Anadia/AL

27 de setembro de 2021

Anadia/AL, 27 de setembro de 2021

FIB Bank transferiu à empresa da mãe de suposto ‘sócio oculto’ 96% de pagamento da Precisa, diz CPI

Por Alagoas Brasil Noticias

Em 14 de setembro de 2021

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Foto: Reprodução

Por Marcela Mattos e Sara Resende / Marcos Tolentino nega ser 'sócio oculto' do FIB Bank, que, embora não seja banco, deu garantia para compra de vacina pela Precisa Medicamentos. Contrato com governo acabou encerrado.

A CPI da Covid identificou o repasse de R$ 336 mil feito pelo FIB Bank para uma empresa no nome da mãe do advogado e empresário Marcos Tolentino, que nesta terça-feira (14) prestou depoimento à comissão.

Questionado sobre a transferência, Tolentino não quis responder, recorrendo ao direito obtido no Supremo Tribunal Federal de não se manifestar em perguntas cujas respostas pudessem incriminá-lo.

O envolvimento de Tolentino com o FIB Bank, empresa que apesar do nome não é um banco, é uma das principais frentes de investigação da CPI. Tolentino nega que seja “sócio oculto” do FIB Bank, como suspeita a CPI (vídeo abaixo).

'Eu, Marcos Tolentino, afirmo que não possuo qualquer participação na sociedade', diz empresário
 
 ‘Eu, Marcos Tolentino, afirmo que não possuo qualquer participação na sociedade’, diz empresário

O FIB Bank foi a instituição que emitiu uma carta-fiança de R$ 80,7 milhões para a contratação, pela Precisa Medicamentos, da vacina indiana Covaxin. O contrato da Precisa com o Ministério da Saúde para o fornecimento das vacinas acabou encerrado após denúncias de irregularidades.

Os R$ 336 mil representam 96% do valor pago pela empresa Precisa Medicamentos ao FIB Bank como contrapartida à atuação da instituição como uma espécie de fiadora na compra da vacina indiana Covaxin.

A transferência à empresa Brasil Space Air Log, que seria da mãe de Tolentino, pelo FIB Bank foi feita em 23 de março deste ano.

Para a cúpula da comissão, o repasse financeiro é um dos indícios mais contundentes da vinculação de Tolentino com o FIB Bank.

Os senadores acreditam que o advogado atuou como um “sócio oculto” da garantidora – o que ele negou nesta terça-feira (14), durante depoimento à CPI.

“Esse é um dos pontos mais críticos do depoimento, pois, como eu falei aqui anteriormente, as movimentações financeiras mostram que a Brasil Space Air Log, empresa que pertence de fato ao senhor Marcos Tolentino, recebeu do FIB Bank R$ 336 mil dos R$ 350 mil no mesmo dia em que esse valor foi pago pela Precisa Medicamentos. Os outros R$ 14 mil foram destinados a Wagner Potenza, ex-Presidente do FIB Bank”, afirmou o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A comissão apura ainda qual a relação mantida por Tolentino com políticos – entre os quais, o líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Barros elaborou uma emenda que favoreceu a aquisição da Covaxin pelo governo brasileiro. O líder do governo e Tolentino dizem manter uma relação de “amizade”, mas negam qualquer parceria comercial

Renan Calheiros ressaltou ainda que Tolentino foi sócio da Brasil Space entre 2018 e 2020 – após a saída, a mãe dele, de 81 anos, permaneceu no quadro societário.

Em meio aos questionamentos, o advogado de Tolentino afirmou que nesta segunda-feira (13) – ou seja, um dia antes do depoimento – ele retornou ao comando da empresa.

“As movimentações financeiras entre o FIB Bank e empresas ligadas a Marcos Tolentino, notadamente a Brasil Space Air Log, mostram que há fortes indícios, senão comprovações, de que o FIB Bank, Pico do Juazeiro e MB Guassu, essas duas últimas empresas constituídas em nome de laranjas, pertencem exatamente a Marcos Tolentino”, afirmou o relator.

Repasses milionários

A CPI já constatou repasses que totalizam R$ 1,9 milhão do FIB Bank à Brasil Space Air entre junho de 2020 e maio de 2021. Em todos os momentos em que foi questionado sobre o assunto, Tolentino se calou.

O advogado também permaneceu em silêncio diante da pergunta se a Brasil Space participou da negociação entre a Precisa Medicamentos e o FIB Bank, o que justificaria o pagamento.

Mais cedo, o advogado negou ter mantido qualquer envolvimento na aquisição da Covaxin e sustentou que esteve internado com um grave quadro de Covid-19 entre fevereiro e abril deste ano – ou seja, quando o contrato da vacina indiana foi firmado.

“Nós temos de procurar quais são as procurações que o senhor passou e para quem passou, para a gente poder saber quem operou no seu lugar. Porque, na situação em que o senhor estava era humanamente impossível o senhor, numa UTI, intubado, e alguém ir lá discutir negócio com o senhor”, afirmou o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

CPFs cancelados

Durante a audiência, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que constatou na Receita Federal que Tolentino tem quatro CPFs cancelados e dois regulares (vídeo abaixo).

CPI aponta que Tolentino tem dois números de CPF ativos
CPI aponta que Tolentino tem dois números de CPF ativos

O advogado negou a informação. “Eu só tenho um único CPF meu, regular. Esses outros eu desconheço”, disse.

“Mas então a Receita Federal agiu de má-fé? Esses documentos são da Receita Federal do Brasil. Está aqui: Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal do Brasil”, rebateu Randolfe.

“Então eu vou permanecer em silêncio até que se veja isso aí”, respondeu Tolentino.

“São cinco familiares que, somando todas essas empresas, dão exatamente 32 empresas. É empresa demais. E uma delas, que é da mãe, recebe R$ ,9 milhão do FIB Bank. Está claro que o senhor é o sócio de fato desta empresa”, disse Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Requerimentos aprovados

Durante o depoimento de Tolentino, senadores aprovaram requerimentos que atingem diretamente o FIB Bank. São os seguintes:

  • pedido para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue todos os contratos firmados pela União com o FIB Bank;
  • pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça uma auditoria em todos os contratos da União com o FIB Bank;
  • solicitação para que todos os ministérios, entre os quais o da Economia e a Casa Civil, suspendam as cartas de fiança emitidas pela instituição;
  • pedido de informações ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero) relativas ao precatório negociado com o FIB Bank.

Nesta terça, a CPI também aprovou a quebra de sigilo fiscal e bancário da Câmara de Comércio Brasil-Índia, e também pediu ao Coaf um relatório de inteligência financeira sobre o órgão.

No requerimento, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirma que, na véspera da assinatura do contrato da Covaxin com o governo brasileiro, a Precisa Medicamentos realizou um repasse de R$ 1 milhão à Câmara de Comércio.

De acordo com o senador, há “graves suspeitas de que o repasse possa ter sido recompensa à Câmara de Comércio por ajudar a viabilizar um contrato irregular”.

* G1

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