Anadia/AL

30 de novembro de 2021

Anadia/AL, 30 de novembro de 2021

“Meu filho nem comeu a marmita”, diz mãe de jovem negro morto pela polícia

Por GyanCarlo

Em 23 de outubro de 2021

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Gabriel Hoytil Araújo, jovem negro de 19 anos, foi morto com uma marmita em ação da polícia na zona sul de SP - Reprodução/UOL

A mãe de Gabriel Hoytil Araújo, jovem negro de 19 anos morto a tiros na tarde de quarta-feira (20) em uma operação de combate ao tráfico de drogas da Polícia Civil no Morro do Piolho, na zona sul de São Paulo, contesta a ação. Dois agentes à paisana entraram na comunidade se passando por funcionários e uma empresa de internet e teriam confundido a marmita da vítima com uma arma.

“Ele morreu sem chance de se defender. Meu filho nem comeu a marmita. Já que estavam ali para combater o tráfico, poderiam levar para a delegacia. Esse é o trabalho da polícia, não chegar e matar. Por que mataram o meu filho?”, desabafou a auxiliar de serviços gerais Fabiana Hoytil da Silva, de 41 anos, em entrevista ao portal UOL.

Moradores da região relataram que Gabriel era entregados de comida por aplicativo. O caso gerou comoção em decorrência da foto de uma marmita suja de sangue após os tiros que resultaram na morte de Gabriel, atingido na mandíbula e na coxa esquerda.

O enterro, que está marcado para este sábado (23) no cemitério do Campo Grande, zona sul de São Paulo, foi bancado graças ao auxílio da própria comunidade, diz a mãe.

O assassinato está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apreendeu as armas usadas na ação e uma réplica de arma de fogo encontrada no local onde o jovem foi morto.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) não confirmou a versão de que a marmita teria sido confundida com uma arma. A pasta afirma que houve uma operação no local para combater o tráfico de drogas e que criminosos teriam reagido à ação.

Testemunhas do crime e agentes envolvidos na ocorrência serão ouvidos nos próximos dias, segundo a Polícia Civil. Em nota ao portal UOL, a SSP-SP relacionou a morte do jovem à ação do tráfico de drogas e informou que “criminosos resistiram à ação dos policiais civis, que intervieram”.

Contudo, essa versão é contestada por testemunhas ouvidas pelo UOL sob a condição de anonimato, que informaram que o jovem estava sentado em um banco enquanto comia a marmita. Um morador da comunidade disse ter ido ao local do crime após ter ouvido os disparos e negou qualquer tipo de confronto com o tráfico.

Vídeos gravados por moradores mostram que um agente preservava o corpo de Gabriel. Na filmagem, moradores contestam policiais e dizem que o jovem estava desarmado e, ainda assim, foi atingido.

Fonte: Yahoo

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