Anadia/AL

13 de julho de 2024

Anadia/AL, 13 de julho de 2024

Facções e bicheiros usam ‘bets’ para lavar dinheiro e aumentar lucros

Controle de organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho sobre casas de apostas está por trás de diversos crimes - 12:13

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 23 de junho de 2024

Brasil A

PF fez operação em abril mirando casas de apostas que seriam ligadas ao PCC no Ceará - Reprodução PF

O mercado das apostas esportivas, conhecidas como “bets”, tem sido disputado por facções criminosas e bicheiros em todo o Brasil, que veem no nicho uma oportunidade para maximizar e até lavar os seus lucros.

Legalizadas no país desde 2018 e em processo de regulamentação neste ano, as apostas online têm sido usadas para atividades ilícitas – incluindo assassinatos, incêndios e ataques em casas de aposta – em todo o país, segundo informações do jornal “O Globo”.

Em abril, a  Polícia Federal prendeu dois parentes de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do PCC, por envolvimento da facção com casas de apostas no Ceará. Segundo o inquérito, o sobrinho de Marcola divulgava anúncios da plataforma Fourbet nas suas redes sociais. Também foram encontrados documentos ligados a transações financeiras durante a prisão de Francisca Alves da Silva, cunhada de Marcola.

Em um desses documentos, havia a menção a Menesclau de Araújo Souza, apontado como responsável pela contabilidade do PCC no Ceará. A investigação também descobriu que Menesclau estava envolvido na gestão de unidades físicas da Loteria Fort no estado.

A PF passou a suspeitar ainda mais da ligação entre as bets e o PCC após uma abordagem policial em 2022, quando o sobrinho de Marcola foi encontrado no carro de Henrique Abraão Gonçalves da Silva, filho de uma das gestoras da Loteria Fort no Ceará, Cíntia Chaves Gonçalves.

O delegado da PF Igor César Conti Almeida, que indicou o quarteto por organização criminosa, escreveu que há “robustos indícios, também, da prática de lavagem de dinheiro obtido de forma ilícita” através das plataformas de apostas. Ainda não foi levantado pela PF o total lavado, mas foram mapeados R$ 301 milhões nas contas bancárias de mais de 20 investigados.

No Ceará, o PCC disputa o controle de casas de apostas com CV. Em 2021, chefes do CV chegaram a proibir empresas como a Loteria Fort e a Fourbet de operar em sua área de influência.

Segundo o Ministério Público estadual, a rivalidade resultou em incêndios em casas de apostas cearenses. O MP atribui os ataques a orientações de Douglas Honorato Alves, responsável pelos negócios da facção carioca no Ceará, atualmente procurado pelas autoridades.

Rio de Janeiro

As bets também se tornaram um alvo da máfia que domina o jogo do bicho e as máquinas caça-níquel no Rio de Janeiro. O bicheiro Rogério Andrade, por exemplo, tem apostado no nicho desde 2020, conforme revelou um email de um de seus funcionários, encontrado pelo MP.

“Quando ele tiver isso, nunca mais vamos correr o risco da Justiça achar que estamos fazendo algo ilegal”, dizia a mensagem.

Quando Andrade foi preso pela PF em 2022,  agentes apreenderam um bilhete citando uma plataforma de apostas, “Heads Bet”, e a frase “já está pronta”. Com sede em Curaçao, paraíso fiscal caribenho, a Heads Bet tem 12 mil seguidores no Instagram e segue operando.

A disputa pelo domínio das bets resultou na execução do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro, no Rio. O MP considera que Crespo incomodou “interesses escusos de uma organização criminosa atuante” no ramo das apostas online após comprar o domínio de sites.

Rondônia

Uma operação realizada pela PF em 2021 em Rondônia identificou que o gerente de um site de apostas lavava dinheiro oriundo do tráfico de drogas do CV em oito estados brasileiros.

De acordo com o inquérito, o dinheiro era injetado na Rondo Esportes, de Leandro Blumer, e depois retornava aos próprios membros da quadrilha em forma de “prêmios”. No auge da operação, a casa chegou a pagar quase R$ 13 milhões a apostadores em apenas uma semana.

Em uma das investigações, a PF identificou que uma carga de 126kg de cocaína gerou pagamentos de R$ 1,1 milhão feitos à quadrilha. Segundo o inquérito, o dinheiro foi injetado na Rondo Esportes, que chegou a patrocinar um time de futebol e até abriu filial no Mato Grosso, antes de ser suspensa pela Justiça.

Redação com iG


Galeria de Imagens