensageiro”, disse o réu de 31 anos. Questionado sobre sua profissão, Abdeslam respondeu: “Desisti de qualquer profissão para me tornar um combatente do Estado Islâmico”.

Abdeslam é conhecido como o décimo homem, o único que abandonou seu cinturão de explosivos e não completou um ataque suicida naquela trágica sexta-feira 13, como fizeram os demais nove integrantes das três equipes que espalharam terror em Paris. Usando máscara, ele se sentou no banco dos réus, cercado por vários policiais, ao lado de outros dez acusados que ofereceram algum tipo de apoio logístico aos atentados.

Três acusados comparecem livres ao julgamento e respondem aos juízes sentados na grande sala especialmente construída para o processo, que tem capacidade para acolher 550 pessoas. Quanto aos demais suspeitos, cinco são dados como mortos, mas são processados à revelia porque não há provas formais dos óbitos. Um sexto homem está preso na Turquia, e não foi possível extraditá-lo.

O esquema de segurança fora do tribunal foi reforçado, em razão do risco de uma ameaça terrorista, de acordo com o porta-voz do governo, Gabriel Attal. Em 2020, durante o julgamento do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, novos atentados atingiram a França.

O “julgamento do século”, nas palavras da imprensa francesa, “é um salto para o desconhecido”, considera Arthur Dénouveaux, sobrevivente do Bataclan e presidente da associação de vítimas “Life for Paris”.

Previsto para durar entre oito e nove meses, sem dúvida será o julgamento mais longo da história da França, com todas as atenções voltadas para Abdeslam. O franco-marroquino cumpre atualmente pena de 20 anos de prisão na Bélgica, depois de ter sido condenado por atirar contra policiais. Mas ele se manteve calado nos interrogatórios, frustrando familiares das vítimas que gostariam de ouvi-lo sobre suas motivações.

Seis anos de investigação permitiram reconstituir grande parte da logística dos ataques e o percurso que os terroristas fizeram até chegar à capital, passando por uma rota migratória da Síria até os seus esconderijos alugados na Bélgica e perto de Paris.

Os investigadores descobriram uma célula terrorista muito maior e também responsável pelos atentados que deixaram 32 mortos em 22 de março de 2016 no metrô e no aeroporto de Bruxelas, outro ataque violento do período na Europa.

Explicações

“Os sobreviventes dos ataques de 13 de novembro têm uma necessidade urgente de explicação sobre o que aconteceu, o que sofreram”, disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao jornal Le Parisien, para quem este julgamento os ajudará “no processo de reconstrução”.

Para François Molins, ex-procurador de Paris, é necessário construir “uma memória coletiva que reafirme os valores da humanidade e da dignidade” e permitir que “as famílias das vítimas compreendam o que aconteceu”, disse à rádio RTL.

O primeiro momento importante do julgamento acontecerá no final de setembro, com os depoimentos dos sobreviventes e familiares das vítimas previstos para durar cinco semanas. As associações que os representam já alertaram para a emotividade dos relatos.

O interrogatório dos acusados acontecerá em 2022 e a principal questão será se Abdeslam vai abandonar o silêncio e responder aos questionamentos de sobreviventes e familiares das vítimas, em vez de apenas reafirmar sua fé islâmica radical.

Fonte: RFI

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