Guilherme Levorato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu 2026 com uma agenda internacional intensa, marcada por contatos frequentes com chefes de Estado e de governo de diferentes regiões do mundo. As conversas ocorreram em um contexto de agravamento do cenário global, com o avanço de conflitos armados, disputas entre grandes potências e impactos diretos na América Latina, especialmente a partir da situação na Venezuela e do genocídio na Faixa de Gaza. A movimentação diplomática incluiu telefonemas e ao menos um encontro presencial, sinalizando a prioridade dada pelo Palácio do Planalto à política externa neste início de ano, relata o jornal O Globo.
Entre os diálogos de maior destaque está a conversa de cerca de 50 minutos com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, realizada na segunda-feira (26). Os dois trataram da relação bilateral e de temas centrais da agenda internacional. Lula foi convidado a integrar um Conselho da Paz proposto por Washington, mas não apresentou resposta imediata. O presidente brasileiro defendeu que eventual órgão tenha mandato limitado à situação em Gaza e inclua representação palestina. O cenário venezuelano também entrou na pauta, assim como cooperação econômica, combate ao crime organizado transnacional e a previsão de uma visita de Lula a Washington após viagens à Índia e à Coreia do Sul, programadas para fevereiro.
A agenda europeia incluiu um encontro presencial com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. A reunião foi dedicada às relações entre a União Europeia e o Mercosul, à cooperação econômica e à defesa do multilateralismo. Lula também conversou com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, reforçando o diálogo político com países europeus.
O Oriente Médio também esteve no centro das atenções. Lula conversou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, tendo como foco a guerra em Gaza, a crise humanitária no território e a defesa da solução de dois Estados como caminho para o conflito.
Na América do Sul e no Caribe, a diplomacia presidencial foi igualmente ativa. O presidente manteve diálogo com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sobre a situação venezuelana, ressaltando a importância da estabilidade regional e da busca por soluções políticas. Também conversou com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, em tratativas relacionadas ao quadro político e institucional do país e aos impactos regionais da crise.
Com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, Lula discutiu o fortalecimento da relação bilateral e a coordenação política na América Latina. Já com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, o foco foi novamente a situação venezuelana e a realização do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe. No evento, que ocorre nesta terça (27) e quarta-feira (28) no Panamá, Lula terá encontros presenciais com Mulino, Petro e outros líderes regionais, como Daniel Noboa, do Equador, Bernardo Arévalo, da Guatemala, Luis Arce, da Bolívia, e o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.
* Brasil 247

















