Anadia/AL

26 de outubro de 2021

Anadia/AL, 26 de outubro de 2021

A empatia não veio, nem virá de Brasília. Por isso mesmo, viva o Brasil!

Por GyanCarlo

Em 10 de outubro de 2021

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VV

Menino fala para amiga não desistir de sessão de fisioterapia e viraliza na web: 'Nós vamos vencer essa batalha' — Foto: Arquivo Pessoal

Ao relembrar o 17 de março de 2020, a mensagem de otimismo não veio do chefe de Estado, mas de um garoto de 12 anos. Por Octavio Guedes

Como não poderia deixar de ser, a manchete da retrospectiva diária do g1 foi: “São Paulo registra a primeira morte por coronavírus“. Logo a seguir, vinha outro destaque deste triste dia: “Nós vamos vencer esta batalha”. Num país decente, essa frase teria saído da boca de um presidente, de um primeiro-ministro, de um rei ou de uma rainha. Foi assim no mundo todo, mas não no Brasil.

Aqui, a empatia que faltou no poder, sobrou em uma clínica de fisioterapia de Bauru. O “nós vamos vencer esta batalha” coube ao menino Otavio, com então 12 anos, que tentava animar a colega Luísa a não esmorecer durante os exercícios. Os dois sofrem de paralisia cerebral. “Não desanima porque Deus é conosco”, incentivava Otavio, num vídeo que viralizou. Nada é por acaso. O país, assustado com a notícia da primeira morte por Covid, precisava de uma mensagem de esperança naquela dia. E ela veio. Não de onde deveria. Mas veio.

Otavio é a prova de que o Brasil é muito mais inspirador do que Brasília. Ontem, às 21 horas, entrei em contato com a avó dele. “Não posso falar agora, porque estou vendendo pastel numa feira. Liga mais tarde”, pediu Marcela Cristiane, que cria o neto desde os 4 anos.

Ela abandonou a carreira de técnica de enfermagem para se dedicar exclusivamente a Otavio. O Benefício de Prestação Continuada a que o menino tem direito não está dando mais para chegar ao fim do mês, e Marcela passou a fazer bico na feira. Um problema a mais que a pandemia trouxe: a gráfica do avô parou de receber encomendas: “Estamos há quase dois anos sem formatura”, explica Marcela.

Otavio, hoje com 13 anos, é convidado para fazer lives nas quais sempre transmite palavras de conforto e incentivo. No auge da pandemia, fazia sessões on line com a fisioterapeuta Jamile Losano. “Muitas vezes, era ele quem me botava pra cima”, conta.

Lamentação parece não existir para a família. “Graças a Deus, nada nos tem faltado”, agradece a avó de Otavio.

Do óbito número 1 ao óbito 600 mil, o país ouviu de sua autoridade mais alta tudo que é possível de grosseria, desprezo, insensibilidade e até mesmo frases que configuraram crimes, segundo analisa a CPI.

Mas a despeito de Brasília, vamos vencer esta batalha, como previu o garoto no dia 17 de março de 2020. As palavras de Otavio nos dão a a certeza de que os inquilinos do poder hoje no Brasil não são o espelho do país. São apenas um retrato bizarro do que temos de pior em termos de sentimentos e irmandade.

Neste dia de 600 mil lutos, esta é a história que este blog oferece aos leitores. Assista ao vídeo. As palavras de Otavio são um alento para quem perdeu a esperança no país:

Menino fala para amiga não desistir de sessão de fisioterapia e viraliza na web

“Eu sei que não é fácil, é difícil até para mim. Tem hora que eu também faço esses bicos, dá vontade de chorar. Mas eu não desisto, eu não choro, eu tenho força. Então eu vou falar uma coisa para você: tenha essa força que eu tenho. Nunca desista, não desanima porque Deus é conosco e nós vamos vencer essa batalha”.

Fonte: G1

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