Anadia/AL

3 de fevereiro de 2026

Anadia/AL, 3 de fevereiro de 2026

Flávio Bolsonaro entra no radar da CPMI do INSS por ligação com núcleo das fraudes

Requerimento para convocação do senador será votado nesta quinta (5), na retomada dos trabalhos da CPMI do INSS

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 3 de fevereiro de 2026

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entrou no radar da CPMI que investiga os desvios no INSS. Ele pode ser convocado em um requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) para comparecer à comissão e explicar seus vínculos com o núcleo comandado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, indicado como um dos principais articuladores dos desvios.

O vínculo entre Flávio e os desvios se daria por meio de Letícia Caetano dos Reis. Ela é administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde 16 de abril de 2021, quando a companhia foi aberta. O escritório onde funciona a empresa foi registrado no mesmo endereço da mansão comprada pelo senador em março daquele ano. O imóvel é avaliado em R$ 5,97 milhões.

Em entrevistas, Letícia disse ter sido indicada para ser administradora do escritório pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro e pessoa influente em Brasília entre os políticos. Uma reportagem do portal Metrópoles mostrou que, também em 2021, Willer chegou a promover uma festa de aniversário que teve Flávio como convidado, além de outros líderes da direita de Brasília: o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ex-vice-governador do DF, Paulo Octávio, e o ex-governador do DF, José Roberto Arruda.

A suspeita é de uma relação entre Flávio e o núcleo de Antonio Carlos Camilo Antunes, já que seus sócios são irmãos.

Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, indicado pela Polícia Federal como sócio do Careca do INSS. Ele é tido pela PF como o principal operador das fraudes por meio da empresa Camilo & Antunes Limited, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A empresa teria comprado quatro imóveis de 2024 que, somados, valem R$ 11 milhões. A corporação suspeita de que essa empresa seja uma offshore feita para blindar bens comprados de maneira ilegítima ou incompatíveis com a renda declarada.

Alexandre também é contador do Instituto Modal e sócio de diferentes empresas com o nome VOGA. Entre seus sócios está Paula Batista dos Reis, investigada pela PF por movimentar R$ 8,1 milhões de maneira suspeita.

O requerimento de Rogério Correia pede não só a convocação de Flávio e Letícia, mas também a quebra do sigilo bancário e fiscal da sócia do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Segundo o requerimento, o objetivo é identificar movimentações atípicas e recebimento de valores de pessoas e empresas investigadas.

Os requerimentos serão votados nesta quinta (5), quando serão retomados os trabalhos da CPMI que investiga os desvios. Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, a ideia é ter ainda 13 sessões antes de votar o relatório no final de março.

ABN C/ Brasil de Fato 

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