Anadia/AL

12 de janeiro de 2026

Anadia/AL, 12 de janeiro de 2026

A reclamação inacreditável de Janaína Paschoal sobre a vitória de Wagner Moura

A coautora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Janaína Paschoal, usou as redes sociais para criticar o governo brasileiro

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 12 de janeiro de 2026

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Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Por: Leticia Cotta

A vereadora de São Paulo Janaína Paschoal (PP-SP), coautora do pedido de impeachment da ex-presidente e atual presidente do NBD Dilma Rousseff (PT), reagiu à vitória do ator Wagner Moura no 83º Globo de Ouro.

A crítica chamou atenção nas redes sociais por acusar o governo brasileiro de agir como “típico de ditaduras” por celebrar a premiação internacional do ator e do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça.

Janaína afirmou que, enquanto o governo exalta o prêmio, se “cala” diante da situação no Irã, citando mortes em protestos e acusando “hipocrisia” de autoridades que se dizem defensoras dos direitos das mulheres.

“É importante um artista brasileiro ganhar um prêmio? Sim! Cumprimento Wagner Moura pelo Globo de Ouro!”, escreveu Janaína. Na sequência, ela comparou o silêncio que atribui ao governo brasileiro sobre o Irã. “Já, diante do genocídio no Irã, nada! Nenhuma palavra!”, concluiu.

A crítica da ex-parlamentar ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Itamaraty, e o próprio presidente Luiz Inacio Lula da Silva ( PT) divulgarem notas oficiais parabenizando o filme O Agente Secreto, vencedor dos prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme – Drama.

Na nota, o Itamaraty afirmou ter recebido “com satisfação” as conquistas e destacou que o reconhecimento internacional “reafirma a excelência do cinema brasileiro e sua capacidade de dialogar com públicos em todo o mundo”.

O ministério também ressaltou que atua historicamente na internacionalização do audiovisual brasileiro, apoiando obras nacionais em festivais e premiações globais. No caso do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho, o Itamaraty informou ter apoiado a campanha do filme por meio dos postos do Brasil no exterior, como parte do compromisso institucional de projetar a cultura brasileira no cenário internacional.

O presidente Lula, por sua vez, considerou que o cinema nacional tem mobilizado atenção e respeito internacionais e simboliza a retomada da valorização dos artistas no país. Ele elogiou tanto a vitória do filme quanto do ator, nas respectivas categorias que concorreram.

O Agente Secreto leva dois prêmios no Globo de Ouro

A conquista do Globo de Ouro coroou, nos primeiros minutos desta segunda-feira (12), um dos momentos mais expressivos do cinema brasileiro nas últimas décadas. O prêmio de melhor filme em língua não inglesa para o longa de Kleber Mendonça Filho foi acompanhado pela estatueta de melhor ator para Wagner Moura, consolidando o reconhecimento internacional da obra.

Ao receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho dedicou a vitória aos jovens cineastas. “Esse é um momento da história muito importante para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Vamos continuar fazendo filmes”, afirmou o diretor, ao relacionar a relevância do cinema à ascensão da extrema direita e às ameaças à democracia no mundo. “A gente falando da nossa casa, todo mundo ouve ao redor do mundo”, completou, incentivando produções independentes e autorais.

O cineasta também saudou Wagner Moura, protagonista do filme e já premiado no Festival de Cannes em maio do ano passado. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, disse Kleber, destacando a parceria artística e pessoal com Moura, hoje uma das vozes mais influentes do cinema, da cultura e do debate político no Brasil.

“Meu irmão, você é um gênio”, respondeu Wagner Moura ao diretor ao receber a estatueta. O ator enfatizou o papel do filme na preservação da memória nacional. “Ou a falta dela”, afirmou, ao se referir à ditadura civil-militar. “Se o trauma pode ser passado de uma geração a outra, os valores também podem. Viva a cultura brasileira!”

O Globo de Ouro também reconhece a trajetória de Kleber Mendonça Filho, responsável por obras marcantes como BacurauRetratos FantasmasO Som ao Redor e Aquarius. A premiação fortalece um cenário de retomada do audiovisual brasileiro, ainda desafiador, mas consistente.

Ambientado nos anos 1970, O Agente Secreto é uma das narrativas mais criativas da cultura nacional sobre as origens e os desdobramentos da ditadura que governou o Brasil por 21 anos a partir de 1964. O filme ultrapassa a abordagem da ditadura como “atividade-fim” e a conecta ao seu papel como “atividade-meio”, revelando os interesses econômicos, os financiadores e os mecanismos de violência de Estado, ao mesmo tempo em que lança um olhar crítico sobre o presente global.

O cinema brasileiro volta a vencer o prêmio de melhor filme em língua não inglesa 27 anos depois de Central do Brasil e garante mais uma estatueta para um artista brasileiro na principal associação da indústria cinematográfica antes do Oscar, um ano após a vitória de Fernanda Torres por Ainda Estou Aqui, de Walter Salles.

O Agente Secreto já havia acumulado dezenas de prêmios internacionais, incluindo os de melhor direção e melhor ator no Festival de Cannes. Sua estreia mundial foi ovacionada por 13 minutos ininterruptos e marcada por uma celebração brasileira: elenco e equipe chegaram ao tapete vermelho ao som do frevo pernambucano, levando a energia do Brasil às ruas de Cannes. No mesmo festival, o Prêmio do Júri também consagrou Fernanda Torres.

Na categoria de filme em língua não inglesa, o longa concorreu com Valor SentimentalFoi Apenas um AcidenteA Única SaídaSirat e A Voz de Hind Rajab. Também disputou a categoria de melhor filme, vencida por Hamnet – A Vida de Hamlet. Já Wagner Moura superou nomes como Dwayne Johnson, Jeremy Allen White, Joel Edgerton, Michael B. Jordan e Oscar Isaac.

ABN C/ Revista Forum

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