Anadia/AL

21 de outubro de 2021

Anadia/AL, 21 de outubro de 2021

Bullying é mais praticado por homens do ensino privado em AL, diz pesquisa; escolas falam como combatem

Por GyanCarlo

Em 26 de setembro de 2021

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Psicóloga Maria Eduarda Ferro / Foto: Cortesia

Maria Luiza e Rebecca Moura

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que entre os estudantes alagoanos que se sentiram humilhados por provocações de colegas de escola, 13,8% citou a aparência do rosto como motivo ou causa da humilhação. Alagoas ocupa o 1º lugar entre todas as unidades da federação com queixas relacionadas à aparência. O Cada Minuto conversou com algumas instituições de ensino para saber como elas combatem o bullying.

A pesquisa mostrou que o bullying é mais praticado por homens e do ensino privado. Em Alagoas, 13,1% dos homens afirmaram que esculacharam, zombaram, mangaram, intimidaram ou caçoaram algum colega de escola tanto que ele (a) ficou magoado (a), aborrecido (a), ofendido (a) ou humilhado (a). O percentual entre as mulheres foi de 10%. O ensino privado registrou taxa maior (14,2%) em relação às dependências públicas (11%).

Ao Cada Minuto, a psicóloga Maria Eduarda disse que o padrão de beleza é algo que muda muito rápido e acaba sendo algo completamente inalcançável.

“Com as redes sociais e a intensa exposição a elas, isso se torna algo supervalorizado.  Algo que foge disso acaba sendo, muitas vezes, rejeitado. A aparência é a primeira “apresentação”, é a forma como, principalmente na adolescência, nos apresentamos ao mundo”, disse.

A psicóloga acredita que, como a escola é o principal local onde ocorre o bullying, por ser o primeiro contato da criança com outras, os jovens que sofrem com isso podem apresentar um desinteresse ou desmotivação pelos estudos, gerando também um baixo rendimento.

E quem sofre bullying pode ter várias consequências. Segundo a psicóloga, a escola ou o local onde o estudante se sente inseguro e violado, será um ambiente hostil em que essa criança/adolescente não sentirá mais vontade de estar. Outra consequência é a possível baixa na autoestima. “Aquele que sofre poderá se ver de forma distorcida, se baseando nas experiências hostis que está vivenciando”, destaca.

A psicóloga afirma que a presença de pais, educadores e outros adultos que englobam a relação família-escola, deve ir muito além de medidas punitivas. “É preciso se atentar, estar presente na vida escolar e mais ainda dialogar com essas crianças e adolescentes”.

“O acompanhamento psicoterapêutico também é uma via muito potente, tanto para aquele que sofre quanto para aquele que pratica bullying. Falar sobre o sofrimento e entendê-lo melhor é de suma importância. A infância e principalmente a adolescência são períodos de muitas mudanças, perdas e contingências que são vividas com muita intensidade por eles, e isso reflete diretamente nas relações dessas crianças e adolescentes”, comenta.

Como as escolas combatem o Bullying?

A vice-diretora Educacional do colégio Marista de Maceió, Elizabeth Cocentino, explica que a instituição já registrou relatos de estudantes e familiares sobre situações envolvendo algum tipo de conduta ou tratamento inadequado.

Elizabeth Cocentino, Vice-diretora Educacional

Elizabeth diz que, de imediato, isso é tratado com as partes envolvidas, por meio do diálogo, inicialmente. Caso seja preciso outra intervenção, o colégio oferece o acompanhamento necessário.

Cocentino pontua que o tema é trabalhado dentro das salas de aula, desde a Educação Infantil ao Ensino Médio, além de projetos enquanto unidade de rede que oferece direcionamentos específicos, caso surjam situações de bullying ou outros tipos de assédio.

A vice-diretora ainda disse que o colégio aplica políticas internas, dando suporte à criança ou adolescente, suas famílias e, caso necessário, a instituição busca ajuda e informa aos órgãos competentes. Caso a situação exija a busca desse auxílio, o colégio hesita em solicitar o suporte ou em repassar informações.

Ela também reforçou que o colégio Marista oferece cartilha especialmente sobre o tema para todos os estudantes e funcionários. Esse material é trabalhado com todas as faixas etárias, de acordo com a linguagem de cada segmento, e fala, entre outros temas, sobre o conceito de bullying, como prevenir e enfrentar e como identificá-lo em espaços pedagógicos.

“Também temos projetos pontuais nos diferentes segmentos. Além disso, nossa equipe é muito próxima dos alunos, composta por profissionais habilitados e treinados para lidar com as mais variadas situações, sempre de forma acolhedora e solidária. Temos uma cartilha própria, ‘Sou Marista e respeito as diferenças – a identificação do bullying como forma de prevenir e enfrentar a prática nas unidades maristas’, que é distribuída a todos os estudantes e está disponível para consulta”, informou.

O Colégio Santíssimo Senhor, na parte alta de Maceió, disse que não registrou nenhuma denúncia de bullying, mas afirmou que está atento aos relatos de “brincadeiras” que surgiram.

De acordo com a psicóloga do Colégio Santíssimo Senhor, Ana Paula Sarmento, alunos e colaboradores da escola são orientados sobre o tema.

Ana Paula Sarmento, psicóloga do Colégio Santíssimo Senhor. Foto: Cortesia

“Dependendo do caso, essa orientação é feita em toda sala. Repassamos para família, para que ela acompanhe junto com a escola. Novas condutas podem ser tomadas caso a situação permaneça”, afirma a psicóloga.

“Como na maioria das vezes a vítima de bullying ou de situações de desrespeito nunca procura ajuda, estimulamos os alunos a cuidarem uns dos outros, fazendo com que os próprios colegas informem ao setor de psicologia ou coordenação que alguém na sala passa por algumas dessas situações. É importante informar o que realmente caracteriza bullying, diferenciando de uma briga ou desentendimentos que podem ser resolvidos e superados”, comentou.

Escola tem papel importante

No colégio Contato, a  psicóloga especialista em Psicólogo Escolar e Educacional, Layla Borges explicou que é papel da escola reconhecer que é, por vezes, o palco para o desenvolvimento dos estudantes, especialmente na adolescência, e que é necessário um vínculo de confiança com professores e equipe pedagógica para que os alunos se sintam seguros para falar sobre suas queixas.

Psicóloga Layla Borges: Foto – Cortesia

“Os anos de 2020 e 2021, intensificaram este contexto, pois estudantes foram distanciados fisicamente e suas imagens expostas a um contexto virtual intenso nas redes sociais e aulas remotas”, pontua Layla.

Ela explica que ações educativas, especialmente as que possibilitem que os alunos exercitem o respeito e o hábito de falar sobre suas dificuldades nos relacionamentos sociais, são essenciais.

“O tema “Bullying”, compreendido como uma prática sistemática ou repetitiva de humilhação ou intimidação, é discutido em redações, debates em sala de aula e em trabalhos. Estas ações educativas são um primeiro passo e possibilitam que os estudantes reconheçam situações em que o respeito à diversidade está sendo violado e procurem ajuda. Assim, é necessário escutar e reconhecer que cada caso precisa de uma condução que respeite as particularidades da história de cada um”, concluiu a especialista.

Fonte: Cada Minuto

 

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